FRASE:

FRASE:

"Se deres um peixe a um homem, vais alimenta-lo por um dia; se o ensinares a pescar, vais alimenta-lo a vida toda."

(Lao-Tsé, filósofo chinês do séc. IV a.c.)

domingo, 30 de dezembro de 2012

MAIS UMA VOLTA

Breve, os habitantes do planetinha azul Terra estarão completando mais uma volta em torno da estrela-mãe Sol.
E, cada vez que se completa uma volta,  período chamado pelos homens de ano, isto ocasiona certos efeitos psicológicos nos seres humanos que habitam a Terra e reconhecem este ciclo como legítimo.


As pessoas comemoram por mais um período completado, avaliam o que fizeram durante o ano que passou, planejam metas para o próximo, e quase sempre resolvem  começar atividades adiadas por diversas vezes: dietas, programas de atividade física, reformas na casa, arrumação das bugigangas e até mudanças de atitude.
Nem sempre as propostas são cumpridas, mas ficam o reconhecimento de sua legitimidade e as tentativas de cumpri-las.
Não vou  falar de minhas propostas nem das minhas metas, que tentarei cumprir se puder...
Mas, de coração, desejo que reflitamos sobre o que passou, analisemos o porquê de algumas coisas terem dado errado, e tentemos mudar de atitude em relação a essas coisas.
E, caindo no lugar-comum, envio aos amigos que aguentaram ler até aqui meus votos de um utópico:
 
FELIZ ANO NOVO!
QUE A PAZ ESTEJA CONVOSCO!
ABRAÇOS A TODOS!   

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

BREVE MENSAGEM NATALINA

Depois de uma ausência involuntária, volto a esta página para tentar recomeçar o diálogo com os incontáveis e simpáticos amigos da blogsfera.
É como voltar a voar outra vez, ficar pairando suspenso no éter da rede, vendo as cores e sons passarem pertinho, se desviando suavemente para todos os lados...
Navegando pelas blogsferas...
 
As, vezes, eu penso já ter dito tudo o que penso sobre o Natal, sobre meus traumas de infância pobre, sobre o aspecto marketológico da exploração "capitalística" do sentimento religioso e sobre o personagem de vermelho criado como símbolo do refrigerante, que acabou substituindo o autêntico benfeitor das crianças, a respeito do qual mal se ouve falar.

 O velhote enganador, flagrado em um assalto à geladeira de alguém...

Mas, afinal, a tradição e a fé mantiveram a data, embora nem todos tenham consciência do seu real significado.
Pelo menos, o Natal é uma boa desculpa para as reuniões familiares, para o perdão de velhas ofensas, reatamento de velhas amizades, reaproximação dos afastados e premiações meritórias, além de alguns abusos gastronômicos, em detrimento das dietas.
Assim, que os cristãos celebrem o nascimento de Cristo, e que todos abracemos nossos familiares com carinho, curtamos as iguarias com moderação e aproveitemos alguns momentos de paz e ilusão.
Sonhar sempre será permitido!
E, como eu já falei em outras ocasiões, esta é uma boa data para sonhar!
Um FELIZ NATAL a todos vocês, meus queridos amigos de blogsfera!

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

SOBRE OS MAIAS E O FIM DO MUNDO

Os maias são provavelmente, a mais enigmática e menos conhecida das civilizações pré-colombianas.
Os traços mais antigos da civilização maia nos remetem ao 2.000 A.C., quando surgem os primeiros sinais do estabelecimento de um povo pré-maia na atual Guatemala.
Esse povo ocupou as atuais nações da Guatemala, Belize, Honduras e El Salvador, além de parte do México. Fundaram e desenvolveram diversas cidades-estado, seguindo todas uma espécie de “plano-piloto” padrão, que determinava a distribuição das construções centrais com base na localização dos astros e que foi estabelecido desde os primórdios desta civilização. 

Esta acrópole piramidal fica na antiga cidade maia de Chichén Itzá, no México.
Suas cidades eram dotadas de templos e acrópoles piramidais em degraus. As mais conhecidas são: Tikal, Palenque, Copán, Pedras Negras, Quiriguá, Naranjo, Cobá e Chichén Itzá. 
Com exceção das edificações centrais, as cidades se desenvolviam sem nenhuma regra, de forma aleatória.
Os maias praticavam esportes, sacrifícios humanos, e artes como escultura, entalhadura e pintura.
Sua economia era baseada na produção de tomate, milho, cacau, batata, algodão e frutas. Também criavam abelhas, caçavam e pescavam.

Este mapa mostra as principais cidades da civilização maia. (Clique p/ ampliar)

Como não cunhavam moedas, seu sistema monetário era na base de trocas. Conchas, pepitas de ouro, prata, jade, sementes de cacau e plumas coloridas eram usadas nas transações comerciais.
Havia disputas, conflitos e lutas entre as cidades. Os prisioneiros resultantes destas lutas eram escravizados, torturados e às vezes sacrificados.
A civilização maia entrou em declínio a partir do séc. IX D.C., quando suas povoações começaram a ser absorvidos pela expansão dos toltecas e astecas.
Entretanto, algumas de suas cidades-estado permaneceram povoadas até o século XV D.C., como Mayapan, que se tornou a capital dos maias em 1328.
Os remanescentes da civilização maia e se misturaram com os de outros povos e traços de sua cultura e idioma permanecem até hoje.
No século XV, os espanhóis conquistaram e saquearam as últimas cidades remanescentes dos maias e astecas.
Até o momento, ainda não foram determinadas as causas do declínio dos maias, que pode ter sido ocasionado pelo confronto com outros povos, esgotamento de recursos agrícolas, inundações, secas ou qualquer outro motivo.
Só em 1840 começaram a ser descobertos e estudados os restos desta civilização, que, segundo os historiadores, foi a única população alfabetizada das américas. Entretanto, sua linguagem escrita, composta de hieroglifos, somente começou a ser decifrada recentemente, com o auxílio da informática. 
Os religiosos que acompanhavam as expedições espanholas deram sua "contribuição", queimando e destruindo a maioria dos chamados códices maias, livros-chave que eram como almanaques e falavam sobre seus ritos, astrologia, astronomia e outros assuntos (traços de cultura pagã). Porém, alguns destes códices lograram sobreviver, como os existentes na Espanha e o que se encontra em Dresden, na Alemanha.

Detalhe do chamado "Dresden Codex"
(Clique p/ ampliar)

A precisão dos maias em registrar datas permite saber com exatidão quando foram fundadas algumas cidades e outros eventos marcantes de sua história.
Os maias possuíam dois calendários, um religioso (tzolkim) e o outro agrícola (haab).
O tzolkim tinha um ano de 260 dias, divididos em 13 meses de 20 dias e era baseado nas fases da Lua.
O haab tinha 365 dias (com base no Sol) divididos em 18 meses de 20 dias, mais cinco dias de festas.
A cada 52 anos, havia uma sincronização, baseada nos movimentos do planeta Venus.
A cada 3.172 anos, eram reiniciados os dois calendários, o que significava o início de uma nova era.

E a tal profecia sobre o fim do mundo?

Diz a Wikipédia:
A interpretação incorreta do calendário mesoamericano de contagem longa forma a base de uma crença do movimento Nova Era, de que um cataclisma aconteceria no dia 21 de dezembro de 2012.
Sandra Noble, diretora executiva da organização de pesquisa mesoamericana FAMSI, aponta que "para os antigos maias, era motivo de grande celebração chegar ao fim de um ciclo completo". Considera ainda, que a apresentação de dezembro de 2012 como um evento de fim de mundo ou mudança cósmica como "uma total invenção e uma chance para muita gente ganhar dinheiro".

Bem,  na minha opinião, parece que eles não foram capazes de prever sequer o seu próprio fim, o que me faz duvidar que fossem capazes de estabelecer que o mundo terminará no mês que vem...
A tal “data fatídica” corresponde apenas ao fim de uma era, quando se inicia um novo ciclo e se volta ao início dos calendários lunar e solar...
Mas, se estão mesmo interessados no fim do nosso planeta, fiquem de olho no céu...

O asteroide tarda, mas não falha!

terça-feira, 13 de novembro de 2012

CADA VEZ PIOR...

No meu post mais lido, “Um trem nada bão, uai!”, eu cito a única linha ferroviária de passageiros existente no Brasil, o percurso Belo Horizonte-Vitória.
O jornal televisivo BOM DIA BRASIL, da TV Globo, está publicando uma série de reportagens sobre as mazelas do transporte ferroviário no Brasil.

Além de EUA, China e Rússia, o Canadá também supera largamente o Brasil em extensão de ferrovias.

Uma dessas reportagens fala sobre o incrível desperdício de investimentos, que acabaram virando sucata:


A reportagem de hoje (veja o vídeo aqui) fala das tristes condições em que se encontra a única linha ferroviária de passageiros, onde o descaso e a falta de modernização deixaram a decadência se abater sobre a outrora charmosa ferrovia Belo Horizonte-Vitória. Apesar dos vagões confortáveis e da boa comida servida nos vagões-restaurantes, o percurso de 664 km é percorrido em aproximadamente 13 horas, numa velocidade média de pouco mais de 50 km/h. A viagem neste trem é apenas uma curiosidade nostálgica.
Como eu citei no post, o Brasil é o único país de dimensões territoriais consideráveis que não tem uma malha ferroviária à altura.
China, EUA e Rússia, além do Canadá (não citado naquele post, extensão territorial: 9.984.670 km2- 48.068 km de ferrovias - dados de 2006), todos superam o Brasil por larga margem.
Será que somos os únicos certos?

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

LIVRO: O RIO DA DÚVIDA

Depois de muitas interrupções, acabei finalmente a leitura de um excelente livro: O RIO DA DÚVIDA, da escritora Candice Millard, na edição brasileira (Cia. Das Letras) traduzida por José Geraldo Couto.
O livro trata de um assunto que eu conhecia vagamente, mas sobre o qual tinha certa dificuldade em conseguir mais informações: uma expedição empreendida no início do século passado, envolvendo o nosso lendário Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon e o ex-presidente americano Theodore (Teddy) Roosevelt. 

Candice Millard é escritora e jornalista, e já foi editora da revista National Geographic. O Rio da Dúvida foi seu primeiro best-seller. Destiny of the Republic, sobre o presidente americano Garfield, foi outra obra de sucesso.
 
De janeiro a abril de 1914, um grupo heterogêneo de brasileiros e americanos que partira de Tapirapuã, uma aldeia no Mato Grosso, desceu em canoas por um rio desconhecido, buscando sua foz.
O objetivo era mapear o curso do misterioso rio, chamado até então Rio da Dúvida, e depois rebatizado Rio Roosevelt, em homenagem ao ilustre convidado. 
Rondon e outros exploradores presumiam que este seria mais um longo afluente do Amazonas (na realidade, ele se une ao Rio Madeira, um dos principais afluentes do Amazonas, sendo considerado seu afluente) . Naquele longínquo 1914, há quase cem anos, a única forma de mapear um rio era descer por ele, documentando o seu curso a medida que se progredia, nas suas águas ou nas suas margens. É claro que era preferível descer o rio de carona na sua correnteza, placidamente sentado em uma canoa...
Mas, o inexplorado Rio da Dúvida reservava surpresas nada agradáveis ao longo de seu leito, tanto nas suas águas como nas suas margens.
Suas águas não se mantinham plácidas por muito tempo e logo se precipitavam em incontáveis corredeiras, algumas impraticáveis para as pesadas pirogas usadas pela expedição, que neste caso, tinham que ser arrastadas por terra.
O território em torno das margens do rio, além de ser escasso em animais que servissem de caça, ainda contava com a presença dissimulada mas ameaçadora dos hostis índios cinta-larga, com suas flechas envenenadas e bordunas.
(A escassez de animais relatada talvez se devesse aos ruídos da numerosa massa de homens em deslocamento com seus equipamentos e provisões, agindo como um verdadeiro espantalho para a fauna nativa.)
Roosevelt, apaixonado por aventuras gloriosas, na ocasião já estava com mais de 54 anos, levava junto consigo seu filho Kermit e uma pequena comitiva de convidados americanos, alguns dos quais foram gradativamente se retirando, a medida que a jornada endurecia...
A jovem escritora fez um bom trabalho, e relata de forma isenta o relacionamento às vezes tenso, mas sempre respeitoso entre o então coronel Rondon e o ex-presidente americano.
As formas de ver de ambos os líderes eram bem diferentes: para Roosevelt, naquelas condições, assassinatos deviam ser punidos imediatamente com a morte e ataques de índios rechaçados a tiros, enquanto que Rondon mantinha-se fiel às leis brasileiras e à sua célebre divisa no trato com as populações indígenas: “Morrer, se preciso...Matar, nunca!” 

O fim da dúvida: Roosevelt e o nosso herói Rondon posam ao lado da placa que oficializou o novo nome Rio Roosevelt, em homenagem ao ex-presidente americano, que quase pereceu durante a jornada.

O oficial brasileiro, ele próprio descendente de índios, não hesitava em por em risco a vida de seus comandados e até mesmo a sua, para evitar qualquer violência contra os silvícolas, por mais ferozes que fossem.
Além disso, Rondom estendia ao longo do seu caminho cabos telegráficos e colocava marcos de referência, atividade que, para Roosevelt, atrasava a marcha da expedição. O que para o americano era um safári recreativo, para o brasileiro era mais uma missão na sua perigosa rotina de explorador.
Mas, a selva brasileira era mais traiçoeira do que poderia imaginar o ferrenho Roosevelt. Cobrou seu preço em vidas de soldados, e o ex-presidente, que já tinha problemas físicos em uma das pernas, viu-se incapaz de prosseguir por seus próprios meios. Não querendo se tornar um fardo, chegou a planejar a própria morte, só não cometendo o suicídio por intervenções de Rondon e de seu filho Kermit.
Alguns anos mais tarde, Theodore Roosevelt faleceria, em parte por consequências das sequelas sofridas nesta épica jornada pelas selvas brasileiras.
Ironicamente, os cabos telegráficos colocados durante a expedição logo se tornariam obsoletos, com a introdução do telégrafo sem fio.
Obviamente, a autora se concentra mais no drama sofrido por Roosevelt, mas não deixa de destacar a personalidade marcante do nosso super-herói Rondon.
Um excelente livro, onde se tem as sensações e aflições de estar realmente no interior da floresta e balançando nas rasas canoas, descendo aquele que um dia foi chamado o Rio da Dúvida, tal era o mistério que o cercava.
Se puderem, leiam! Melhor que muito filme!
Aliás, como Hollywood ainda não descobriu essa excelente história real?

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

PIZZA OU MARTELO?


Está feito!
Os réus do mensalão foram julgados pelo STF, e dos 38 acusados, 25 foram condenados (alguns por mais de um crime), e agora cabe aos juízes atribuir as penas.
Este julgamento vai mesmo mudar o Brasil?
Será que depois disto, os políticos e os governantes vão pensar melhor antes de se aventurar em falcatruas semelhantes?
Para mim, tudo vai depender do que vai acontecer com os condenados a partir de agora...
A nossa suprema corte estabeleceu, com base em provas irrefutáveis, que o mensalão não foi “uma obra de ficção inventada pela oposição” (como afirmava o ex-presidente), mas um esquema que envolveu uma série de delitos cometidos em cadeia, usando indevidamente dinheiro público para subornar a oposição, tornando-a favorável aos projetos do governo.

As ratazanas levaram um susto...Muitos nunca pensaram ser sequer julgados...

E o objetivo era o mais antidemocrático possível: a manutenção continuada do poder por uma mesma facção política. Em outras palavras, “uma ditadura branca” com o aval dos eleitores, prática que está se tornando comum na América Latina.
Felizmente, no Brasil houve a reação e as denúncias veiculadas pela imprensa acharam eco em autoridades responsáveis que não se omitiram.
Podem dizer que a iniciativa de investigar foi movida por motivos político-partidários (apesar de envolver réus de diversos partidos), mas as conclusões finais mostraram que havia fundamento, fossem quais fossem as motivações iniciais!
Mas, agora, serão estabelecidas as penas, de forma individual.
Dentro dos critérios da benevolente justiça brasileira, os que forem sentenciados a menos de 4 anos cumprirão penas alternativas em liberdade...
Se a pena for maior que 4 anos e menor do que 8, o detento terá apenas que dormir no xadrez, ficando livre durante o dia...
Somente recebendo pena superior a 8 anos será trancafiado na cadeia...
E existem diversos critérios para o estabelecimento de penas. Ao que parece, a tendência será adotar os menos rígidos.
Mesmo assim, a soma das penas de alguns dos réus deverá sem dúvida ultrapassar os 8 anos.
Porém (sempre tem um porém), os condenados ainda terão direito a recorrer contra as sentenças, e o STF terá que julgar estes recursos, antes de poder mandar encarcerar os réus!
Apesar de condenados, coloca-los de fato no xadrez é difícil...

Assim, ainda vai levar algum tempo até vermos alguns destes ratos segurando as barras de ferro de uma cela...
Só a partir deste possível evento é que poderemos dizer, sem medo de errar, que a coisa não acabou em pizza!
Em conjunto com a Lei da Ficha Limpa, o efeito deste julgamento pode ser melhor do que as expectativas...
Mas, como estamos num surreal patropi, é melhor aguardar o final da novela, para saber se, desta vez, o pizzaiolo vai ficar a ver navios...

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

SANTA BÁRBARA! SÃO JERÔNIMO!


Quando entrei para a escola, aprendi na disciplina ESTUDOS SOCIAIS E NATURAIS que Porto Alegre, sendo no Rio Grande do Sul, ficava numa zona climática de “clima temperado”.
E a classificação terminava por aí, pelo menos para mim. Entretanto, as descrições deste perfil pareciam bem defasadas durante os escaldantes verões porto-alegrenses. Nessas ocasiões, o calor sufocante demais para a latitude e os violentíssimos temporais com extraordinária atividade elétrica, ventos arrasadores e chuva torrencial, onde o granizo era frequente, lembravam mais o perfil de uma região tropical, pelas descrições que constavam nos mesmos livros-textos.

Esta foto, roubada descaradamente do blog da minha querida amiga Sandra (Link aqui), mostra a formação de um temporal sobre Porto Alegre, em 25-fev-2011, ao final da tarde. Pode-se ver parte da iluminação pública já ligada pela escuridão prematura. 
(Foto da autora do blog. )

Hoje, além desta classificação, que tem mais a ver com as latitudes, existem subdivisões mais adequadas ao nosso país, que colocam aquela região como uma área de clima subtropical, no meu entender mais compatível com as suas características reais.
Mas, naquela distante década de 1950, minha família morava em uma casinha de madeira situada numa pequena elevação, numa esquina meio desprotegida do vento, e meu pai cercara o quintal com cinamomos, eu pensava que fosse para amenizar o vento e dar sombra no verão, mas a verdadeira razão disto eu achei  ter descoberto quando vim morar no Rio, onde essas árvores são popularmente conhecidas como “para-raios”.
Meu pai tinha um verdadeiro terror de tempestades, e havia ocasiões em que, aos sinais do início de um temporal, pegava toda a família e saia de casa, íamos para qualquer lugar da cidade, sob um marquise ou outro local coberto, e só voltávamos depois da bonança. Ele receava que a velha casa de madeira desabasse sobre a gente, por força dos ventos ou atingida por algum raio. Bem, ela nunca desabou, a não ser quando foi derrubada anos mais tarde, para a construção de uma casa comercial.

 Os efeitos de um temporal de verão, nas ruas da zona sul de Porto Alegre. (foto do blog da Sandra).

Mas, o temor dos elementos parecia se transmitir para a maioria da família, exceto para mim, que desde pequeno, assistia ao costumeiro ritual “pré-temporal”: espelhos cobertos com panos e toalhas, talheres de aço ou lâminas em geral no fundo das gavetas, orações ressoando e janelas fechadas, tanto os vidros como as venezianas. Tudo para evitar atrair raios!
Lá fora, mesmo que anda fossem 16:00 hs, a escuridão tomava conta de tudo, antecipando o anoitecer...
E, a cada rimbombar, ouvia-se os murmúrios abafados pela casa: - “Santa Bárbara! São Jerônimo!”
Eu ignorava o que tais santidades tinham a ver com as descargas atmosféricas, mas ficava assistindo a tudo sem questionar, já que não tinha argumentos para tirar conclusões próprias.
Mas, quando começava o clarão dos raios, geralmente em meio a cascatas de água, eu sempre me esgueirava para uma janela em algum canto e dava um jeito de abrir uma fresta, para assistir à maravilha dos relâmpagos, iluminando o céu e a escuridão que se formara. Assim, eu me assustava menos com os estrondos que os seguiam, nos pontos de descarga dos raios, às vezes bem próximos da casa. Ficava ali, hipnotizado pela beleza da força da natureza...
Até sentir uma forte pegada e um puxão no braço: - “ Sai daí! Fecha essa janela, guri!”- Uma de minhas irmãs ralhava comigo...
E me privava daquele espetáculo maravilhoso, que eu adorava, inconsciente da noção de qualquer perigo.
Depois, quando tudo passava, às vezes o céu clareava porque ainda havia sol, e eu saía para ver a limpeza que a chuva deixava no quintal, com aqueles veios cheios de uma areia fina que vinha não sei de onde.
As formigas começavam seus trabalhos de reconstrução e as plantas pareciam sorrir, enfeitadas pelos colares feitos de pingos.

Nota:
Segundo o site UOL EDUCAÇÃO:
“Não existe uma única classificação para os climas. A classificação mais utilizada para os tipos de clima do Brasil é baseada no geógrafo Arthur Strahler, que considera a circulação das massas de ar como o fator mais importante para a caracterização climática.
A classificação de Arthur Strahler, adaptada ao Brasil, reconhece cinco regiões climáticas, definidas pela atuação de massas de ar equatorial, tropical e polar.
Basicamente, pode-se dizer que o Brasil tem seis domínios climáticos:
equatorial; tropical; tropical semi-árido; litorâneo; subtropical e tropical de altitude.”

Entretanto, o IBGE, um órgão oficial, apresenta um mapa que divide nosso país em climas zonais: Equatorial; Tropical Zona Equatorial; Tropical Nordeste Oriental; Tropical Brasil Central e Temperado.
E nesta divisão, o Rio Grande do Sul permanece no clima “Temperado”!
Podem conferir em:

E aí, que tal chegarem a um acordo?
Os temporais continuam a cair com toda a fúria na capital gaúcha, como provavelmente veremos neste próximo verão...

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

FILME: CONTRA O TEMPO


Infelizmente, uma coisa começar bem não é uma garantia de que vai terminar bem.
No caso do filme CONTRA O TEMPO (Source Code – 2011 - EUA/FRA – 93 min. - Cor), o estreante roteirista Ben Ripley foi apenas mais um a cair na armadilha de tentar "consertar" as coisas com aquela mesmice tão peculiar aos seus colegas de profissão, e acabou perdendo o fio da meada. 
E assim, transformou o que poderia ser um novo cult em apenas mais um filme de ficção-científica, que vai muito bem por três quartos do tempo, se confundindo no final.
Acaba valendo pela proposta e pela boa direção de Duncan Jones, de Lunar (Moon - ING -2009). Trata-se do filho do roqueiro inglês David Bowie, e parece estar criando boa reputação no gênero. Eu ainda acho que vale a pena assistir, pelo seu conteúdo e proposta,  apesar da perda de rumo final. 


Colter Stevens (Jake Gyllenhaal), piloto militar americano, servindo no Afeganistão, de repente se vê como que despertando em um trem, nos EUA, viajando em companhia da jovem Christina Warren (Michelle Monaghan) que ele não conhece, mas que parece conhece-lo muito bem. 
Só que ela o chama por outro nome e ele acaba descobrindo que, aparentemente, está no corpo de outra pessoa!

Colter (Jake Gyllenhaal) e Christina (Michelle Monaghan): como eu vim parar aqui?

Este início chocante e enigmático é apenas o aperitivo do que está por vir: dali a pouco, o trem inteiro explode e ele “desperta” novamente, agora para descobrir que é parte de um inusitado experimento militar americano.
Através dos contatos com a capitão Goodwin (Vera Farmiga), sua supervisora, ele é informado que estão sob a direção do Dr. Rutledge (Jeffrey Wright), tentando evitar uma sequência de atentados terroristas.
Um trem foi explodido em Chicago, e o mesmo autor do atentado parece disposto a continuar atacando, com intensidade cada vez maior.

Goodwin (Vera Farmiga) e o Dr. Rutledge (Jeffrey Wright) coordenam uma missão inusitada.

Mas, uma tecnologia inédita possibilita que sejam recuperados os últimos 8 minutos de memória do cérebro de uma das vítimas mortas na explosão. E além disto, permite que outra pessoa possa reviver aqueles oito minutos no lugar do morto, e o mais interessante, interagir com o código-fonte dos eventos, e criar alternativas para tentar descobrir o autor do atentado, a tempo de impedi-lo de continuar sua escalada terrorista.

Colter descobre cada vez mais motivos para se preocupar...

Desta, forma, Stevens pode reviver os últimos minutos de uma das vítimas, o professor Sean Fentress (Fréderik De Grandpré),   usar e abusar dos acontecimentos e dispor do cenário e das pessoas em torno, explorando todas as possibilidades e alternativas. Porém, as variantes ocorrem apenas naquele ambiente, pois os eventos já ocorridos não podem ser revertidos. E nisto está a coerência necessária para tornar sustentável a estrutura do filme.
No decorrer das tentativas, Colter começa também a ficar intrigado com sua própria sorte e destino. Suas últimas lembranças datam de dois meses antes e ele se divide entre descobrir o autor do atentado e o que aconteceu consigo mesmo neste lapso de tempo.
Logo, as coisas começam a se esclarecer e ele acaba tendo outros motivos para se preocupar...
Como eu falei no início, este poderia ser um dos raros casos de roteiro que não perde o fio da meada, porém, na sequência final, a tentação de fazer "final feliz" prejudicou a coerência, e a premissa principal foi perdida...
A mesmice obsessiva de querer modificar coisas que já ocorreram contaminou o que seria uma excelente história.
De qualquer forma, eu acho que a abordagem deve agradar aos fãs de SCI-FI, mas sem dúvida as incoerências serão notadas. Minha opinião é de que vale apena assistir, mas não espere o grande filme sugerido pelo início.
Quem sabe, daqui a pouco surja uma "versão do diretor", como aquela que foi feita para BLADE RUNNER...
Pelo menos assim poderiam realmente consertar os erros cometidos no passado! (Mas sem muda-lo!)
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O filme foi exibido nos cinemas em setembro de 2011, está disponível em DVD nas revendedoras e locadoras, e esteve recentemente sendo exibido pelo canal a cabo Telecine Premium. 

Obs: Não confundir com:
Contra o Tempo (Slipstream - EUA - 2006)
Contra o Tempo (Cradle 2: The Grave - EUA -2003)
Pelo visto, não há nenhum critério (ou se há, não é obedecido) na escolha de títulos para obras estrangeiras no Brasil.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

SAIA JUSTA

Falar de política, para mim, é uma coisa desagradável, principalmente quando se trata da política brasileira.
Uma das coisas que mais disvirtua a política atual é o fisiologismo, o famoso “toma lá dá cá”, cada vez mais desavergonhado que faz os candidatos aceitarem apoio até do capeta, se isso significar alguns votos a mais.
Assim, vemos parcerias inusitadas de antigos desafetos, que agora se abraçam sorridentes diantes das cameras, e pedem votos para quem antes os acusou.
E os candidatos aceitam apoio de elementos anteriormente acusados por eles próprios de serem malfeitores.
Se eu aceito o apoio de quem eu declarei bandido, afinal o que sou eu?


Mas, as eleições municipais estão aí, e é inevitável que sejamos obrigados a comparecer a alguma seção eleitoral, para não sermos objeto de alguma sanção, já que, nesta “democracia”, deixar de votar não é uma opção!
E, casualmente, me interessei por ver uma série de entrevistas que estão sendo feitas ao vivo, pelo telejornal RJTV, da Rede Globo de Televisão, com os candidatos à prefeitura do Rio, cidade onde eu moro há mais de 30 anos.
E, nesse caso, o entrevistado foi justamente o atual prefeito, que lidera as pesquisas para a reeleição. Ele é apoiado pelo atual governador do RJ e também por um ex-presidente, que ele mesmo denunciou quando era deputado.
Colocando questões objetivas, os repórteres Ana Paula Araújo e Edmilson Ávila deixaram o candidato em uma verdadeira saia justa, um corredor polonês, durante doze minutos que devem ter custado bastante a passar para ele.
E vejam bem: eu não estou dizendo que este seja o pior candidato, mas pelo fato de ter tido um mandato para ser conferido e criticado, teve o ônus de ter que responder por suas promessas e declarações anteriores.
Dos outros candidatos, nem se imagina o que pode vir, pois alguns também tem parcerias e recebem apoio de “figurinhas carimbadas” da política regional e nacional...
Se quiserem, vale a pena conferir em:


(recomendo que assista ao vídeo)
E, a cada dia, um novo candidato está nessa "malha fina"! Hoje teve outro!
 
Quanto a mim, ainda não sei em quem votar para prefeito...

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

FILME: O VOO DA FÊNIX - 2004

Refilmagem do filme de 1965, baseado na mesma história do livro de Elleston Trevor.

O VOO DA FÊNIX (Flight of the Phoenix – EUA – 2004 – 113 min. - Cor)
A direção coube ao irlandês John Moore (Atrás das Linhas Inimigas – 2001).
A história foi mantida praticamente a mesma, com algumas adaptações que não alteram o enredo.
Um velho avião militar operado por particulares tem a missão de resgatar operários e equipamentos de um poço de petróleo deficitário pertencente a uma multinacional, no deserto de Gobi, e traze-los até Pequim. Porém, são apanhados por uma tempestade de areia e acabam fazendo um pouso forçado, ficando isolados fisicamente e sem comunicações, no meio do deserto.
Com poucas chances de serem resgatados ou de alcançarem algum local civilizado por terra, discutem o que fazer.
O engenheiro aeronáutico Elliot (Giovani Ribisi) luta contra a oposição do comandante para liderar os sobreviventes numa insólita empreitada.
O comandante da aeronave Frank Towns (Dennis Quaid) e seu mecânico A.J. (Tyrese Gibson) acham que devem aguardar junto ao avião para serem localizados por aeronaves de busca, mas são contestados pelos sobreviventes, entre eles a operária Kelly Johanson (Miranda Otto) e o engenheiro aeronáutico Elliot (Giovani Ribisi).
Elliot sugere que podem aproveitar partes do avião para construir uma aeronave menor e decolar com todos os sobreviventes, enfrentando grande oposição do comandante.
Alguns querem se aventurar pelo deserto, e a presença de uma caravana de bandoleiros ameaça mais ainda sua situação.
Afinal, a ideia de Elliot prevalece, e eles começam a montar o “novo” avião, batizado Phoenix, nome de uma mitológica ave egípcia que se ergue das próprias cinzas para voar novamente.
Para complicar mais as coisas, os tripulantes acabam por descobrir que Elliot é na verdade designer de...aeromodelos!
Pouca coisa muda em relação à história original: a locação que era no deserto do Sahara, passa para o deserto de Gobi, e nesta versão, existe uma presença feminina, já que a original era um “clube do bolinha”, onde a única mulher aparecia nos devaneios de bêbado de um dos sobreviventes.
Tempestades de areia dificultam ainda mais o trabalho dos operários improvisados.
Para os aficcionados da aviação, a diferença é o avião, que, em lugar do Fairchild C-82 do filme original, agora é um Fairchild C-119, com bastante semelhanças no leiaute. Técnicamente, porém, seria bem mais difícil fazer a adaptação com este tipo, devido à configuração de suas asas.
Acredito que os cultores do filme original não se decepcionaram com esta refilmagem, que mantém os bons ingredientes e a suspense da trama original. Disponível em DVD nas locadoras.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

ALAN FONTELES, O "BLADE" BRAZUCA

Eu já escrevi bastante sobre Oscar Pistorius, o "Blade Runner", fantástico corredor sul-africano amputado de ambas as pernas, o único nestas condições a disputar uma olimpíada com corredores sem deficiências.
Nas olimpíadas de Londres, ele fez parte da equipe de revezamento 4X400 do seu país, disputou a prova final, ficando em penúltimo, porém alcançando a melhor marca da África do Sul em todos os tempos, nesta modalidade.
Mas, agora nas Paralimpíadas, também em Londres, ele foi surpreendido pelo desempenho igualmente fantástico do brasileiro Alan Fonteles nos últimos cem metros da final dos 200 m, classe T44 (bi-amputados) sendo ultrapassado a poucos passos da chegada.
O brasileiro, com o tempo de 21,45 segs. (novo recorde mundial), conquistou a sétima medalha de ouro para o Brasil na competição, deixando a prata para o "Blade Runner", que completou em 21,52 segs.!

Alan Fonteles (e) comemora após a eletrizante chegada, quando ultrapassou Pistorius (d) nos últimos passos antes da linha.
(Foto: GloboEsporte)
O sul-africano sentiu o golpe e chegou a protestar contra a natureza das próteses usadas pelo brasileiro (do mesmo fabricante e modelo que as dele), alegando que as mesmas aumentavam a passada do concorrente (na realidade, Fonteles deu mais passadas do que ele, que tem passos mais largos).
Mas, depois, retirou o protesto e pediu desculpas pelo twitter, aceitando a vitória do corredor brasileiro numa prova onde ele era o favorito.
O "Blade" brazuca, com apenas 20 anos, abre as asas e a bandeira.
(Foto: Adrian Dennis - AFP)

Entretanto, segundo Fonteles, o desapontamento do sul-africano ficou muito visível no pódio onde foram recebidas as medalhas, e ele tem sido de poucas palavras nos contatos com o brasileiro, seu fã confesso.
Sobre o fenômeno Alan Fonteles, extrai este texto do site da revista INFO:
"Nascido no Pará, o jovem Alan sofreu uma biamputação abaixo dos joelhos quando tinha apenas 21 dias de vida, devido a uma infecção intestinal que se alastrou pela corrente sanguínea.  Mas a amputação nunca lhe foi um empecilho. Com próteses mecânicas aprendeu a andar e a correr.
Alan corre sobre pernas de fibra de carbono Cheetah que pesam 512 gramas cada e suportam até 147 quilos. “As próteses convencionais machucavam e não me permitiam melhorar o rendimento. Dei um salto no desempenho com a Cheetah”, diz Alan. “Quando estou na pista de atletismo, tenho um retorno de energia muito grande, o que me permite correr em alta performance.”  O modelo que o garoto pobre do Pará ganhou de presente e que mudou sua vida custa hoje cerca de 30 mil reais. Ele tem quatro pares. Fora das pistas, Alan usa próteses convencionais.
O atleta foi um dos personagens da reportagem da INFO “A geração Ciborgue”, escrita pelo jornalista Thiago Tanji.  A matéria mostra como a união entre engenharia e medicina na criação de próteses comandadas por chip, sensores e software podem devolver os movimentos a pernas, cotovelos, pés e mãos e substituir com perfeição até os ouvidos."
No link abaixo, você pode conferir a extensa reportagem de Thiago Tanji, publicada na revista INFO em 25/06/2012, falando sobre as próteses high-tech:
Ao site GloboEsporte.com, o brasileiro declarou que ainda não está nos seus planos seguir os passos de Pistorius e disputar uma olimpíada:
- Primeiro, quero fazer mais história ainda em Londres. Tenho as provas dos 100m, 400m e 4 x 100m. Quero fazer história também em 2016, na minha casa, com todos os brasileiros. Aí então vamos pensar.
Antes disso, o brasileiro volta a encontrar Pistorius em mais três oportunidades em Londres. Os dois também dividirão as raias do Estádio Olímpico nos 100m e 400m T44 e no revezamento 4x100m T42/T46.
Parabéns para Alan Fonteles, o nosso "Blade" brazuca!

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

FILME: O VOO DA FÊNIX (1965)

Antigamente, ainda não dispunhamos das fantásticas técnicas atuais da computação gráfica e nem dos sofisticados efeitos especiais dos anos 80. 
Assim, às vezes o que assistíamos em filmes era algo que fora executado na verdade, com alguns pequenos retoques.
O VOO DA FÊNIX (The Flight Of The Phoenix – EUA - 1965 – 142 min.- cor) me emocionou mais quando eu soube o que aconteceu na sua produção.
A história começa de forma banal: pouco tempo após a II Guerra Mundial, um velho avião cargueiro excedente das forças armadas, operado por ex-pilotos militares, voa a serviço de uma empresa de exploração de petróleo, e sua função é trazer para Benghazi uma equipe de funcionários de um dos poços desativado pela companhia, no deserto da Líbia, além de dois militares britânicos.

Towns (James Stewart) e Moran (Richard Attenborough) encaram uma tempestade de areia sobre o deserto da Líbia.

Mas, naqueles tempos, antes dos satélites meteorológicos e dos GPS, eles acabam se deparando com uma tempestade de areia e se acidentam, fazendo um pouso forçado no meio do deserto, com o rádio inoperante e sem saberem sequer sua localização exata.
Não parece haver perspectivas de um resgate antes que suas provisões e reservas de água se acabem, e a situação se mostra desesperadora.
E, como não poderia deixar de ser, começam os choques pessoais entre os sobreviventes, cada qual querendo achar sua própria solução.
O dominador comandante do avião, Frank Towns(James Stewart) desprovido do seu aparelho, vê balançar também a sua liderança, apoiado apenas pelo seu navegador Lew Moran (Richard Attenborough).
O oficial britânico Cap. Harris (Peter Finch) pensa utilizar suas habilidades de infantaria para se aventurar a pé, tentando buscar socorro, apesar do pouco entusiasmo do seu subordinado, o descrente sargento Watson (Robert Frasier).
Mas, uma proposta inusitada acaba partindo do jovem engenheiro aeronáutico alemão Heinrich Dorfmann (Hardy Krüger): utilizando partes da avião acidentado, montar uma aeronave menor, com um dos motores apenas, mas capaz de decolar do deserto levando todos os sobreviventes.

O jovem engenheiro alemão Dorfmann (Hardy Krüger) apresenta uma proposta no mínimo arriscada: haveria chance?

À princípio, os pilotos acham absurda sua ideia, mas alguns dos outros vêm isto como uma nova esperança, talvez sua única chance de salvação.
Rapidamente, estabelecem um cronograma de trabalho e começam a tarefa de criar um novo avião, e o batizam PHOENIX (Fênix), em homenagem ao mitológico pássaro egípcio, que renascia das cinzas do seu próprio ninho.
Mas, levar a cabo uma tarefa assim inédita nas condições climáticas de um deserto e com o escasso equipamento de apoio trazido do poço não seria nada fácil.
E logo, eles também descobrem que ficar sozinhos no deserto não é o pior, se a alternativa for encarar as tribos nômades de bandoleiros que vagam pela região em caravanas...
Mas, a produção do filme teve uma história a parte: o PHOENIX foi realmente montado e...voou de verdade!
Nada menos de três aeronaves Fairchild C-82 Packet foram utilizadas nas cenas em voo e em terra, em diversas tomadas.
O C-82 era um grande avião bimotor, onde longas naceles (extensões posteriores das coberturas dos motores) se prolongavam dos motores até a superfície do estabilizador horizontal, na cauda, dotada de leme duplo.

O aspecto de um C-82 semelhante ao do filme.

O truque foi construir uma fuselagem semelhante a uma destas naceles do C-82, montar nelas as asas de um pequeno bimotor Beechcraft C-45 e um motor Pratt-Whitney R-1340, retirado de um monomotor North American T-6 Texan, com uma cabine aberta sobre a nacele, e uma cauda semelhante à parte do avião original.
E funcionou! O aparelho foi batizado Phoenix P-1 e homologado para o voo experimental.
O piloto (e construtor) foi o lendário Paul Mantz, famoso dublador de cenas aéreas e consultor de voos da aviadora americana pioneira Amelia Earhart (veja link aqui).
Bobby Rose, dublê de Hollywood, o acompanhou na mesma cabine aberta.
Infelizmente, no seu primeiro e último voo, após uma série de pousos com toques-e-arremetidas para assimilação das características do aparelho, o Phoenix sofreu uma falha estrutural, com consequente ruptura, e Mantz veio a falecer em consequência do acidente, ficando Rose seriamente ferido.


O Phoenix P-1 em seu único voo. Como seria inviável decolar apenas com os esquis, como no filme, foram colocadas rodas sob eles.

As cenas subsequentes de voo utilizaram uma outra aeronave, um North American O-47, modificado para representar o Phoenix.
Mas, no finalzinho do filme, foi aproveitada uma cena onde aparece o Phoenix original, em seu único voo.
No final dos créditos, aparece uma frase de homenagem a Paul Mantz: “Lembramos que Paul Mantz, bom homem e brilhante piloto, deu sua vida na feitura deste filme”.
A direção e produção foi de Robert Aldrich, e a história foi baseada no livro homônimo de Elleston Trevor.
Recebeu indicações para o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Edição.
A linda canção italiana Senza Fine, sucesso na época na Itália e no Brasil, aparece em uma dramática cena, cantanda por Connie Francis, no radinho transistor de um sobrevivente, vivido pelo ator italiano Gabrielle Tinti.
Curiosamente, o protagonista James Stewart foi realmente instrutor de voo durante a II Guerra Mundial.

Disponível nas boas locadoras, em novas cópias.
Para saudosistas e entusiastas da aviação e de filmes de superação.

Atenção, amigos: esta postagem corresponde a outra da minha querida amiga Suzane Weck, que interpreta a canção do filme, como costuma fazer no seu interessante e nostálgico blog. E, além de me homenagear com esta linda música, ela abre também uma corrente de pensamento positivo para me fortalecer nos momentos difíceis que tenho passado...
Convido-os a visitarem o blog desta amiga, no link abaixo:

http://suzeweck.blogspot.com.br/2012/08/senza-fine.html

Obrigado!