FRASE:

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"Se deres um peixe a um homem, vais alimenta-lo por um dia; se o ensinares a pescar, vais alimenta-lo a vida toda."

(Lao-Tsé, filósofo chinês do séc. IV a.c.)

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terça-feira, 21 de junho de 2011

FILME: AMA-ME OU ESQUECE-ME

Bem antes de ser a solteirona puritana das comédias com Rock Hudson e Rod Taylor, Doris Day fez boas películas dramáticas. Uma das melhores e talvez a mais importante na sua carreira foi AMA-ME OU ESQUECE-ME (Love Me or Leave Me - EUA - 1955 - 122 min.- cor).
A história se baseia na agitada vida da cantora e atriz americana Ruth Etting (1897-1978).
Este filme da MGM, produzido por Joe Pasternak e dirigido por Charles Vidor (Gilda) mostra Ruth Etting (Doris Day) antes do início da carreira, na década de 1920, onde comia o pão que o diabo amassou como dançarina de aluguel numa gafieira de Chicago, tentando uma chance de mostrar seus dotes como cantora.
Inesperadamente, a sua salvação veio pelas mãos nem tão limpas do gangster Martin Snyder, "o Manco" (James Cagney). Fascinado por Ruth, Snyder  patrocina a sua educação musical e usa seus contatos nas casas noturnas e emissoras de rádio para alavancar a carreira da ambiciosa jovem. 

Tudo pela carreira...Para Ruth (Doris Day), valia até aturar a chatice e grosseria de um gangster como Martin Snyder (James Cagney), que apesar de tudo, era louco por ela, cuidou de sua educação artística e a introduziu na mídia e nos shows!

Apesar dele se mostrar possessivo e às vezes grosseiro, ela acaba aceitando um casamento por interesse com ele, baseada nas suas aspirações profissionais. Snyder empresaria tudo o que ela faz e consegue até mesmo coloca-la no cinema como atriz. É claro que a vida privada do casal não era uma maravilha, e, quando Ruth já tem seu nome conhecido, as brigas se tornam insuportáveis e eles acabam se divorciando.
Mas Snyder, mesmo separado, fica seguindo-a e descobre que ela está tendo um caso com o pianista Myrl Alderman (Cameron Mitchell) que costumava acompanha-la nas músicas e fazer seus arranjos musicais. Louco de ciúme, tenta acabar com o seu rival, sendo preso por isto.

Ruth (Doris Day) com seu pianista e arranjador Alderman (Cameron Mitchell).
 
A atriz Jane Russell queria o papel de Ruth Etting, a MGM pretendia usar Ava Gardner, mas o próprio James Cagney insistiu para que o estúdio trouxesse Doris Day, que era da Warner Brothers, para o papel. Excepcionalmente, pela primeira vez desde que alcançara o estrelato, James Cagney aceitou que seu salário não fosse o maior do elenco, cedendo esta primazia para Doris Day. E ela ficou encantada pela idéia de contracenar com Cagney, já consagrado como ator, além de receber o salário e o tratamento de estrela que nunca tivera na Warner.

O cartaz do filme e a capa do DVD lançado no Brasil. Enquanto na Warner, Doris era apenas mais uma atriz de comédias, a MGM a recebeu com tapete vermelho. Agora, sim, ela era uma estrela!
 
O filme recebeu o Oscar de Melhor História Original, além de ter recebido cinco outras indicações: Melhor ator (James Cagney), Melhor Roteiro, Melhor Canção Original (I'll Never Stop Loving You), Melhor Trilha Sonora e Melhor Gravação de Som.
O score musical do filme apresenta diversas músicas do repertório original de Ruth Etting, interpretadas por Doris Day.
Seria inadequado comparar as gravações originais de Ruth Etting com as feitas por Doris Day, já que essas contaram com recursos de estúdio que não existiam nos anos 20.
Mas, se quiser, clicando sobre o nome da cantora pode ouvir as gravações da música Love Me or Leave Me, com Ruth Etting ou com Doris Day.
Recomendado para os nostálgicos pelos anos 20/30, fãs de Doris Day (como eu) ou de James Cagney. 
O DVD foi lançado em 2005 no Brasil pela...Warner Brothers Home Video!

terça-feira, 8 de março de 2011

CINEMA: A NAMORADINHA DA AMÉRICA

Hoje, Dia Internacional da Mulher (para mim, mulher não tem um dia, mas todos), vamos falar de uma que foi marcante na música e no cinema. Bem antes de Regina Duarte se tornar a namoradinha do Brasil, alguns foram buscar sua mulher ideal na namoradinha da América, DORIS DAY.

 Doris, muito jovem, já acumulava dois casamentos e um filho.
Nascida em Cincinnati, Ohio, em 3 de abril de...1922 (segundo a Wikipédia), ou 1924, segundo a maioria dos fã-clubes, a cantora e atriz americana Doris Mary Ann von Kappelhoff tornou-se inesquecível em comédias como Confidências À Meia-Noite (Pillow Talk - 1959), Volta, Meu Amor (Lover Come Back - 1961) e A Espiã de Calcinhas de Renda (Glass Bottom Boat - 1966), onde era sempre a mocinha de nariz arrebitado, graciosa, ingênua e cheia de boas intenções, que acabava sendo assediada por seus maliciosos parceiros Rock Hudson ou Rod Taylor !
Isto lhe valeu a falsa fama de intocável e o duvidoso apelido de “a eterna virgem”, apesar de ter sido casada quatro vezes. O humorista Groucho Marx chegou a dizer: “Conheci Doris Day quando ela ainda não era virgem”!
Mas Doris também soube atuar em filmes dramáticos como Ama-me ou Esquece-me (Love or Leave Me - 1955) e suspenses como Julie ( Julie – 1956), O Homem Que Sabia Demais (The Man Who Knew Too Much – 1957) e A Teia de Renda Negra ( Midnight Lace - 1960), num total de 45 filmes da sua carreira! Teve também um programa de TV, o Doris Day Show, apresentado nos EUA de 1968 a 1973 , tendo alguns episódios aparecido na TV brasileira, nos anos 70.
Quando foi contratada pela Metro Goldwyn-Mayer para o filme Julie, recebeu uma inusitada homenagem: na abertura do filme, o leão da Metro apareceu rosnando...de topete na juba, imitando o penteado da estrela!


Doris no auge da carreira: seu topete influenciou até o leão da Metro!
 
Doris começou sua carreira muito jovem, em Chicago, em 1940, cantando na banda do irmão do ator Bing Crosby, Bob. Mas logo se transferiu para a Banda de Les Brown. Aos 18 anos, casou-se com o trombonista Al Jordan, de outra banda. Foi com ele que Doris teve seu único filho Terry, falecido em 2004. Este casamento durou pouco mais de um ano. O segundo, com outro músico, o saxofonista George Weidler, em 1943, durou menos ainda!
Em 1948, já tendo feito aparições anônimas em três filmes, foi introduzida pelo compositor Sammy Cahnn para um teste na Warner Brothers, sendo aprovada para o papel de uma cantora no filme Romance em Alto Mar (Romance on the High Seas). E assim, começou sua longa carreira cinematográfica.
Fora das telas, sua linda voz interpretou muitos sucessos, como as melodias The Very Thought of You, Softly As I Leave You, Stardust, Secret Love,Tea For Two, Pillow Talk e muitas e muitas outras (mais de 600!), distribuidas em seus aproximadamente 50 álbuns e compilações, e outros tantos singles!

 Doris (d) em 2010, na inauguração de um pavilhão com seu nome no Laurel Canyon Dog Park, um parque para passeios com cães, em Los Angeles.

A linda garota que começou como vocalista de bandas dos anos 1940 atualmente é uma senhora octogenária que vive no feliz anonimato com seus cães  de estimação em Carmel, na Califórnia, dedica-se à causa de proteção aos animais, e para isto criou uma fundação, a Doris Day Pet Foundation, que atua em diversos estados americanos.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

FILME: UM FIO DE ESPERANÇA

Nem tudo está perdido ! Já faz algum tempo, algumas gravadoras conseguiram entender que existe público para filmes que já fizeram sucesso no cinema e se tornaram clássicos.
E, recentemente, começaram a descobrir que no Brasil também existem pessoas que gostariam de voltar a assistir essas antigas produções!
Graças a isso, foi lançado em 2007 nos EUA, e mais recentemente no Brasil, o DVD  com a edição especial de Um Fio de Esperança (The High and The Mighty - EUA, 1954- 147 min), da Paramount Pictures. O filme está em formato widescreen anamórfico (2.55:1), já que foi originalmente filmado em Cinemascope, e vem numa embalagem com dois DVDs, um deles com o filme e o outro com diversos extras: o trailer, o "making of" do filme, curtas sobre o diretor William Wellman, sobre o compositor da trilha sonora premiada Dimitri Tiomkin, sobre a aviação nos anos 50, sobre como foi feita a restauração do filme, e muitos outros.
A história foi a primeira trama do pós-guerra ambientada na maior parte do tempo na cabine de um avião comercial, e eu considero este filme o percursor do gênero, dando origem à Céu de Agonia, Aeroporto e suas sequências e sátiras, incluindo Apertem os Cintos! O Piloto Sumiu!.
O script foi de Ernest Kellog Gann (*1910-+1991), baseado no romance homônimo de sua autoria. Gann foi piloto da American Airlines, convocado para a USAAF (Força Aérea do Exército Americano) na  II Guerra e posteriormente voou pela Matson Airlines, da qual era também um dos sócios, nesta mesma rota mostrada no filme, Honolulu-S. Francisco. A empresa não resistiu à concorrência com a Pan American, mas inspirou a história do romance.
Logo no começo do filme, ficamos sabendo a história de Dan Roman (John Wayne - *1907-+1979), apelidado "Dan assobiador", um veterano piloto que, apesar da experiência, não é comandante, exercendo a função de co-piloto para um aviador mais jovem, Sullivan (Robert Stack). Tudo por conta de um acidente gravíssimo em que se envolveu no passado, com sérias perdas familiares. A graciosa comissária May Holst (Claire Trevor) é também quem recebe e faz o check-in dos passageiros, no balcão da empresa (1).
Para se captar melhor a atmosfera do filme, é preciso vê-lo com olhos da época. Hoje, nada parece mais corriqueiro (e, ultimamente, até enervante) do que viagens aéreas. Mas, nos anos do pós-guerra, viajar de avião era um misto de aventura e charme, e nos EUA, algo ao alcance de pessoas de classe média alta, que contudo, não queriam arcar com as despesas de uma viagem num navio de classe. Eu  já falei sobre o boom das viagens aéreas nos EUA no início da minha postagem FILMES DE SUSPENSE A BORDO DE AVIÕES. Na lista de passageiros, como o filme mostra, vemos pessoas que usaram suas últimas economias para pagar a passagem ao lado de outras, melhores de vida, já acostumados com as viagens aéreas.
O andamento do filme, como nos moldes da época, pode parecer em certos momentos arrastado, e se fosse refeito atualmente, certamente teria diversas cenas encurtadas ou cortadas. A trilha sonora também pode soar dramática demais, mas é outra característica das produções da década de 1950.
Mas, o filme apresenta os elementos básicos que eu falei na citada postagem:  primeiro, uma revelação dos dramas e situações pessoais dos pilotos e de alguns passageiros (neste caso, com alguns flashbacks);  uma pane ou condição insegura; a tensão a bordo e seus efeitos, gerando reações variadas nos protagonistas. E a definição final, afetando a todos de alguma forma.

 Capa da edição especial brasileira.

O filme recebeu seis indicações para o Oscar de 1954, mas venceu apenas o de "melhor trilha sonora para drama ou comédia", premiando o trabalho de Dimitri Tiomkin. A  linda música repetidamente assobiada por Roman/Wayne, conhecida com o mesmo nome original do filme(2) apesar de indicada para "melhor canção", perdeu para  Three Coins in The Fountain, do filme A Fonte dos Desejos. Mas, da mesma forma que a vencedora, tornou-se um sucesso mundial, e foi gravada por diversos intérpretes.
Jan Sterling (*1921-+2004) recebeu da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood o prêmio de melhor atriz codjuvante, no papel de Sally McKee, uma noiva por correspondência que vai ao encontro do noivo. Um premio que saiu caro, pois conta-se que, para viver a personagem (uma mulher complexada por se achar um tanto passada nos anos), ela teve que raspar as sobrancelhas, e elas não voltaram mais a crescer!

 Jan Sterling: o premio compensou o sacrifício da beleza?
Tudo se passa numa travessia sobre o Oceano Pacífico, na rota Honolulu-S. Francisco. Entre os passageiros, um magnata da aviação, um empresário da indústria farmacêutica, um pescador profissional mal-sucedido que regressa, uma imigrante oriental,  um casal brigado, um casal de turistas cheios de gracinhas, um cientista desiludido, e um homem traído e cheio de rancor.
Os dramas começam com situações envolvendo os passageiros, até que um dos motores pega fogo, ficando fora de ação. Além disso, os tripulantes tem que lidar com um vazamento de combustível e com um erro de cálculo do navegador, e as coisas se complicam. A tensão a bordo vai piorando tanto que até a tripulação acaba entrando em conflito, balançando a escala hierárquica, enquanto decisões críticas tem que ser tomadas.
Finalmente, chega a hora da verdade para aquele punhado de pessoas.
A aeronave usada no filme foi um Douglas DC-4, versão cargueiro militar C-54, comprado como excedente de guerra, remodelado interiormente como avião de passageiros e operado pela Transocean Airlines. Nas cenas externas, o avião foi pilotado por um dos diretores da empresa, amigo de Ernest K. Gann, que quase sofreu um acidente no pouso durante uma tomada, tendo que arremeter, após tocar o solo antes do início da pista.
Dez anos depois, fazendo a rota Honolulu-Los Angeles, em um voo fretado, este mesmo avião, com três tripulantes e seis passageiros, comunicou estar com um dos motores  em chamas e na iminência de um pouso de emergência no Pacífico. Não houve mais contatos e não foram encontrados sobreviventes.
A vida repetiu a ficção da forma mais cruel.
Não restou nem um fio de esperança...
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(1)- Será que era assim mesmo? Algumas empresas aéreas de hoje adorariam fazer isto, para poupar os salários das atendentes!
 
(2) - No CD da trilha sonora, consta como Main Title: Goodbye to Toby  Flashback, Plane Wreck. Mas, em outras gravações, usualmente é citada como The High and The Mighty.

Obs.: John Wayne também foi  co-produtor do filme, juntamente com Robert Fellows.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

FILME: ENIGMA DE UMA VIDA

O filme Enigma de Uma Vida (The Swimmer – 1968), da Columbia Pictures, começa numa atmosfera de sonho americano.
Tudo parece correr bem para Ned Merrill em uma bela manhã de domingo, num  elegante loteamento quase rural nos arredores de Connecticut, onde uma comunidade de classe média alta americana dos anos 60 se estabeleceu em busca de melhor qualidade de vida.
Ned (Burt Lancaster), pelo que se pode deduzir pelas cenas iniciais, é um bem sucedido homem de negócios, bonachão e jovial com seus amigos e encantador para as mulheres.
Esteve por algum tempo afastado, e ressurge nesta manhã de outono, nos fundos do quintal de um casal amigo.
Meio embriagado pelo clima favorável, conversa alegremente com os donos da casa e com outro casal amigo hospedado com eles. Seus anfitriões estão meio ressacados de uma festa na noite anterior e, no meio da conversa, Ned tem a estranha ideia de voltar para sua casa de forma inédita: nadando através das piscinas nas residências de seus vizinhos!

Capa do DVD americano: para nós, resta o download nos sites P2P.

Na medida que transcorre esta atípica viagem, as diferentes reações de seus vizinhos vão nos revelando aos poucos diversos fatos sobre  o passado de Ned, e alguns destes fatos parecem surpreender até ele próprio!
Uma das melhores interpretações do excelente Burt Lancaster, que passa todo o filme no foco da camera, vestindo apenas um short de banho.
A qualidade da direção de Frank Perry transparece nas cenas e nos diálogos, onde praticamente nada é gratuito, tudo leva à alguma conclusão.
Baseado num conto de John Cheever, originalmente publicado na revista New Yorker, foi adaptado por Eleanor Perry, esposa do diretor. Porém, Frank abandonou as filmagens antes do final e o filme só foi finalizado sob a direção de Sydney Pollack, apesar de não constar nos créditos.
O filme marcou a estréia da ninfeta Janet Landgard, que contracena numa longa sequência com Lancaster. Janice Rule teve excelente atuação como Shirley Abbot, antigo amor de Ned.
O final é impactante e eu colocaria este filme como um dos “dez mais” na categoria drama, se fizesse uma lista assim. Mas, parece não ter empolgado tanto em Hollywood, já que nem a brilhante atuação de Burt Lancaster mereceu uma indicação para o Oscar.
Eu o recomendaria à todos aqueles que apreciam o genero. Mas, infelizmente, este é um daqueles títulos que parecem vedados ao público tupiniquim,  pois está fora dos catálogos das revendedoras de DVDs. Encontra-se apenas no formato XviD (.avi) nos tão estigmatizados (pelas gravadoras) sites P2P. Agora eu pergunto: se eles acham que lhes dá tanto prejuízo o download de filmes, por que não os lançam no mercado brasileiro? É pirataria "baixar" da internet para assistir um filme que eles não querem vender?
Parece até uma emissora de TV que compra exclusividade sobre certos jogos de futebol, só para depois não transmiti-los e impedir que outros o façam.

O trailler pode ser visto em:
http://www.othyrworld.com/swimmer/