FRASE:

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"Se deres um peixe a um homem, vais alimenta-lo por um dia; se o ensinares a pescar, vais alimenta-lo a vida toda."

(Lao-Tsé, filósofo chinês do séc. IV a.c.)

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sábado, 15 de março de 2014

HISTÓRIA: A BATALHA DO RIO DA PRATA - II

Muita controvérsia foi gerada pela atitude do comandante Langsdorff, se retirando do combate.
Por que agora, que tinha tudo para concentrar seu fogo no Ajax ou no Achilles, que também fora danificado com menos seriedade, ele escolheu se retirar do combate ?
Todos os seus canhões principais estavam intactos e suas máquinas estavam funcionando, apesar de danos no separador de óleo do motor principal. Os danos maiores foram nas cozinhas, alojamentos e depósitos de mantimentos do navio, e em uma das torres secundárias de 5.9 polegadas, além de alguns furos de granadas acima da linha d’água e um rombo de 2 metros de diâmetro na proa, o que limitaria sua velocidade no mar do norte. 36 homens estavam mortos.
Consta que Langsdorff se preocupava com o consumo de munição, pois só restavam 40% de granadas de 11” e 50% da munição de 5.9”, e acreditava que não poderia enfrentar o mar do norte no inverno, devido aos danos na proa do navio.
Além disso, ele sem dúvida sabia que para chegar a Alemanha, teria que encarar uma longa jornada e enfrentar não mais apenas dois cruzadores, mas uma esquadra de navios britânicos que deviam estar rumando a todo vapor para o Estuário do Prata!
Durante o restante do percurso, o Spee algumas vezes voltou-se e disparou contra os cruzadores ingleses, quando estes se aproximaram demais, não logrando porém atingi-los novamente.
Assim, chegou ao porto de Montevidéo, enquanto os cruzadores se postaram na entrada do estuário.
O que se seguiu foi uma batalha de gestões diplomáticas. Os representantes ingleses, a princípio, tentaram fazer com que o governo uruguaio forçasse o Spee a sair do porto no prazo máximo previsto de 72 horas, mas depois foram informados por Harwood que os cruzadores ingleses também se encontravam avariados e tinham gasto mais de metade da munição, podendo ser batidos em um novo combate. O alemão também poderia tentar sair à noite e iludir os cruzadores, escapando para o alto mar.
Assim, os ingleses espalharam diversos boatos de que mais navios de guerra teriam chegado na saída do porto, entre eles o porta-aviões Ark Royal e o cruzador de batalha Renown (8 canhões de 15”). Na realidade, o único reforço que chegou, e somente no dia 16, foi o Cumberland, oriundo das Ilhas Falklands.
Em outro artifício para retardar a saída do Spee, os ingleses fizeram zarpar do porto o cargueiro Ashworth. Segundo as leis internacionais, o Spee não poderia ser liberado antes de 48 horas depois, para evitar que pudesse alcançar e afundar o navio mercante.
Finalmente, no dia 16, após consultar o comando alemão, Langsdorff levou o navio até a saída do porto, acompanhado pelo cargueiro alemão Tacoma. As máquinas pararam. Cargas de destruição foram colocadas em diversos pontos do navio.
Os poucos tripulantes a bordo foram evacuados nas lanchas do Spee para o Tacoma, que se afastou, enquanto o encouraçado era sacudido por violentas explosões.
Totalmente em chamas, o navio afundou em águas rasas, deixando visíveis fora d’água as partes superiores da sua superestrutura.
 Fim da ameaça! O Graf Spee queima diante de Montevidéo, depois de ser dinamitado pelos alemães.


Langsdorff e os outros tripulantes foram conduzidos até Buenos Aires, onde o governo argentino era simpatizante do governo alemão. Três dias depois, Langsdorff envolveu-se em uma bandeira da Marinha da Alemanha Imperial e suicidou-se com um tiro, no seu quarto de hotel.
Os outros tripulantes do Graf Spee foram mais tarde repatriados pelo governo argentino.
O Atlântico Sul estava livre da ameaça, e o mito do encouraçado-de-bolso estava desfeito. Se por um lado esta classe de navios fora bem sucedida como corsário enquanto furtivo, revelou-se incapaz de enfrentar um trio (que se reduziu a uma dupla) de navios mais rápidos, embora com poder de fogo e blindagem bastante inferiores.


Hans Langsdorff: elogiado pela nobreza no trato com os prisioneiros, assumiu toda a responsabilidade pela perda do navio e deu sua vida como prova de lealdade.
A bravura e a tenacidade dos ingleses, somados à algumas atitudes inexplicáveis do comandante alemão, fizeram a diferença.
Todos os marinheiros ingleses capturados dos navios afundados pelo Graf Spee destacam a nobreza do capitão Hans Langsdorff no trato com os prisioneiros. Não houve uma só baixa em nenhum dos navios mercantes afundados pelo Spee.
Entretanto, o suicídio do comandante alemão pareceu um ato desesperado causado pela culpa de haver perdido o navio e pela consciência de que, na Alemanha, possivelmente seria recebido por uma corte marcial.
Assim, terminou a primeira batalha naval da II Guerra Mundial.

segunda-feira, 10 de março de 2014

HISTÓRIA: A BATALHA DO RIO DA PRATA - I

No período de recuperação da economia alemã, após a I Guerra Mundial, quando começaram a reconstruir sua esquadra, os projetistas navais alemães conceberam uma nova classe de belonave que não se enquadrava em nenhum dos conceitos até então existentes. Eles a denominaram panzerschiff (navio-blindado).
Os navios desta classe foram mais tarde classificados como cruzadores pesados, com tonelagem máxima de 14.000 a 16.000 toneladas e armamento principal de 6 canhões de 11 polegadas (280 mm) em duas torres triplas, uma dianteira e outra à ré, e um armamento secundário de 8 canhões de 5.9 polegadas (150 mm) em torres individuais, 4 em cada costado. Sua blindagem lateral era de 80 mm e alcançava uma velocidade máxima de 28 nós (52 km/h) em condições de combate.
Assim, era mais veloz do que qualquer navio com artilharia superior e possuia artilharia mais pesada do que qualquer navio mais rápido.
Teoricamente, poderia fugir ao confronto com encouraçados e cruzadores-de-batalha e arrasar qualquer cruzador isolado que ousasse enfrenta-lo.
Além disso, possuia uma autonomia de 17.460 milhas náuticas (32.336 km) a 14 nós (26 km/h).
Três navios dessa classe foram construídos: o Deutschland (mais tarde rebatizado Lützow), o Admiral Scheer e o Admiral Graf Spee.
A imprensa os chamava “tigres dos mares”. Os ingleses preferiram apelida-los “encouraçados-de-bolso”.
Antes do início da guerra, a marinha alemã enviou para o mar dois destes navios, o Deutschland e o Admiral Graf Spee. O Deutschland se posicionou no Atlântico Norte, enquanto o Graf Spee se dirigiu para o Atlântico Sul.
Em outra rota, seguiu para o sul também o petroleiro Altmark, que daria apoio ao Graf Spee, fornecendo combustível e provisões, em encontros no meio do Atlântico Sul.
Após o início da guerra, em 1º de setembro de 1939, ambos os navios receberam ordens para iniciarem hostilidades contra a marinha mercante inimiga, como corsários, evitando entrar em combate com navios de guerra.
Em 28 de setembro, o Graf Spee fez sua primeira vítima, o mercante inglês Clement, ao largo da costa de Pernambuco.
A partir daí, a belonave alemã vagou entre a costa africana e o continente sulamericano, afundando mais 4 navios e chegando a contornar a África e aventurar-se até ao Oceano Indico, onde fez uma única vítima, o petroleiro Africa Shell, ao largo de Madagascar.

Mapa mostrando o raid do Graf Spee e os locais onde mercantes foram afundados.(Clique para ampliar)
 
Retornando ao Atlântico, já em dezembro, ainda fez mais três vítimas, totalizando um total de 50.000 toneladas em navios afundados. Para se ter uma idéia do transtorno causado, isto forçou a mobilização de uma força de nada menos que 4 porta-aviões, 3 couraçados, 12 cruzadores pesados e 2 cruzadores ligeiros, divididos em oito grupos espalhados pelo Atlântico na caça ao corsário.
Porém, um dos navios atacados, o Tairoa, tivera tempo de transmitir sua posição, informando que fora atacado. Esta mensagem chegou ao almirantado britânico.
O Comodoro Henry Harwood comandava um grupo chamado força G, composto pelos cruzadores pesados HMS Exeter (6 canhões de 8”) e HMS Cumberland (8 canhões de 8”) e pelos dois cruzadores ligeiros  HMS Ajax e HMNZS Achilles (ambos c/ 8 canhões de 6”). Entretanto, o Cumberland teve que dirigir-se às Ilhas Falklands (Malvinas) para uma revisão. No seu capitânea Ajax, Harwood reuniu os capitães dos navios restantes e traçou uma estratégia de busca.

O cruzador ligeiro HMS Ajax era o navio-capitânea do destacamento comandado pelo comodoro Harwood. O HMNZS Achiles, da Nova Zelândia, era idêntico a ele.
Aqui cabe um parêntese para esclarecer que os ingleses julgavam estar caçando o Admiral Scheer, navio idêntico ao Graf Spee.
Acertadamente, reconstruindo os movimentos anteriores do corsário, Harwood teria deduzido que ele não resistiria à tentação de se dirigir para a embocadura do Estuário do Prata, onde havia um grande fluxo de navios partindo abarrotados de suprimentos para a Inglaterra. E para lá rumou com seus 3 cruzadores. Existam versões de que o comandante britânico dispunha de informações privilegiadas, pois o almirantado teria interceptado e decifrado mensagens em código do Graf Spee para o Altmark e para Berlim.
Se tivesse marcado um encontro, não teria tido maior precisão, pois ao amanhecer de 13 de dezembro, o Spee e os três cruzadores ingleses avistaram-se, quase que simultaneamente, aproximadamente às 6:20 h.
Até hoje não ficou claro porque o Graf Spee, que já estava prestes a regressar para a Alemanha vitorioso, não procurou escapar dos inglêses. Existem informes de que, a princípio, o capitão Hans Langsdorff julgou que se tratasse de apenas um cruzador e dois destróieres, possivelmente escoltando um comboio ainda encoberto pelo horizonte.
Harwood ordenou que o Exeter se aproximasse para uma identificação mais positiva do navio avistado. Convém esclarecer que o Spee utilizava uma série de camuflagens durante a sua caçada, falsificando chaminés, torres e as vezes se fazendo passar por navios de países neutros.
Enquanto o Exeter se aproximava, o Ajax e o Achilles rapidamente contornavam a rota do Spee, flanqueando o alemão pelo outro lado.
Assim que teve o Exeter ao seu alcance, o Spee abriu fogo sobre o cruzador inglês. Dois minutos depois, o Exeter respondeu ao fogo, acertando o Spee e danificando seu sistema diretor de tiro.
Outra salva do Exeter danificou uma torre secundária e estilhaços atingiram a ponte, ferindo o comandante alemão no rosto e no braço.
Langsdorff, a princípio, tentara dividir sua artilharia principal de 11”, atirando com apenas uma torre contra o Exeter e usando a outra contra o Ajax e o Achilles. Mas, logo percebeu a precisão e o peso das granadas do seu maior inimigo e desviou toda sua artilharia principal contra o Exeter, mantendo apenas as peças secundárias do outro costado atirando contra os cruzadores ligeiros.
Com isto, o Exeter passou a receber todo o peso da artilharia principal do Spee, e foi alvejado diversas vezes. Sua ponte de comando foi atingida por uma granada de 11” que matou todos os oficiais presentes, exceto o comandante. Suas torres foram sendo silenciadas uma após outra e diversos incêndios irromperam por todo o navio.

A destruição nos conveses do Exeter, após receber vários impactos de granadas de 11". A ponte de comando foi destroçada por estilhaços.

Finalmente, com seu sistema de interfone destruído, apenas um dos canhões atirando manualmente, e, com 61 mortos e 23 feridos a bordo, o bravo Exeter, coberto de fumaça, começou a afastar-se, não sem antes disparar uma salva de torpedos contra o couraçado alemão.
O Spee tentou encurtar a distância para destrui-lo, mas os velozes Ajax e Achilles aproximaram-se corajosamente, atirando sem cessar com seus 16 canhões de 6”, causando diversos danos no Spee, que foi obrigado a voltar contra eles sua artilharia principal.



Em homenagem ao HMS Exeter e sua corajosa tripulação, o autor desta matéria montou esta maquete(inacabada) do navio, na escala 1/400, usando balsa, plástico, clips e diversos materiais catados na sucata.
(Clique para ampliar)
 
Os cruzadores, tirando proveito de sua velocidade superior, se afastaram novamente, sempre castigando o Spee com seus canhões, enquanto manobravam para tentar evitar os tiros do alemão.
Isto não impediu que o Spee acertasse o Ajax, pondo fora de ação suas duas torres de ré e decepando seu mastro traseiro.
Então, estranhamente, o couraçado alemão soltou uma cortina de fumaça para ocultar seus movimentos e virou em direção ao Estuário do Prata, rumando para Montevidéo, sempre acompanhado pelos dois cruzadores ingleses.

(Na sequência: A BATALHA DO RIO DA PRATA - II)
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Siglas:

HMS = His Majesty Ship (usada por todos os navios de guerra britânicos)
HMNZS = His Majesty New Zealand Ship (por se tratar de um navio neozelandês)

quinta-feira, 6 de março de 2014

HISTÓRIA: 1939 - A GUERRA NO NOSSO QUINTAL

No ano de 1939, as atribulações pelas quais passava a Europa pareciam distantes demais para preocupar o cidadão comum que habitava o cone sul do continente americano.
No Brasil, só os imigrantes alemães e seus descendentes concentrados no sul do país acompanhavam (muitos torcendo a favor) a escalada do seu país de origem.
Imigrantes judeus, que já sabiam que tipo de coisas estavam acontecendo na Alemanha, torciam contra e tentavam inutilmente alertar os paisanos...
A Alemanha emergiu da fome, da humilhação e da crise em que fora mergulhada pelos tratados impostos pelos vencedores da I Guerra Mundial para despontar como uma das nações mais prósperas e poderosas da Europa. Depois de usar diversos expedientes para esconder da fiscalização da Liga das Nações a reconstrução do seu aparato bélico, a nação se sentiu forte o suficiente para renegar publicamente as limitações dos tratados.
A voz irada de Adolf Hitler, em discursos inflamados, proclamava que a Alemanha não mais abriria mão de se armar e partir atrás do que considerava seu. Os líderes das outras nações vizinhas se limitavam a declarações tímidas, que só revelavam cada vez mais seu medo de confrontar o falastrão líder nazista do Reich Alemão.

12 de março de 1938 - Guardas alemães e austríacos removem alegremente as barreiras de um posto de fronteira: a Áustria foi anexada, e agora faz parte da grande Reich alemão, sob a liderança de um austríaco.

Em 1938, já ocorrera a consentida anexação da Áustria, e o regime nazista bradava ameaças contra as nações vizinhas. Não demorou para que, em 1º de setembro de 1939, as tropas alemãs cruzassem a fronteira da Polônia, reclamando terras que eles sempre consideraram suas e onde já havia uma comunidade alemã residente. O que a princípio parecia um incidente de fronteira seria, na verdade, o estopim da 2ª Guerra Mundial.
Mesmo assim, as notícias ainda pareciam distantes, até que, inesperadamente, a guerra passou rente à nossa porta, mostrando que o mundo estava ficando pequeno para os guerreiros europeus!
Subitamente, os brasileiros, argentinos e uruguaios ficaram surpresos ao saber que a primeira batalha naval da guerra estava acontecendo diante da costa sul-americana!
Nos dias que se seguiram, a população destes países acompanhou uma série de disputas e negociações envolvendo um navio de guerra alemão, encurralado nas águas territoriais do neutro Uruguai, diante do porto de Montevidéo, enquanto dois cruzadores ingleses aguardavam sua saída, como cães de caça postados na foz do estuário do Prata.
Os navios em questão eram o encouraçado alemão Admiral Graf Spee, comandado pelo capitão de mar-e-guerra Hans Langsdorff, e os cruzadores britânicos HMS Ajax e HMNZS Achiles, sob o comando do comodoro Henry Harwood. No decorrer da batalha, um terceiro cruzador, o HMS Exeter, se retirara do combate devido aos danos e baixas sofridas.
Entretanto, diversos outros navios britânicos já se aproximavam para fechar o cerco.

Admiral Graf Spee, "o tigre dos mares": como um tubarão vagando pelo Atlântico Sul, causou estragos na frota mercante inglesa e mobilizou grande parte da esquadra britânica somente para caça-lo.

Quando eu tinha seis ou sete anos, meu pai leu para mim e para minha mãe a reportagem de uma revista com uma narrativa detalhada daquele fato que eles (meus pais) e meus irmãos mais velhos tinham ouvido falar durante a guerra (eu nasci depois do fim do conflito).
Mas fiquei sabendo que na época, a batalha provocara apreensão no sul do país, pois se os alemães podiam chegar tão perto, talvez também pudessem desembarcar tropas em nosso país (apesar de que o Brasil ainda era neutro)!
Da mesma forma que fiz com a guerra submarina envolvendo navios e aviões brasileiros, pretendo resgatar os acontecimentos que marcaram esta batalha, ocorrida em um cenário inusitado do Atlântico Sul e que teve seu dramático desfecho diante da emocionada cidade de Montevidéo.
Nos próximos dois posts, eu pretendo contar um resumo em duas etapas da história da Batalha do Rio da Prata (Battle of River Plate), como ficou conhecido o confronto nos anais da marinha inglesa.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

OS GATOS

Há 14 anos compartilho minha casa com uma gatinha vira-lata que apareceu do nada e se instalou com a maior sem-cerimônia, me adotando como seu mordomo.
Os gatos tem tido uma quase sempre bem sucedida parceria com os seres humanos, desde há séculos.
Consta que teriam sido os egípcios os responsáveis por esta aproximação, e, incrivelmente, os maiores beneficiados foram os humanos!
Não pretendo dar uma aula de história, mesmo porque outros blogs apresentam de forma bem mais didática os fatores que envolveram o início deste relacionamento. Apenas narro os fatos de maneira informal, como num bate-papo. Os egípcios viviam em uma região onde o ciclo climático limitava as atividades agrícolas, que forneciam a base alimentar para a população. O plantio, cultivo e colheita seguiam calendários bastante definidos, e por isto os egípcios desenvolveram seus estudos sobre astronomia, e aprenderam a interpretar o efeito dos movimentos da Terra sobre as estações do ano e o clima. Tudo para ter uma colheita bem-sucedida. Quando tinham sucesso, geralmente as safras eram maiores do que as requeridas para consumo nas entressafras, e o excedente ficava armazenado em celeiros, para suprir as necessidades, no caso das próximas safras não serem tão abundantes.

Esta moça entrou lá em casa e se instalou com ares de dona do pedaço...
 
Porém, mesmo com tais precauções, em determinados momentos eles se viram ameaçados pela fome, devido a uma praga difícil de combater: ratos!
Os ratos também desenvolveram uma associação com os humanos, mas de uma forma que só beneficiava a eles: invadiam os celeiros e devoravam o que podiam dos grãos armazenados. Além disto, grande parte do que não era devorado ficava contaminado pelos seus dejetos, ficando inadequado para o consumo.
Entretanto, as regiões desérticas em torno das povoações egípcias eram abundantes em gatos, em seu estado selvagem.
Em situação normal, os felinos viviam em tocas apertadas e bem escondidas, e sendo animais de pequeno porte, eram presas de diversos animais maiores, como chacais, raposas e linces. Mas, sendo eles também predadores, tinham a difícil rotina de ficarem escondidos na maior parte do dia, saindo de suas tocas apenas à noite, para descobrir, caçar e trazer para seus filhotes insetos e animais menores, como pequenos répteis, pássaros e... ratos!
Mas, suas saídas precisavam ser muito breves e eficazes, para que ficassem expostos o menor tempo possível, evitando que, de predadores, se tornassem presas. Os gatos são caçadores rápidos, silenciosos e certeiros!
Especialistas em comportamento animal de um canal de TV a cabo especializado em fauna estabeleceram um ranking de animais predadores, baseados no percentual de sucesso de suas investidas. O vencedor foi o gato, superando tubarões, orcas, lobos outros menos votados.
Mas, voltando ao Egito antigo, os egípcios viram com esperança que à noite, os gatos venciam a timidez, se aproximavam dos povoados e partiam com sua habitual agressividade e eficácia contra os ratos, depois de verificarem que os humanos não representavam ameaça para eles. Pelo contrário, os egípcios logo perceberam que a presença dos felinos era uma dádiva dos céus, e dentro de sua religiosidade, atribuíram isto a uma intervenção divina!
Assim, os gatos passaram a ser bem tratados e bem vindos nas casas e povoações, com status de enviados dos deuses, e portanto sagrados.
A partir da segunda dinastia egípcia, foi incorporada às divindades uma deusa gata, chamada Bast ou Bastet.
Imagem egípcia de Bast. Existem outras representações em que ela é uma mulher com cabeça de gata.

Bast era considerada como os olhos do deus-sol Rá e protetora da maternidade, da família e da cura. Os médicos egípcios a adotavam como símbolo.
Os templos consagrados à deusa abrigavam diversos gatos que, quando morriam, eram mumificados, como os nobres e faraós.
No Egito, quando um gato da casa morria, as pessoas da família raspavam as sobrancelhas em sinal de luto. Quem matasse um gato poderia ser condenado à morte.
Depois de ter salvo o povo egípcio da fome, os gatos, sempre cumprindo sua finalidade protetora, passaram a ser adotadas como animais domésticos, desfrutando de todos os direitos da casa.
Por isto, não estranhe o jeito folgado e a postura exigente dos gatos...eles um dia evitaram que os homens morressem de fome!

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

SOBRE OS MAIAS E O FIM DO MUNDO

Os maias são provavelmente, a mais enigmática e menos conhecida das civilizações pré-colombianas.
Os traços mais antigos da civilização maia nos remetem ao 2.000 A.C., quando surgem os primeiros sinais do estabelecimento de um povo pré-maia na atual Guatemala.
Esse povo ocupou as atuais nações da Guatemala, Belize, Honduras e El Salvador, além de parte do México. Fundaram e desenvolveram diversas cidades-estado, seguindo todas uma espécie de “plano-piloto” padrão, que determinava a distribuição das construções centrais com base na localização dos astros e que foi estabelecido desde os primórdios desta civilização. 

Esta acrópole piramidal fica na antiga cidade maia de Chichén Itzá, no México.
Suas cidades eram dotadas de templos e acrópoles piramidais em degraus. As mais conhecidas são: Tikal, Palenque, Copán, Pedras Negras, Quiriguá, Naranjo, Cobá e Chichén Itzá. 
Com exceção das edificações centrais, as cidades se desenvolviam sem nenhuma regra, de forma aleatória.
Os maias praticavam esportes, sacrifícios humanos, e artes como escultura, entalhadura e pintura.
Sua economia era baseada na produção de tomate, milho, cacau, batata, algodão e frutas. Também criavam abelhas, caçavam e pescavam.

Este mapa mostra as principais cidades da civilização maia. (Clique p/ ampliar)

Como não cunhavam moedas, seu sistema monetário era na base de trocas. Conchas, pepitas de ouro, prata, jade, sementes de cacau e plumas coloridas eram usadas nas transações comerciais.
Havia disputas, conflitos e lutas entre as cidades. Os prisioneiros resultantes destas lutas eram escravizados, torturados e às vezes sacrificados.
A civilização maia entrou em declínio a partir do séc. IX D.C., quando suas povoações começaram a ser absorvidos pela expansão dos toltecas e astecas.
Entretanto, algumas de suas cidades-estado permaneceram povoadas até o século XV D.C., como Mayapan, que se tornou a capital dos maias em 1328.
Os remanescentes da civilização maia e se misturaram com os de outros povos e traços de sua cultura e idioma permanecem até hoje.
No século XV, os espanhóis conquistaram e saquearam as últimas cidades remanescentes dos maias e astecas.
Até o momento, ainda não foram determinadas as causas do declínio dos maias, que pode ter sido ocasionado pelo confronto com outros povos, esgotamento de recursos agrícolas, inundações, secas ou qualquer outro motivo.
Só em 1840 começaram a ser descobertos e estudados os restos desta civilização, que, segundo os historiadores, foi a única população alfabetizada das américas. Entretanto, sua linguagem escrita, composta de hieroglifos, somente começou a ser decifrada recentemente, com o auxílio da informática. 
Os religiosos que acompanhavam as expedições espanholas deram sua "contribuição", queimando e destruindo a maioria dos chamados códices maias, livros-chave que eram como almanaques e falavam sobre seus ritos, astrologia, astronomia e outros assuntos (traços de cultura pagã). Porém, alguns destes códices lograram sobreviver, como os existentes na Espanha e o que se encontra em Dresden, na Alemanha.

Detalhe do chamado "Dresden Codex"
(Clique p/ ampliar)

A precisão dos maias em registrar datas permite saber com exatidão quando foram fundadas algumas cidades e outros eventos marcantes de sua história.
Os maias possuíam dois calendários, um religioso (tzolkim) e o outro agrícola (haab).
O tzolkim tinha um ano de 260 dias, divididos em 13 meses de 20 dias e era baseado nas fases da Lua.
O haab tinha 365 dias (com base no Sol) divididos em 18 meses de 20 dias, mais cinco dias de festas.
A cada 52 anos, havia uma sincronização, baseada nos movimentos do planeta Venus.
A cada 3.172 anos, eram reiniciados os dois calendários, o que significava o início de uma nova era.

E a tal profecia sobre o fim do mundo?

Diz a Wikipédia:
A interpretação incorreta do calendário mesoamericano de contagem longa forma a base de uma crença do movimento Nova Era, de que um cataclisma aconteceria no dia 21 de dezembro de 2012.
Sandra Noble, diretora executiva da organização de pesquisa mesoamericana FAMSI, aponta que "para os antigos maias, era motivo de grande celebração chegar ao fim de um ciclo completo". Considera ainda, que a apresentação de dezembro de 2012 como um evento de fim de mundo ou mudança cósmica como "uma total invenção e uma chance para muita gente ganhar dinheiro".

Bem,  na minha opinião, parece que eles não foram capazes de prever sequer o seu próprio fim, o que me faz duvidar que fossem capazes de estabelecer que o mundo terminará no mês que vem...
A tal “data fatídica” corresponde apenas ao fim de uma era, quando se inicia um novo ciclo e se volta ao início dos calendários lunar e solar...
Mas, se estão mesmo interessados no fim do nosso planeta, fiquem de olho no céu...

O asteroide tarda, mas não falha!

domingo, 4 de setembro de 2011

HISTÓRIA: SUBMARINOS DO EIXO AFUNDADOS NO BRASIL

Só para encerrar o assunto submarinos do eixo e seu envolvimento com o Brasil durante a II Guerra Mundial, eu tenho que contar também que não ficou barato para os submarinos do eixo Alemanha-Itália a participação no conflito. 
A grande maioria dos tripulantes encontrou seu fim dentro de mortalhas de aço, esmagados pela pressão das águas profundas que os engoliram!
Após uma impressionante ofensiva nos dois primeiros anos da guerra, ficou clara a ameaça representada pelos submarinos e as terríveis consequências dos ataques aos comboios e navios isolados. O principal objetivo destes ataques era cortar a linha de suprimentos para as ilhas britânicas, que dependiam enormemente da navegação marítima.
Por isto, os aliados concentraram esforços no desenvolvimento de tecnologias e táticas para combater os submarinos. E foram muito bem sucedidos, principalmente com o emprego de aviões de patrulha naval: quando o Brasil entrou na guerra, os números já começavam a se tornar desfavoráveis para os "lobos cinzentos".

Recentemente, a família Schürmann, que se tornou famosa por suas viagens pelos mares do mundo, anunciou que, após dois anos de pesquisas, conseguiu localizar um submarino alemão, o U-513, afundado na costa catarinense durante a II Guerra. Trata-se do primeiro navio desta categoria a ser localizado no Brasil.

Durante a II Guerra, foram afundados em nossas águas nada menos de 11 submarinos, sendo 10 alemães e um italiano:
Submarino
(tipo)
Data:
Local:
Atacante(s)
U-164
(IXC)
06/01/43
Largo de Fortaleza-CE
01º 58' S, 39º 22' W
PBY(EU)
U- 507
(IXC)
13/01/43
NW de Natal-RN
01°38'S, 39°52'W
PBY (EU)
Archimede
14/04/43
Litoral do RN
3º 23" S, 30º 28 W
PBY (EU)
U-128
(IXC)
17/05/43
Litoral de PE
10º 00' S, 35º 35' W
PBM (EU)
+ 2 destróieres (EU)
U-590 (VIIC)
09/07/43
Largo da foz do Amazonas
3º 22' N, 48º 38' W
PBY(EU)
U-513
(IXC)
19/07/43
SE de S. Fco. Do Sul-SC
27º 17' S, 47º 32' W
PBM(EU)
U-662
(VIIC)
21/07/43
Largo da Foz do Amazonas
3º 56' S, 48º 46' W
B-24(EU), PBY (EU)
U-598
(VIIC)
23/07/43
Largo de Natal-RN
4º 05' S, 33º 23' W
B-24(EU)
U-591
(VIIC)
30/07/43
Litoral de PE
8º 36' S, 34º 34' W
PV-1(EU)
U-199
(IXD2)
31/07/43
Litoral do RJ
23º 54' S, 42º 54' W
PBY (BR), A-28(BR),PBM(EU)
U-161
(IXC)
27/09/43
Litoral da BA
12º 30' S, 35º 35' W
PBM(EU)
EU= Estados Unidos, BR=Brasil. A decodificação dos tipos de submarinos e aviões atacantes está mais abaixo.
E ainda pode existir mais um, ainda não identificado, que foi atacado em 5 de abril de 1943 a 60 km de Aracaju, por um Lockheed Hudson A-28 da Força Aérea Brasileira (FAB), pilotado pelo tenente Ivo Gastaldoni (já falecido, Brigadeiro Reformado). Segundo o relato do piloto, um dos pioneiros da aviação de patrulha brasileira, as cargas de profundidade lançadas por ele explodiram em torno do submarino, e ele submergiu ou afundou, deixando uma grande mancha de óleo na superfície. Mais tarde, navios da Marinha recolheram destroços que poderiam ser deste U-boot. Contudo, os submarinos as vezes ejetavam óleo e destroços para tentar enganar atacantes, fazendo-os suspender o ataque.
Como mostrado no quadro acima, todos os submarinos foram afundados por aviões, e em apenas um deles houve envolvimento direto de navios de guerra. E, com exceção do U-199, os principais responsáveis foram aviões da US Navy (Marinha dos EUA), baseados em território brasileiro.
O Archimede foi o único submarino italiano afundado na costa brasileira. Os submarinos alemães do tipo VIIC (sete-C) de autonomia menor, só alcançavam o nordeste brasileiro. Já os dos tipos IX (nove) C e D2 eram maiores, tinham maior autonomia e levavam mais tripulantes e mais torpedos. 

Submarinos alemães tipo VIIC
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Deslocamento: 769 t (superfície) 871t (submerso)
Comprimento: 67,10 m
Largura: 6,20 m
Equipagem: 44 a 52 tripulantes.
Velocidade: 17,7 nós (32,8 km/h) (superfície), 7,6 nós (14,1 km/h) (submerso).
Profundidade testada: 230 m
Alcance:15.170 km, a 19 km/h (superfície), 150 km a 7,4 km/h (submerso).
Propulsão
Superfície: 2 Motores diesel Germaniawerft M6V 40/46- 6 cilindros, com turbocompressor, com potência total de 2.800 a 3.200 hp (2.100 a 2.400 kw).
Submerso: 2 Motores elétricos BBC GG UB 720/8, com potência total de 750 hp (560 kw).
Armamento:
5 tubos de torpedos (4 na proa, 1 na popa) c/14 torpedos de 533 mm; ou 26 minas TMA; ou 39 minas TMB.
1 canhão de 88 mm/L45 no convés, c/220 tiros.
Artilharia antiaérea variavel de .50 e 20 mm.



Submarinos alemães tipo IXC

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Deslocamento:1.120 t (superfície) 1.232 t (submerso)
Comprimento: 76,80 m
Largura: 6,80 m
Equipagem: 48 a 56 tripulantes (55 a 63 no tipoIXD).
Velocidade: 18,3 nós (33,9 km/h) (superfície), 7,3 nós (13,5 km/h) (submerso).
Profundidade testada: 230 m
Alcance: 20.000 km, a 19 km/h (superfície), 117 km a 7,4 km/h (submerso).
Propulsão
Superfície: 2 Motores diesel MAN M9V40/46 - 9 cilindros, com turbocompressor, com potência total de 4.400 hp (3.300 kW)
Submerso: 2 Motores elétricos SSW GU345/34, com potência total de 1.000 hp (740 kW)
Armamento:
6 tubos de torpedos (4 na proa, 2 na popa) c/22 torpedos de 533 mm.
1 canhão de 105 mm/45 no convés, c/110 tiros.
Artilharia antiaérea variavel de 20, 30, e 37 mm.

Identificação de aeronaves:

PBY= Consolidated Catalina PBY 
Hidroavião bombardeiro bimotor de patrulha.
Catalina PBY com insígnias dos EUA usadas no início da II Guerra. 
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Em operações na costa brasileira, foram utilizados pela FAB e pela US Navy. Um PBY da FAB foi o responsável pelo afundamento do U-199.
Motores: 2 x Pratt-Whitney R-1830-92 Twin Wasp radial de 9 cilindros - potência total: 2.400 hp
Tripulação: 8.
Velocidade máxima:314 km/h
Alcance: 4.030 km
Armamento: 3 metralhadoras Browning .30 + 2 metralhadoras Browning .50.
1.814 kg de bombas ou cargas de profundidade.

PBM= Martin Mariner PBM
Hidroavião bombardeiro bimotor de patrulha.

Mariner PBM com insígnias dos EUA usadas no início da II Guerra.
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Em operações na costa brasileira, só foram utilizados pela US Navy.
Motores: 2 × Wright R-2600-12 radial, de 14 cilindros – Potência total:3.400 hp.
Tripulação: 7.
Velocidade máxima:330 km/h
Alcance: 4.800 km
Armamento: 8 metralhadoras .50 Browning M2 .
340 kg de bombas ou cargas de profundidade.
1.800 kg de bombas ou cargas de profundidade ou 2 torpedos.

A-28 = Lockheed A-28 Hudson
Bombardeiro bimotor de patrulha.

A-28 Hudson com insígnias da Royal Air Force (RAF). 
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Em operações na costa brasileira, só foram utilizados pela FAB.
Era uma versão militar derivada do Lockheed 14 Electra.
Motores: 2 x Wright Cyclone radial de 9 cilindros - potência total: 2.200 hp
Tripulação: 6.
Velocidade máxima:397 km/h
Alcance: 3.150 km
Armamento: 2 metralhadoras Browning .30 no nariz + 2 metralhadoras Browning .30 na torreta dorsal.
340 kg de bombas ou cargas de profundidade.

PV-1=Lockheed PV-1 Vega Ventura
Bombardeiro bimotor de patrulha.

PV-1 Ventura com insígnias dos EUA.
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Em operações na costa brasileira, foram utilizados pela FAB e pela US Navy.
O Vega Ventura foi um aperfeiçoamento do Hudson, com motores bem mais potentes.
Motores: 2 × Pratt-Whitney R-2800 radial de 18 cilindros - potência total: 4.000 hp.
Tripulação: 6.
Velocidade máxima:518 km/h
Alcance: 2.670 km
Armamento: 4 metralhadoras Browning .50 + 2 metralhadoras Browning .30.
340 kg de bombas ou cargas de profundidade.
6 cargas de profundidade (147 kg cada) ou um torpedo.

B-24=Consolidated B-24 Liberator
Bombardeiro pesado quadrimotor.

B-24 Liberator com insígnias dos EUA.
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Em operações na costa brasileira, só foram utilizados pela US Navy.
Tripulação: 7 a 10.
Motores: 4 X Pratt-Whitney R-1830, com potência total de 4.800 hp.
Velocidade máxima:470 km/h
Alcance: 3.400 km
Armamento: 10 metralhadoras Browning .50.
5.800 kg de bombas ou cargas de profundidade.

Aproximadamente 800 submarinos alemães foram afundados durante a II Guerra, com a perda de mais de 28.000 tripulantes, 75% de baixas, um índice de perdas mais alto do qualquer outra tropa alemã no conflito. Esses submarinos causaram muitas perdas à navegação mercante aliada, inclusive no Brasil, mas pagaram muito caro!
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Nota: Por motivo de saúde, terei que ficar afastado das postagens por algum tempo. Espero breve estar de volta com novas matérias. Agradeço ao apoio que sempre recebi de todos vocês!