FRASE:

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"Se deres um peixe a um homem, vais alimenta-lo por um dia; se o ensinares a pescar, vais alimenta-lo a vida toda."

(Lao-Tsé, filósofo chinês do séc. IV a.c.)

sábado, 24 de julho de 2010

AMELIA EARHART - I

 Amelia Earhart
Amelia Mary Earhart nasceu em 24 de julho de 1897, há exatamente 113 anos, em Atchison, no estado do Kansas, nos EUA. Sua infância foi marcada por um pai alcoólatra, que perdeu até seu emprego como advogado numa ferrovia por causa do vício. Ela e a irmã mais nova foram criadas em parte na casa de seu avô materno, um juiz, e em parte com sua mãe e outros amigos, quando seus pais se separaram. Seus estudos básicos foram feitos em casa, com o auxílio de sua mãe e de uma governanta. Só aos 12 anos ingressou numa escola pública regular. Completou seus estudos no ensino médio e passou a cursar o curso de medicina na universidade de Columbia. Trabalhou como enfermeira-voluntária da Cruz Vermelha, em um hospital militar, de 1917 até ao final da I Guerra Mundial (1918), em Toronto, onde morou com sua irmã Muriel. Em 1920, abandonou seus estudos para se juntar à sua família, reunida novamente na Califórnia.
Foi lá que, alguns meses depois de sua volta, seu pai a levou a um show aéreo, onde ela pode voar pela primeira vez, embarcando como passageira, de capacete e óculos de pilotagem, em um avião biplano de cabine aberta, onde voou por apenas 10 minutos sobre Los Angeles. “Assim que saímos do solo, eu fiquei sabendo que o que eu queria era voar”, diria Amelia mais tarde.
Descoberta sua vocação, Amelia se matriculou em um curso de pilotagem,  ministrado pela aviadora Neta Snook, na Curtiss School of Aviation. O ônibus a deixava a 6,5 km do aeroporto onde ficava o curso, assim, ela andava 13 km para cada aula.  Ela recebeu instruções adicionais com John Montijo, que fora instrutor de voo no exército americano. Em junho de 1921, ela fez seu voo-solo, sendo aprovada como piloto.
Nesse mesmo ano, com ajuda financeira de sua mãe, comprou seu primeiro avião, um pequeno monomotor  biplano experimental Kinner Airster, que ela chamava “The Canary”, por ser pintado de amarelo. Já em 1922, com este avião, estabeleceu o recorde de altitude para mulheres, alcançando 14.000 pés. Em 1923, ela era uma das 16 mulheres no mundo a possuir a licença de pilotagem da Fédération Aéronautique Internationale.
Amelia e "The Canary"
Nos anos seguintes, ela procurou novos caminhos dentro da aviação, mas sem receber a devida atenção. Tentou retomar seus estudos, mas também não foi bem sucedida.
Finalmente, em 1928, recebeu um convite para ser a primeira mulher a cruzar o Atlântico por via aérea. A viagem era uma empreitada publicitária do empresário George Putnan,  o mesmo que havia feita a divulgação do livro  "We", de Charles Lindbergh.  O financiamento vinha de uma Sra. Amy Guest,  aristocrata americana que vivia em Londres. Esta senhora , também de espírito pioneiro, havia adquirido um hidroavião trimotor Fokker F7, que ela própria  pretendia comandar. Contudo, em função das condições e riscos da travessia, sua família a convenceu a  permitir que outra mulher a substituísse.  Amelia, apesar do título de “comandante” da aeronave, seria apenas uma passageira, já que dois pilotos mais experientes é que conduziriam de fato o voo. Mesmo assim, ela aceitou o papel. Em 17 de junho de 1928, com Amelia, o piloto Wilmer Stultz e o co-piloto Louis Gordon, o Fokker, batizado "Friendship" partiu de Trepassey, vila de pescadores na península do Labrador e, após 20 h e 40 min.,  pousou em Burry Port, no País de Gales. Este voo, bem divulgado pela imprensa, a projetou no cenário nacional, numa época em que, na visão preconceituosa que vigorava, tudo que as mulheres podiam aspirar era serem boas esposas e donas-de-casa, sempre em segundo plano em relação aos seus maridos.
Amelia aproveitou esta fama repentina para despertar as mulheres americanas para as diversas atividades que podiam realizar, além do mero papel de “mulher do lar”. Incentivou as entusiastas da aviação a tirarem seus brevês e teve particular apoio de uma delas, a primeira-dama Eleanor Roosevelt, a quem levou, de improviso, num célebre voo noturno sobre Washington.
Em 1931, casou-se com o próprio George Putnan, que a havia encaixado no voo transatlântico.
Putnan, bastante habilidoso na busca pelo lucro, arranjou diversos contratos publicitários para Amelia. Eram jogos de malas, roupas, chapéus, artefatos domésticos e muitas outras coisas, tudo avalizado pela imagem da aviadora, que não apreciava muito esta função de garota-propaganda, mas sabia que só assim obteria fundos para novas aventuras aeronáuticas.
E no ano seguinte, realizou sua maior façanha até então: partindo de Harbour Grace, no Labrador, sozinha no comando de um Lockheed Vega, após quase 15 h de voo, ela  pousou em uma pastagem de ovelhas, próximo a Londonderry, na Irlanda do Norte, em 20 de maio de 1932, exatamente cinco anos após a travessia pioneira de Lindbergh! 
Amelia foi a segunda pessoa após Charles Lindbergh, e a primeira mulher, a realizar a travessia do Atlântico em voo solo e sem escalas.
O Lockheed Vega de Amelia, no National Air & Space Museum
Definitivamente consagrada como heroína americana, passou a ser chamada pelos jornais e pelo público como “Lady Lindy”, forma abreviada de “Lady Lindbergh”. No auge da fama, recebeu do governo francês o Grau de Cavaleiro da Legião de Honra da França, das mãos do presidente Herbert Hoover a Gold Medal da National Geographic Society, e do Congresso a famosa Distinguished Flying Cross, a condecoração máxima da aviação americana.
No mesmo ano, estabeleceu um recorde de velocidade, voando de Los Angeles, Califórnia, até Newark, New Jersey, num percurso de 4.040 km, em 19 horas e 5 minutos.

Em 1933, bateu seu próprio recorde, baixando o tempo do mesmo percurso para 17 horas e 7 minutos.
Mas a pequena e indomável Amelia não parou por aí, e em 1935, foi a primeira pessoa a voar do Havaí até ao continente americano.
Em 1937, a Universidade de Purdue, em Indiana, de cujo conselho Amelia fazia parte, lhe fez a doação de uma aeronave instrumentada, a que chamaram de avião-laboratório, além de uma verba de 50.000 dólares para adaptações na aeronave. Era um bimotor Lockheed Electra, com o qual Amelia se propôs a realizar uma nova façanha: dar a volta ao mundo!

(Na próxima matéria, abordaremos a última viagem de Amelia Earhart)

3 comentários:

  1. Beleza, meu amigo. É isso que chamo de texto com conteúdo interessante, parabéns. Tudo que eu ainda não sabia sobre Amelia Mary Earhart antes de seu voo fatídico você esclareceu. Abraços, JAIR.

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  2. - Posso imaginar o que vem por aí, na parte II... poucos episódios da aviação receberam tanta atenção e sensacionalismo. Aguardo com grande expectativa.

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