FRASE:

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"Se deres um peixe a um homem, vais alimenta-lo por um dia; se o ensinares a pescar, vais alimenta-lo a vida toda."

(Lao-Tsé, filósofo chinês do séc. IV a.c.)

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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

FILME: CONTATO

Via de regra, pesquisadores científicos costumam ter sucesso como escritores de ficção-científica. Talvez por labutarem em uma área onde ficam no limiar entre indícios e hipóteses, podem vislumbrar inúmeras possibilidades a serem exploradas. E, na ficção-científica, podem desenvolver suas ideias livremente, sem nenhuma necessidade de comprovação.
Arthur C. Clarke, Isaac Asimov e Carl Sagan são exemplos desta tendência. Depois de curtir uma obra de especulação científica do saudoso Sagan, Os Dragões do Éden, tive o ensejo de apreciar o seu excelente romance de ficção científica Contato. E pouco tempo depois, pude assistir e colocar na minha videoteca o filme baseado no livro.
Nem sempre um filme sai à altura do livro em que se baseia, mas, neste caso, os produtores foram particularmente felizes. Talvez por terem tido a boa idéia de colocar o próprio Carl Sagan como consultor do diretor Robert Zemeckis (De Volta Para o Futuro, Forrest Gump). Além de autor do livro que deu origem ao filme, Sagan também foi um dos idealizadores do projeto SETI (Search for ExtraTerrestrial Inteligence) que, como no filme, utiliza radiotelescópios como instrumentos de pesquisa.
Contato (Contact -1997- EUA - 153 min.), tem a ótima direção de Zemeckis  e a presença marcante de Jodie Foster no papel da apaixonada pesquisadora de vida extraterrestre  Eleanor (Ellie) Arroway. O papel caiu como uma luva para Jodie, que, apesar de não ter sido indicada para o Oscar de melhor atriz, recebeu  diversos prêmios de outras associações e academias de cinema por este papel.
O filme tem como tema a dedicação de Ellie na busca por sinais de vida inteligente extraterrestre, com o auxílio de radiotelescópios, num projeto financiado pelo governo americano.  Entretanto, para o Dr. David Drumlin (Tom Skerrit), ranzinza funcionário do governo encarregado do projeto, tudo não passa de um tremendo desperdício de dinheiro.  Ele acaba cortando as verbas da pesquisa e encerrando o projeto. Mas a incansável Ellie consegue sensibilizar um empresário bilionário (John Hurt) a patrocinar um projeto privado e volta à sua vigília. De repente, o impossível acontece: os aparelhos captam uma transmissão vinda de uma fonte inteligente, que não pode ser de nenhum satélite artificial, nem de alguma rádio-pirata! Depois de alguns ajustes e decodificações, se constata que se trata de uma transmissão realmente destinada aos terráqueos, e mostra como esses podem  estabelecer contato mais aproximado entre as duas civilizações.

Jodie Foster como Ellie, a cientista apaixonada pela busca de vida extraterrestre. 

O governo acaba assumindo o controle do projeto e os cientistas passam a sofrer pressões. A trama evolui, em meio aos inevitáveis confrontos entre políticos, religiosos  fundamentalistas e cientistas, cada qual querendo "puxar a brasa para sua sardinha". E Ellie, a principal responsável pela descoberta, se vê questionada quanto à questões teológicas, sofre desgaste e  acaba empurrada para um segundo plano pelo vedetismo dos políticos, como costuma acontecer em situações assim. Entretanto, a mensagem extraterrestre acaba gerando protestos de grupos radicais religiosos que negam sua autenticidade. Após diversos conflitos e até atos de sabotagem, o milionário protetor da jovem cientista  aparece  para resgata-la e volta a coloca-la como protagonista dos fatos.
E,  seguindo as instruções vindas do espaço, uma assustada Ellie parte para um insuspeitado encontro, como a Alice do conto infantil entrando na toca do coelho, onde coisas inesperadas e maravilhosas acontecem.
Mas, num mundo dominado por políticos, fundamentalistas e pela disputa entre egos inflados, a jovem cientista é quem acaba ficando numa saia justa.
Um ótimo filme de ficção-científica, baseado em um ótimo livro de ficção-científica. Ainda dá para curtir o DVD.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

À PROCURA DE VIDA EXTRATERRESTRE

Desde o início dos anos 60, a NASA já empregava verbas na busca por vida extraterrestre, tirando esta especulação dos domínios da ficção-científica e colocando-a definitivamente no campo da ciência. Atualmente, além da escuta feita por diversas entidades científicas, usando radiotelescópios, que tentam captar sinais emitidos por civilizações avançadas, os novos supertelescópios como o Hubble e outros instrumentos conjugados são utilizados na busca por planetas onde as condições sejam capazes de abrigar alguma forma de vida, inteligente ou não.
Esta busca não é feita pela observação direta, mas pelos efeitos gravitacionais causados por tais planetas nos movimentos das estrelas em torno das quais eles orbitam. Diversos planetas já foram "descobertos" assim, nos últimos anos.
Recentemente, um deles acaba de virar notícia, pela possibilidade de que possa ser viável para a vida. O planeta Gliese 581g tem uma órbita circular em torno de Gliese 581, uma estrela do tipo anã vermelha, na constelação de Libra, a "apenas" 20,5 anos-luz da Terra. 

Concepção artística do planeta Gliese 581g, em torno da estrela anã vermelha Gliese 581. Na prática, ele não é visível da Terra, mas sua existência foi determinada pelas suas interações gravitacionais, que afetam os movimentos da estrela.

Gliese 581g foi detectado por uma equipe de astrônomos da Lick-Carnegie Exoplanet Survey, um projeto de pesquisas dos EUA.
A equipe é liderada por Steven Vogt e Paul Butler, pesquisadores de diferentes instituições que participam deste projeto. Suas conclusões foram baseadas em dados coletados ao longo de 11 anos por instrumentos acoplados a dois telescópios. A massa do planeta, um dos 6 que orbitam Glise 581, foi calculada como três a quatro vezes maior que a da Terra e sua translação dura aproximadamente 37 dias terrestres.
Informalmente, foi batizado com o nome de Zarmina, em homenagem à esposa de Vogt.
Mas, por que os pesquisadores colocaram este planeta na lista dos que podem conter vida?
Segundo as medições, o planeta mostra sempre a mesma face para a estrela-mãe. Apesar do calor abrasador no seu lado quente e do frio congelante no lado escuro, foi estimado que a temperatura média do planeta varia em torno de -12 a -31 graus centígrados, o que possibilitaria temperaturas semelhantes às terrestres na região situada na sua área de penumbra.
A massa do planeta indica ser ele provavelmente de natureza rochosa, com superfície definida e gravidade capaz de manter uma atmosfera.(Isto não quer dizer que ela exista.)
Em entrevista concedida para a Fundação Nacional De Ciência dos EUA, Steven Vogt, apesar de lembrar que não é um biólogo, se mostrou otimista quanto à possibilidade do planeta conter vida.
Ultimamente, os pesquisadores tem se mostrado propensos a uma revisão nos cálculos que estabelecem as probablidades de vida em outros planetas, em função da frequência com que tem sido descobertos novos planetas fora do nosso sistema solar. As descobertas superaram as expectativas iniciais, o que afeta aquelas probabilidades.
Apesar de tudo, ainda não há nenhuma comprovação das condições ambientais reais nestes planetas invisíveis. E, nos planetas do nosso sistema solar, apesar de já existirem sondas em Marte e condições para pesquisa de outros planetas em futuro próximo, até agora ainda não temos nenhuma confirmação positiva. Por enquanto, apesar das expectativas favoráveis, a existência de vida extraterrestre permanece apenas como uma conjetura.