Na minha postagem HISTÓRIA: SUBMARINOS ALEMÃES ATACAM!, eu mencionei que finalmente sabia quem tinham sido os atacantes de todos os navios brasileiros afundados na II Guerra Mundial.
Aqui, está, conforme prometi a mim mesmo, o resultado de muitas consultas e de cruzamentos de informações, sobre o tema navios brasileiros atacados por submarinos do eixo Itália-Alemanha durante a II Guerra. Esta é a lista dos navios afundados, com data, hora e local (quando disponíveis), a identificação do submarino atacante e o nome do seu capitão na ocasião do ataque.
Aqui, está, conforme prometi a mim mesmo, o resultado de muitas consultas e de cruzamentos de informações, sobre o tema navios brasileiros atacados por submarinos do eixo Itália-Alemanha durante a II Guerra. Esta é a lista dos navios afundados, com data, hora e local (quando disponíveis), a identificação do submarino atacante e o nome do seu capitão na ocasião do ataque.
Navios Brasileiros Torpedeados na II Guerra Mundial | ||||||
1942 | ||||||
N. | Navio (Mortos) | Data | Hora (1) | Local (Posição) | Submarino Tipo(2) | Comandante do submarino |
01 | Buarque (1) | 15/02 | 04:43 | Costa leste dos EUA 36°35'N, 75°20'W | U-432 VIIC | Cp T Heinz-Otto Schultze |
02 | Olinda (0) | 18/02 | 18:07 | Costa leste dos EUA 37°30'N, 75°00'W | U-432 VIIC | Cp T Heinz-Otto Schultze |
03 | Cabedelo (54) | 25/02 | - | Antilhas? | Da Vinci | Cp Cv Longanesi-Catani |
04 | Arabutã (1) | 07/03 | 21:10 | Costa leste dos EUA 35°15'N, 73°55'W | U-155 IXC | Cp Cv Adolf C. Piening |
05 | Cairu (1) | 09/03 | 02:25 | Costa leste dos EUA 39°10'N, 72°02'W | U-94 VIIC | 1T Otto Ites |
06 | Parnaíba (7) | 01/05 | 20:46 | Leste de Trinidad-Tobago 10°12'N, 57°16'W | U-162 IXC | Cp T Jürgen Wattenberg |
07 | Comte. Lira (2) | 18/05 | 22:30 | 200 nm da costa do RN | Barbarigo | Cp T Enzo Grossi |
08 | Gonçalves Dias (6) | 24/05 | 13:15 | Mar do Caribe 16°09'N, 70°00'W | U-502 IXC | Cp T J. Von Rosenstiel |
09 | Alegrete (0) | 01/06 | 23:51 | Mar do Caribe 13°40'N, 61°30'W | U-156 IXC | Cp Cv Werner Hartenstein |
10 | Pedrinhas (0) | 26/06 | 23:17 | 300 nm a NE de Porto Rico 23°07'N, 62°06'W | U-203 VIIC | Cp T Rolf Mützelberg |
11 | Tamandaré (4) | 26/07 | 08:15 | Ao largo de Trinidad-Tobago 11°34'N, 60°30'W | U-66 IXC | Cp T Friedrich Markworth |
12 | Piave (1) | 28/07 | 20:30 | 100 nm leste de Barbados 12°30'N, 55°49'W | U-155 IXC | Cp Cv Adolf C. Piening |
13 | Barbacena (6) | 28/07 | 00:40 | 100 nm leste de Barbados 13°10'N, 56°00'W | U-155 IXC | Cp Cv Adolf C. Piening |
14 | Baependi (270) | 16/08 | 00:12 | Costa de Sergipe 11°50' S, 37°00'W | U-507 IXC | Cp Cv Harro Schacht |
15 | Araraquara (131) | 16/08 | 02:02 | Costa de Sergipe 12°00'S, 37°19'W | U-507 IXC | Cp Cv Harro Schacht |
16 | Anibal Benevolo (150) | 16/08 | 09:13 | 11 nm da Barra de SE 11º42' S/37º23' W | U-507 IXC | Cp Cv Harro Schacht |
17 | Itagiba (36) | 17/08 | 18:03 | Costa da Bahia norte da Ilha de Tinharé 13°20'S, 38°40'W | U-507 IXC | Cp Cv Harro Schacht |
18 | Arará (20) | 17/08 | 18:03 | Costa da Bahia norte da Ilha de Tinharé 13°20'S, 38°49'W | U-507 IXC | Cp Cv Harro Schacht |
19 | Jacira (0) | 19/08 | 00:00 | Costa da Bahia Entre Ilhéus e Itacaré 14°30'S, 38°40'W | U-507 IXC | Cp Cv Harro Schacht |
20 | Osório (5) | 28/09 | 01:10 | Foz do Amazonas norte de Salinas-PA 00°03'N, 47°45'W | U-514 IXC | Cp T Hans J. Auffermann |
21 | Lajes (30 | 28/09 | 02:15 | Foz do Amazonas-PA 00°13'N, 47°47'W | U-514 IXC | Cp T Hans J. Auffermann |
22 | Antonico (16) | 28/09 | 00:00 | Costa da Guiana Francesa 05°30'N, 53°30'W | U-516 IXC | Cp Cv Gerhard Wiebe |
23 | Porto Alegre (1) | 03/11 | 16:42 | Largo de Port Elizabeth -África do Sul 35°27'S, 28°02'E | U-504 IXC | Cp Cv Hans Poske |
24 | Apalóide (5) | 22/11 | 22:17 | Leste das Pequenas Antilhas 13°28'N, 54°42'W | U-163 IXC | Cp Cv Kurt Engelmann |
1943 | ||||||
N. | Navio (Mortos) | Data | Hora (1) | Local (Posição) | Submarino Tipo(2) | Comandante do submarino |
25 | Brasilóide (0) | 18/02 | 03:15 | Costa da Bahia 12°38' S, 37°57' W | U-518 IXC | Cp T Friedrich Wissmann |
26 | Afonso Pena (125) | 02/03 | 23:01 | Ao largo da Bahia | Barbarigo | Cp T Roberto Rigoli |
27 | Tutoia (7) | 01/07 | 00:15 | Largo de Iguapé-SP 24º43' S, 47º19' W | U-513 IXC | Cp Cv Rolf Guggenberger |
28 | Pelotaslóide (5) | 04/07 | 17:45 | 5 nm norte de Salinas -PA 00°24'S, 47°36'W | U-590 VIIC | 1T Werner Krüer |
29 | Bagé (28) | 01/08 | 02:36 | 30 nm sul de Aracaju-SE 11°29'S, 36°58'W | U-185 IXC/40 | Cp T Augustus Maus |
30 | Itapagé (22) | 26/09 | 18:50 | 10 nm de Lagoa Azeda-AL 10º05'S, 35º54'W | U-161 IXC | Cp T Albrecht Achilles |
31 | Campos (12) | 23/10 | 12:33 | 15 nm de Alcatrazes-SP 24°42'S, 45°45'W | U-170 IXC/40 | Cp T Günther Pfeffer |
1944 | ||||||
N. | Navio (Mortos) | Data | Hora (1) | Local (Posição) | Submarino Tipo(2) | Comandante do submarino |
32 | Vital de Oliveira (99) | 20/07 | 04:54 | 25 nm sul do farol S. Tomé– RJ 22°29'S, 41°09'W | U-861 IXD2 | Cp Cv Jürgen Oesten |
(1) A hora, no caso dos submarinos alemães, se refere à hora de Berlim em que foi comunicado o afundamento. Esta coluna não serviu como ordenação, portanto podem haver horários fora de ordem, para um mesmo dia
(2) Os submarinos alemães tipo VIIC eram menores e tinham menor raio de ação que as diversas variantes do tipo IX, maiores e com maior autonomia.
Abreviaturas usadas no quadro:
nm= milha náutica (1.853 m)
N,S,E,W, NE = Norte, Sul, Leste, Oeste, Nordeste
1T = Primeiro-tenente
Cp T = Capitão-tenente
Cp Cv = Capitão-de-corveta
Como se pode ver, pouco mais da metade (17) dos navios brasileiros afundados durante a II Guerra foram atacados em águas nacionais. Os outros foram afundados em diversas partes do Atlântico, como na costa dos EUA e no Caribe. Até no Oceano Índico houve um ataque, no caso do Porto Alegre.
O Arará: um dos seis navios brasileiros torpedeados pelo U-507 entre os dias 16 e 19 de agosto de 1942. De seus 35 ocupantes, 20 foram mortos no ataque.
Originalmente, constavam 34 navios, mas excluímos desta lista o navio Cisne Branco, uma vez que não há nenhuma referência ao seu afundamento nos arquivos dos submarinos alemães, sendo que o submarino que alegadamente o teria torpedeado (U-161) foi afundado no mesmo dia, a uma distância longe demais do local do naufrágio. Muitas contradições envolvem a misteriosa explosão que causou o naufrágio do Cisne Branco. Na realidade, há mais dúvidas do que certezas em relação a este navio e pode ter acontecido algum acidente, já que ele levava carga militar considerada secreta (talvez explosiva), embora declaradamente transportasse apenas sal.
Também foi excluído o veleiro Paracuri, que consta nos arquivos alemães como apenas danificado por tiros de canhão pelo submarino U-159 no Caribe, em 05 de junho de 1942, não havendo registro de vítimas.
Quanto ao Cabedelo, faltam alguns dados, já que este navio saiu em 14-fev-1942 do porto de Filadélfia, nos EUA, com destino ao Rio de Janeiro, e desapareceu sem deixar destroços, sobreviventes ou corpos. Dois pesquisadores europeus, um alemão e o outro italiano, chegaram a mesma conclusão de que ele foi torpedeado pelo submarino italiano Da Vinci, em 25-fev-1942. Porém, não temos informações sobre o local exato.
O Cabedelo, que se acredita ter sido afundado próximo às Antilhas pelo submarino italiano Da Vinci, em 25 -fev-1942: 54 mortos.
Também não consta da lista, por não ser um navio, o pequeno pesqueiro de 20 t CHANGRILÁ (Shangri-Lá), afundado ao largo de Cabo Frio (RJ) a tiros de canhão pelo submarino U-199, em 22-jul-1943. O destino deste barco, dado como desaparecido, só foi conhecido no início deste século, quando foi liberado o teor do interrogatório dos tripulantes sobreviventes do U-199, capturados e levados para os EUA, após o afundamento do submarino, em 31-jul-1943. Os 10 tripulantes, do CHANGRILÁ, todos pescadores de Arraial do Cabo, foram metralhados para que não revelassem a presença do submarino naquela posição. Seus corpos nunca chegaram à costa nem foram encontrados.
Este não foi o único caso de desrespeito à tratados internacionais no tratamento de sobreviventes de naufrágios. Após um incidente com o navio Laconia, esses caso se tornaram frequentes.
Em 12-set-1942, no Atlântico Sul, ao largo da costa africana, o submarino U-156, comandado pelo capitão-de-corveta Werner Hartenstein, torpedeou o navio inglês Laconia. O barco transportava 136 tripulantes, 80 civis, 268 soldados ingleses e cerca de 1.800 prisioneiros de guerra italianos, vigiados por 160 soldados poloneses. Percebendo que havia aliados italianos entre os náufragos, o comandante iniciou uma operação de salvamento, convocando mais dois submarinos, um alemão e outro italiano para cooperar no resgate. Rebocando botes e com os conveses cheios de soldados, os três submarinos rumaram para a costa africana quando foram avistados por um avião-patrulha americano. Apesar de ostentarem bandeiras brancas e cruzes vermelhas, foram atacados e forçados a submergir, causando a perda de vidas. Mais tarde, os aproximadamente 1.500 sobreviventes foram resgatados por navios franceses, a essa altura aliados dos alemães.
Em decorrência disso, o almirante Karl Doenitz, comandante da frota submarina alemã, expediu uma ordem para que seus barcos não mais se envolvessem em resgates de passageiros de navios torpedeados. Entretanto, essa ordem não explica o metralhamento sistemático de sobreviventes.
Essa determinação foi um dos motivos que levaram o Almirante Doenitz a ser indiciado pelo Tribunal de Nuremberg, instaurado pelos aliados após o conflito, para julgar os crimes de guerra cometidos pelos alemães. Sua defesa alegou que o mesmo procedimento fora adotado pelos aliados em situações semelhantes, citando ações da marinha dos EUA no Pacífico. Essa estratégia parece ter funcionado, pois ele pegou apenas dez anos de prisão. Doenitz faleceu em 1980, aos 89 anos.
Anos após o Julgamento de Nuremberg, o governo brasileiro, a pedido da Marinha, solicitou a extradição, para julgamento no Brasil, do ex-capitão-de-corveta Gerhardt Wiebe e outros oficiais, que serviam no submarino U-516 por ocasião do torpedeamento do navio brasileiro Antonico, em 28-set-1942, ao largo da Guiana Francesa. Após abandonarem o navio em baleeiras, os quarenta sobreviventes ainda foram metralhados pelos tripulantes alemães, sendo 16 mortos, inclusive o comandante Américo Neves, e diversos feridos. Mas houve sobreviventes que relataram o fato. A extradição foi negada e o Brasil desistiu da solicitação.
As perdas humanas brasileiras nestes afundamentos atingiram a soma total de 1.080 mortos.
Curiosamente, o primeiro navio brasileiro a ser atacado na II Guerra não foi alvo de nenhum submarino, mas de um avião!
Em 22 de março de 1941, o Taubaté, que viajava no Mediterrâneo, do Chipre para Alexandria, no Egito, foi atacado próximo ao seu destino por um avião da Luftwaffe, que após lançar bombas sem acertar, metralhou o navio, mesmo após o içamento de uma bandeira branca, matando um tripulante e ferindo outros 13. A diplomacia brasileira protestou, mas consta que a embaixada alemã não se pronunciou a respeito. Na época, o governo de Getúlio Vargas via com certa simpatia o regime nazista e a política externa brasileira buscava a neutralidade em relação à guerra.
Durante a II Guerra, os submarinos alemães afundaram mais de 3.000 navios aliados.
A lista dos navios brasileiros torpedeados foi elaborada com dados das seguintes fontes:
Apontamentos do Gen. da reserva Darcy Lázaro, veterano da FEB (Assoc. Dos Ex-Combatentes – Seção Paraná), conforme citado pelo pesquisador Diniz Esteves.
Informações constantes no livro do falecido Brig. Ivo Gastaldoni MEMÓRIAS DE UM PILOTO DE PATRULHA.
Em uma série de artigos do mesmo autor, publicados na REVISTA DA AERONÁUTICA, editada pelo Clube de Aeronáutica.
No excelente livro O BRASIL NA MIRA DE HITLER, de Roberto Sander (Ed. Objetiva, 2007), que conta diversos detalhes sobre o afundamento dos navios brasileiros, sobre a atividade de espionagem alemã no Brasil e da política brasileira da época.
No site www.uboat.net, onde constam informações detalhadas sobre as operações de mais de 1000 submarinos alemães durante a II Guerra Mundial.













