FRASE:

FRASE:

"Se deres um peixe a um homem, vais alimenta-lo por um dia; se o ensinares a pescar, vais alimenta-lo a vida toda."

(Lao-Tsé, filósofo chinês do séc. IV a.c.)

sábado, 23 de julho de 2011

AMY WINEHOUSE - UMA PARTIDA PREMATURA

Segundo o site do Jornal do Brasil:
“A cantora Amy Winehouse, de 27 anos, foi encontrada morta  por volta das 16 horas deste sábado (horário ingles) em sua residência, num bairro do norte de Londres. A informação foi confirmada pela polícia britânica. Uma ambulância chamada ao local já a encontrou sem vida."

Amy Jade Winehouse
(14-set-1983 - 23-jul-2011)

Infelizmente, Amy entrou para o triste CLUBE DOS 27, como Jimmy Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Brian Jones e Kurt Cobain, todos músicos talentosos, todos mortos prematuramente aos 27 anos.
Criada em uma família cheia de problemas, desde a adolescência se refugiou nos amigos e na música. Infelizmente, também nas drogas e no álcool. Seu sucesso começou aos 20 anos com o álbum FRANK.
Em 2006, com o álbum BACK TO BLACK foi vencedora de cinco prêmios Grammy.
Ouvindo esta gravação, eu pensei estar ouvindo alguma das cantoras americanas de blues dos anos 60.
Sua composição REHAB falava de sua luta com as drogas e sua recusa em aceitar tratamento numa clínica de reabilitação.
Ultimamente, ela teve uma recaída e já nem conseguia mais concluir suas apresentações, por subir no palco sob efeito de drogas, incluindo o álcool. Em Belgrado - Sérvia, no mês passado, se apresentou muito alterada e enfureceu a platéia, sem conseguir sequer cantar as letras de suas próprias músicas e deixando cair o microfone.
Ainda não foi revelada a causa de sua morte, mas seu declínio foi sem dúvida causado pelo pior mal que assola a humanidade neste início de século.
Que finalmente tenha paz!
Tomara que seja mais um daqueles trotes da imprensa inglesa...

quarta-feira, 20 de julho de 2011

JANE GOODALL: A LADY DOS CHIMPANZÉS

Se eu fizesse uma lista das pessoas que, sem ter conhecido pessoalmente, me causaram impressão ao longo de minha vida, uma presença certa seria Jane Goodall.
Nos anos 60, ao folhear uma revista National Geographic Magazine, vi uma reportagem onde aparecia uma jovem inglesa, lourinha e magricela como pareciam ser todas as inglesas, andando e interagindo entre um bando de chimpanzés na selva africana.
Foi a primeira visão que tive desta senhora que dedicou sua vida à causa que eu considero das mais nobres: a defesa dos animais.

 Jane, ainda mocinha, abriu mão da civilização para se dedicar aos chimpanzés.
Vejam a mordomia do Xipan!
Para mim, os animais são todos, do tubarão e do urso até aos nossos cães e gatos, as imagens da mais pura inocência. Tudo o que fazem é agir por instinto, e são desprovidos da maldade, que parece ser uma qualidade privativa da espécie chamada racional.
Não tenho a pretensão de publicar aqui uma biografia desta extraordinária figura humana, mas apenas chamar a atenção para sua existência, coisa que pode ter sido ignorada pela maioria dos leitores. Afinal, ela não foi uma atriz de Hollywood, nem top-model, nem se consagrou em nenhum esporte, e tampouco apareceu no palco cantando músicas de sucesso.

 O que não faltam são biografias de Jane Goodall.

Na versão portuguesa da Wikipédia, o que consta sobre ela é:
"Jane Goodall DBE, PHD, (Londres, 3 de abril de 1934, nome completo Valerie Jane Morris Goodall) é uma primatóloga, etóloga e antropóloga britânica.
Estudou a vida social e familiar dos chimpanzés (Pan troglodytes) em Gombe, Tanzânia, ao longo de 40 anos. Os seus estudos contribuíram para o avanço dos conhecimentos sobre a aprendizagem social, o raciocínio e a cultura dos chimpanzés selvagens.
É mensageira da paz da ONU, fundou o Jane Goodall Institute e é afiliada ao ao grupo defensor dos animais Humane Society of the United States. O seu trabalho é reconhecido e já foi homenageada em muitas ocasiões com honrarias acadêmicas diversas e prêmios científicos."
Filha de um negociante e de uma escritora de novelas, Jane quando menina ganhou de seu pai um chimpanzé de pelúcia que ela adorou e tem até hoje.
Após uma viagem a uma fazenda de amigos de seus pais na África, em 1958, ela se interessou pela vida selvagem e conseguiu emprego como secretária do famoso arqueólogo e paleontólogo Louis Leakey.
Leakey primeiro a enviou para diversos especialistas em comportamento animal, para habilita-la para a sua tarefa principal: estudar o comportamento dos chimpanzés, o que ele acreditava ser a chave para a compreensão da evolução dos primeiros hominídeos.

Jane, Dama do Império Britânico, festeja com seus amigos.
 
Em 1960, com 26 anos, Jane viajou para a Tanzânia com sua mãe, para iniciar seu trabalho. Uma de suas primeiras descobertas foi que os chimpanzés, até então tidos como vegetarianos, não só comiam carne, como eram capazes de fabricar ferramentas para apanhar besouros para comer.
Como até ali, era considerado exclusividade humana a fabricação de ferramentas, isto levou Leakey a declarar: "Ou redefinimos o homem, ou o termo ferramenta, ou admitimos os chimpazés como humanos."
Em 1965, com uma tese sobre o comportamento dos chimpanzés, ela obteve seu Phd em Etologia na Universidade de Cambridge.
Ela continuou se aprofundando nas suas pesquisas e sendo muito requisitada para conferências sobre suas descobertas.
Em 1977, ela fundou o JANE GOODALL INSTITUTE (http://www.janegoodall.org/jane-goodall), uma fundação para pesquisas e proteção ambiental aos habitats dos chimpanzés de Gombe e em outros locais.
Apesar de tudo, alguns críticos contestaram sua metodologia, taxada de não-convencional. Coisas como atribuir nomes ao invés de números aos chimpanzés objetos de estudo, segundo eles, denotariam envolvimento emocional e falta de objetividade. Também o fato de as observações de Goodall terem sido feitas com grupos de chimpanzés que recebiam alimentação sugere para alguns que distorções de comportamento particulares a estes grupos estariam sendo generalizadas. Porém, a própria pesquisadora afirmou ter levado em conta essas diferenças. Pesquisadores do seu instituto declararam também que a alimentação é que tornou possível a observação do comportamento dos animais,  muito difícil em condições naturais.

 O olhar sereno no infinito...Hoje, Jane Goodall é requisitada para palestras em diversos países do mundo.

Em 2002, Jane Goodall foi nomeada Mensageira da Paz pela ONU, e em 2004 foi agraciada como Dama da Ordem do Império Britânico. Ela também é detentora da Legião de Honra da França, da Medalha da Tanzânia, além dos prêmios Kyoto, do Japão e Príncipe de Astúrias da Espanha, e outras citações internacionais de diversas fundações ambientais.
Jane foi casada duas vezes, a primeira em março de 1964, com um nobre holandês, o fotógrafo de vida selvagem barão Hugo van Lawick. Ela passou a ser chamada baronesa Jane van Lawick-Goodall. Em 1967, tiveram um filho chamado Hugo.  O casal se divorciou em 1974, e no ano seguinte, ela voltou a casar-se, desta vez com Derek Bryceson, parlamentar tanzaniano, diretor dos parques nacionais do país. Derek morreu de câncer em 1980.
Jane é autora de diversos livros, alguns em co-autoria, sobre suas observações a respeito dos animais e seu meio ambiente. Também tem sido objeto de inúmeras matérias em revistas como National Geographic Magazine, documentários em canais de TV a cabo, e biografias. Atualmente, é requisitada para conferências em diversos países. Suas palestras, apesar de possuirem embasamento científico, são também mensagens de amor pela natureza e pelos animais. Recentemente, sua passagem pela China foi documentada pelo canal de TV a cabo NatGeo.

sábado, 16 de julho de 2011

HISTÓRIA: SUBMARINOS ALEMÃES ATACAM!

Como nasci logo após o fim da II Guerra Mundial, me criei ouvindo meu pai lendo em voz alta para minha mãe e para mim relatos sobre fatos do conflito.
Ao que parece a guerra marcou bastante os que conviveram com ela, mesmo com um envolvimento menor por parte do Brasil.
Alegadamente, o principal motivo da entrada do Brasil na guerra foram os ataques de submarinos do eixo contra navios brasileiros.
Quando criança, eu ouvia adultos comentando que provavelmente quem tinha afundado nossos navios teriam sido os americanos, para forçar o Brasil a se posicionar ao lado dos aliados.
-"Vai alguém lá no meio do mar saber de quem era o submarino? Ainda mais à noite! Teve navio que não escapou ninguém pra contar a história!” - Resmungava um tio meu, desconfiado.

E eu cresci com essa dúvida, apesar de mais tarde ficar sabendo dos submarinos alemães afundados na costa brasileira e até tripulantes sendo capturados.
O almirantado alemão, onde ficavam os arquivos das operações da frota de submarinos na II Guerra, estava no lado oriental de Berlim, e esteve durante os anos da Guerra Fria em poder do governo da República Democrática Alemã, de regime socialista e aliada da União Soviética. Devido ao clima de antagonismo, o governo da Alemanha Oriental não compartilhava informações com as nações ocidentais. E, do lado de lá do muro, parece que tudo era restrito e reservado.
Após a queda do muro de Berlim, da reunificação da Alemanha e do surgimento e crescimento da internet, novos detalhes vieram à tona.
Finalmente, os pesquisadores da história naval puderam ter acesso aos arquivos do almirantado e o admirável apreço que os alemães sempre tiveram pelos registros históricos permitiu que muita coisa fosse esclarecida.
Com base num excelente levantamento feito pelo Gen da reserva Darcy Lázaro (FEB)(*) e nos dados do site U-BOAT.NET, pude ter a visão geral dos acontecimentos envolvendo nossos navios nos anos de 1942 a 1944.
O Brasil declarou guerra oficialmente à Alemanha e à Itália em 22 de agosto de 1942, quando já se contabilizavam as mortes de 607 brasileiros, em ataques de submarinos.
Porém antes mesmo da declaração de guerra, o Brasil permitiu a utilização de bases aéreas costeiras por aviões de patrulha da  marinha americana, que operaram a partir de  aeródromos em Natal, Fernando de Noronha, Recife e outros.

Os submarinos alemães do tipo IXC, maiores e de longo curso, eram os mais frequentes nas costas brasileiras. Com uma autonomia de 13.450 milhas náuticas a 10 nós, tinham um deslocamento de 1.120 t (superfície) e 1.232 t (submerso). Sua tripulação típica era de 48 a 56 homens e levavam 22 torpedos, que podiam ser disparados por 6 tubos, 4 na proa e 2 na popa. (Clique p/ampliar)

Nada menos de 21 submarinos alemães e 2 italianos participaram de ações ofensivas contra navios brasileiros. Os submarinos alemães que operaram na costa brasileira eram do tipo IXC (nove-c), maior e com maior autonomia, mas na costa americana e no Caribe, também surgiam os do tipo VIIC (sete-c), menores e com alcance mais curto.
Esses submarinos, no período entre fevereiro de 1942 e julho de 1944, afundaram nada menos de 35 navios brasileiros! Os primeiros foram no Caribe e em águas dos EUA, consideradas sob bloqueio naval pelos alemães.
O recordista foi o U-507, que, operando na costa do nordeste brasileiro sob o comando do capitão-de-corveta Harro Schacht, afundou 6 navios brasileiros num período de apenas quatro dias, de 16 à 19 de agosto de 1942 !

No comando do U-507, o capitão-de-corveta Harro Schacht afundou 6 navios brasileiros em 4 dias. Seu escore final foi de 19 navios, num total de 77.143 t ! Em 13-jan-1943, o U-507 foi afundado a noroeste de Natal-RN, por cargas de profundidade lançadas por um avião de patrulha Catalina PBY americano. Não houve sobreviventes.

E ainda teve a triste história de um pequeno barco de pesca de 20 toneladas, o Changrilá (Shangri-Lá), canhoneado pelo submarino U-199, em 22 de julho de 1943 ao largo de Cabo Frio (RJ), com a morte de seus dez tripulantes, metralhados para que não revelassem a presença do submarino!
Como na ocasião não foram encontrados os corpos, apenas alguns destroços, o desaparecimento deste barco permaneceu um mistério até 1999!
Mas, em 31 de julho de 1943, o U-199, do novo modelo IXD2 (nove-d2), foi localizado na superfície, ao largo do Rio de Janeiro, por dois aviões-patrulha que davam cobertura a um comboio marítimo, um Martin Mariner PBM americano e um Lockheed Hudson A-28 da FAB. 
 
Anjo vingador: o Consolidated Catalina PBY da FAB que pôs a pique o U-199 foi mais tarde batizado como ARARÁ, nome de um dos navios torpedeados pelo U-507 em 1942.

Os dois aviões metralharam e lançaram cargas de profundidade. O submarino teve o leme de profundidade danificado, ficando impedido de mergulhar, mas navegava a todo o vapor na superfície, tentando escapar. Os atacantes haviam esgotado suas bombas. Então, surgiu o reforço de outro avião-patrulha, um Consolidated Catalina PBY da FAB, que, num ataque fulminante, atingiu a belonave alemã em cheio com três cargas de profundidade. 
Segundo consta na narrativa do aviador brasileiro, corroborado pelo relatório do piloto do avião americano, que assistiu a tudo, as cargas detonaram em torno e sob o submarino, com tanta violência que sua proa saltou fora d'água, e ele começou a afundar rapidamente, levando consigo 49 tripulantes.

Fotos desta ação e outros dados sobre o afundamento podem ser encontradas em:


O veterano piloto do 1º Grupo de Caça Alberto Martins Torres (falecido em 2001), ainda aspirante-a-oficial, pilotava o Catalina, e narrou este episódio com detalhes no seu livro OVERNIGHT TAPACHULA.
Doze homens do U-199 sobreviveram e foram capturados, inclusive seu comandante, o capitão-tenente Hans-Werner Kraus. Todos foram recolhidos pelo destróier americano U.S.S. Barnegat e levados primeiro para o Brasil e posteriormente para os EUA como prisioneiros. 
Lá, durante interrogatório, revelaram a história do ataque ao Changrilá, que no Brasil fora dado como desaparecido. Devido ao sigilo sobre os dados do interrogatório, somente em 1999 foi reaberto e encerrado o processo de investigação sobre o desaparecimento do pesqueiro e de seus tripulantes, arquivado em 1945.
E assim, em 2004 os nomes dos tripulantes mortos no Changrilá foram incluídos no Panteão Nacional, já que durante a guerra, a frota pesqueira era considerada oficialmente uma força auxiliar da Marinha do Brasil, no serviço de patrulha marítima costeira.
Desta forma, hoje eu sei com base em informações confirmadas, a identificação de cada submarino que afundou algum navio brasileiro, quem era o seu comandante e qual o fim dado ao submarino. Pena que não posso mais tirar as dúvidas do meu tio, que já se foi...

(*) - Gen. R/R Darcy Lázaro (FEB), Assoc. Ex-Combatentes, Seção Paraná, citado por Diniz Esteves, pesquisador


Nota 1:
Enquanto estava nos retoques finais deste post, recebo da querida amiga Sandra uma notícia do jornal ZERO HORA de Porto Alegre:

A família Schürmann encontrou nesta quinta-feira (14-jul-2011), no Litoral Norte de Santa Catarina, o submarino alemão U-513, naufragado em 19 de julho de 1943. Ele foi encontrado a 75 metros de profundidade.Foram dois anos de buscas, até encontrar a embarcação nazista conhecida como Lobo Solitário. 

Link para a notícia completa:

[Cabe esclarecer que os submarinos (chamados pelos alemães de "lobos cinzentos"), utilizavam uma tática chamada "alcatéia" , onde o primeiro que localizasse um comboio naval transmitia em código sua posição e rumo, e outros submarinos que estivessem nas proximidades se reuniam, acompanhando o comboio até uma hora propícia, às vezes à noite, atacando todos ao mesmo tempo, afundando diversos navios e se dispersando para não serem alcançados pelos navios de escolta. Os submarinos que operavam isolados é que eram chamados "lobos solitários".]

Nota 2:
A querida amiga Carla me enviou links para o site: Gracindo - Conhecendo a História de Aracaju, onde o autor fala sobre o Cemitério dos Náufragos, criado em Aracaju (Sergipe), para enterrar os corpos das vítimas de três dos navios torpedeados pelo submarino U-507, que chegaram à uma praia local (hoje chamada Praia dos Náufragos) em tão grande número que não havia como transporta-los adequadamente para um cemitério oficial.
Veja em:
http://conhecendocesad.blogspot.com/2011/06/visita-ao-cemiterio-dos-naufragos.html
e
http://conhecendocesad.blogspot.com/2011/06/cemiterio-dos-naufragos-manifestacao-e.html#comments

sexta-feira, 15 de julho de 2011

BREVE DIVAGAÇÃO SOBRE O DESTINO

Existe mesmo alguma coisa como “destino traçado”?
Se existe, e está traçado mesmo, então vai ser assim de qualquer jeito!
Como está provado "cientificamente" pelos filmes "sérios" (Hehehehe!) de viagem no tempo, quando tentamos mudar o destino já consumado, nossa própria intervenção acaba por servir de instrumento para sua consumação! 
(Isto não vale para filmes como a série DE VOLTA PARA O FUTURO ou EFEITO BORBOLETA, onde a cada alteração, o personagem pula para um destino alternativo!)
Ou seja, de nada adianta tentarmos “mudar” um suposto destino. Se pensamos que o mudamos, é porque o que antevimos não era o nosso destino!
De qualquer forma, o resultado é o mesmo: nosso destino resultará de uma combinação dos nossos atos com outros eventos sobre os quais não temos nenhum controle!
Nem sempre "fazer tudo certo" é garantia de que tudo dará certo!
Por isto, muitas vezes nossos planos se vão por águas abaixo e as coisas tomam outros rumos, nem sempre piores do que os planejados e esperados como "ideais".
Na minha própria vida, desisti dos planos de longo e médio prazo há bastante tempo, em face das diversas reviravoltas pelas quais já passei.
Como posso saber como estaria, se meus planos tivessem sido cumpridos?
Impossível!
No cômputo final, para saber se a “mudança” no meu destino (na realidade, apenas uma mudança em relação aos meus planos) foi "boa" ou "má", tenho que avaliar o meu grau de satisfação com a minha situação atual!
E isto depende exclusivamente da minha postura em relação as necessidades que eu mesmo estabeleci para me sentir bem!
Se eu achar imprescindível ter uma Ferrari F40, uma casa em Ibiza, uma vila em Porto Fino, ou a Sandra Bullock me trazendo a café da manhã, vai ser difícil ficar satisfeito!
E até mesmo quem tem algumas dessas coisas pode estar igualmente insatisfeito!
Porém se eu me satisfizer com coisas mais simples, e aceitar com mais tolerância a ausência das coisas difíceis de alcançar, talvez eu possa ter momentos de prazer com mais frequência.
É claro que alguém vai argumentar: mas isso também é muita falta de ambição! Se você se satisfaz com qualquer porcaria, vai viver sempre na m...!
Pois bem, tudo vai em saber diferenciar quais coisas podem realmente ser alcançadas e quais podem ser definitivamente esquecidas.
Os grandes realizadores dirão que se deve agir como se tudo pudesse ser  alcançado, que só se chega ao "sucesso" aspirando sempre o máximo, sem se preocupar com a possibilidade de ficarmos pelo caminho.
Enfim, acho que esta escolha depende de cada um, em função de suas aspirações, de sua capacidade e de suas possibilidades!
Só não vale criticar alguém por ser ambicioso ou inversamente, por ser acomodado! Como dizia um colega meu: passarinho, quando come pedra, sabe o tamanho do seu próprio fiofó!

Calvin e Haroldo: atingir a satisfação pode depender do tamanho das nossas ambições (clique para ampliar).
(Publicado no jornal O Globo, há muito tempo.) 

segunda-feira, 11 de julho de 2011

TROCANDO EM MIÚDOS: O VENTO SOLAR


O SOL
O sol, no centro do nosso sistema solar, é como uma usina movida a fusão nuclear. Fusão nuclear ocorre quando dois ou mais núcleos atômicos se fundem, formando um novo núcleo de número atômico maior, ou seja, com maior número de prótons.

 O Sol, visto aqui com suas enormes erupções, produz continuamente, pelo processo de fusão nuclear, fantásticas quantidades de energia.

Este processo só ocorre em condições particulares e extremas e libera grande quantidade de energia, segundo a equação de equivalência massa-energia,  enunciada por Albert Einstein: E=mc2, onde “E” é a energia liberada, “m” a massa perdida (convertida) na reação, e “c” a velocidade da luz, aqui elevada ao quadrado.
A cada segundo, o Sol converte cerca de 700.000.000 de toneladas de hidrogênio em aproximadamente 695.000.000 toneladas de hélio, sendo 5.000.000 toneladas convertidas em energia, seguindo a fórmula da equação einsteiniana de equivalência.
Experimente calcular o quanto vai dar isto em termos de energia! Lembre que a velocidade da luz é de 299.792.458 metros por segundo. E na fórmula, ela entra elevada ao quadrado!

O VENTO SOLAR
Essa reação libera para o espaço em torno uma irradiação de plasma, composta de elétrons, prótons, partículas e subpartículas ionizadas. Os cientistas chamam esta irradiação de vento solar.
A velocidade da difusão deste fluxo de partículas é de aproximadamente 450 metros por segundo, quando oriundas das latitudes mais baixas,  próximas ao equador solar, mas dados obtidos através da sonda Ulysses mostram que as emissões originadas dos polos solares tem velocidades maiores, em torno de 750 m/s.

EFEITOS
No nosso planeta, os efeitos visíveis do vento solar são as interferências nas emissões de rádio e as auroras boreais.

 Aurora boreal, fotografada no Alaska no início de 2011: efeito do vento solar.
(Foto: flickr / Bevery & Pack)

Fora da Terra, o vento solar pode ser percebido pelas alterações nos campos magnéticos planetários (magnetosfera), e pelo alinhamento das caudas dos cometas, que ficam sempre no lado oposto ao que está voltado para o Sol.

 Passagem de um cometa pelo sistema solar: a cauda de gases ionizados (em azul) está sempre em oposição ao Sol e se torna mais longa quando se aproxima dele. A cauda formada pela poeira (amarela) também se alonga, mas está sempre mais próxima da trajetória percorrida pelo cometa.

(é comum as pessoas pensarem que as caudas dos cometas ficam para trás em relação ao sentido de seu deslocamento. Isto só seria verdade se o cometa estivesse rumando diretamente para o Sol.)

FICÇÃO-CIENTÍFICA
Em maio de 1963, o escritor de ficção-científica Arthur Charles Clarke publicou o conto O VENTO SOLAR (The Wind From the Sun), onde mostra as peripécias de uma corrida de “veleiros espaciais”, naves movidas por gigantescas velas impulsionadas pelo vento solar. Teoricamente, isto seria possível, já que há estudos sérios e propostas de usar o vento solar como meio auxiliar de propulsão para naves e sondas espaciais.

Capa da edição do Círculo do Livro da coletânea O VENTO SOLAR, de Arthur C. Clarke, com diversos contos, inclusive o que dá nome ao livro.

PROPOSTA PARA GERAÇÃO DE ENERGIA
Em 2010, Brooks Harrop, físico da Universidade Estadual de Washington, propôs que se aproveitasse o vento solar para gerar energia, por meio de captação através de um satélite artificial, já batizado como Dyson-Harrop.
O satélite proposto possuiria um longo loop metálico apontado para o Sol. Esse fio seria carregado para gerar um campo magnético cilíndrico suficiente para capturar os elétrons que representam metade dos componentes do vento solar.
Esses elétrons seriam afunilados rumo a um receptor metálico esférico para produzir uma corrente. Essa corrente, por sua vez, geraria o campo magnético do fio, tornando o sistema autossustentável.

 Na proposta de Harrop, estações na Terra receberiam energia através de um raio laser emitido pelo satélite coletor.

O excesso de corrente, além do necessário para manter o campo magnético, alimentaria um laser infravermelho apontado para antenas parabólicas instaladas no solo, projetadas para recolher a energia. Como o ar é transparente ao infravermelho, a atmosfera da Terra não consumiria nenhuma energia do feixe, que chegaria ao solo com potência total.
Um satélite relativamente pequeno, com a concepção Dyson-Harrop, utilizando um fio de cobre de 1 centímetro de diâmetro e com 300 metros de comprimento, usando um receptor de 2 metros de largura e uma vela solar de 10 metros de diâmetro, estacionário a meio caminho entre a Terra e o Sol, poderia gerar 1,7 megawatt -hora de potência, o suficiente para fornecer energia para 1.000 residências, pelos padrões dos EUA.
E, aumentando suas dimensões, com um fio de 1 quilômetro (km) de comprimento e uma vela solar de 8.400 km de comprimento(!), obteriamos uma potência de 1018 gigawatts-hora  (1gw=109 watts-hora) de potência! (*)
Segundo Harrop, que fez os cálculos juntamente com seu colega Dirk Schulze-Makuch, "Isso é, na verdade, 100 bilhões de vezes a energia que a humanidade gasta atualmente,".
Seria o caso de perguntar: por que então não usar como base proporções mais adequadas às necessidades?
Afirmou ele também que toda a tecnologia envolvida neste projeto já estaria disponível, não havendo nenhum impedimento para que o satélite fosse construído, e que o mesmo produzirá uma energia mais barata do que os painéis solares fotovoltaicos, já que o cobre necessário para o projeto custa bem menos do que as células solares.

INVIABILIDADES
Porém, os críticos da proposta afirmam que para gerar uma quantidade significativa de energia, os satélites Dyson-Harrop precisariam contar com o vento solar constante encontrado acima da eclíptica (o plano definido pela órbita da Terra em torno do Sol).
Isso quer dizer que o satélite teria que ficar a dezenas de milhões de quilômetros da Terra. Ao longo desta distância, mesmo um feixe de raio laser extremamente preciso apresentaria uma dispersão capaz de cobrir uma área com milhares de quilômetros de largura quando atingisse a Terra.
E um feixe de laser carregando dois megawatts, como o do projeto básico, espalhado por uma área tão grande, não teria qualquer utilidade, pois sua energia em um ponto qualquer seria menor do que a da luz do luar!
A solução para isso seria uma lente virtualmente perfeita medindo alguma coisa entre 10 e 100 quilômetros de diâmetro.
Entretanto, ao contrário das afirmações de Harrop, ainda não existe tal tecnologia e nem há qualquer estudo que demonstre que esta solução esteja disponível a curto prazo.

PROPULSÃO DE NAVES
John Mankins, presidente da empresa americana ARTEMIS INNOVATION, especializada em energia solar espacial, também sugere que podem haver outros problemas com o conceito de Harrop, e afirma que são necessários estudos para verificar se o anel de cobre aguentaria tanta energia sem fundir-se.

Ulysses:sonda-robô projetada para estudar o Sol, numa parceria da NASA com a ESA (European Space Agency).
 
Contudo, ele acha que a ideia de Harrop pode servir para para fornecer energia para naves espaciais, do porte da sonda Ulysses, que poderiam usar versões mais compactas do satélite Dyson-Harrop.

O PRESENTE
Enquanto nossos brilhantes cientistas pesquisam formas de aproveitar o vento solar, atualmente a única aplicação prática da energia solar ainda é na cara produção de energia por meio de células fotovoltaicas, ou nos práticos sistemas de aquecimento de água, além do uso gratuito das radiações ultravioleta no bronzeamento das belas frequentadoras de nossas praias!

Jovens cariocas aproveitam a radiação solar gratuita na Barra da Tiuca. Não precisam de satélite nenhum! Não esqueçam o filtro solar, hein? Se precisarem de ajuda...

(*) Me pareceram algo incoerentes as dimensões da vela, publicadas no artigo do Magazine New Scientist, pela desproporção em relação ao comprimento do fio e também por ser citado no modelo básico "10 metros de diametro" e no aumentado, "8.400 km de comprimento".

Sites de referência para este assunto:

sexta-feira, 8 de julho de 2011

UM ANO SE PASSOU...

Amigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves...

(trecho da letra da música CANÇÃO DA AMÉRICA, de Milton Nascimento e Fernando Brant)

Há pouco mais de um ano atrás, editar um blog me parecia algo impensável.
Jamais me passaria pela cabeça expor publicamente minhas ideias ou opiniões.
Entretanto, de vez em quando enviava para os amigos e parentes via correio eletrônico algumas maluquices ou opiniões sobre determinados assuntos.
Até que comecei a receber mensagens do meu amigo Jair sobre as postagens do blog dele, UM BLOG QUE PENSA.
Eu já sabia da vasta bagagem cultural do meu amigo, um leitor inveterado, que falava com bastante desenvoltura sobre fatos curiosos e pouco conhecidos.
Suas postagens seguiam uma linha bastante interessante e passamos a trocar mensagens debatendo com mais profundidade alguns assuntos já postados por ele. Além disso, meus comentários às vezes se estendiam bastante, talvez mais do que deveriam no blog alheio.
Daí, resolvi enviar a ele (e também ao amigo Barcellos) algumas coisas que eu tinha escrito para mim mesmo. Logo, ele começou a sugerir que eu criasse meu próprio blog. Eu, pela minha natureza um tanto crítica, achava que não seria lido por ninguém, ou que em determinado momento, não teria assunto para escrever.
Mas, o Barcellos, que estava reativando seu blog SETE RAMOS DE OLIVEIRA, além de começar a publicar na rede seus interessantes contos de ficção-científica, se juntou a ele me dando força, e eu acabei achando que, se dois caras assim estavam insistindo tanto, era mais provável que eles estivessem certos e não eu!
E assim, de uma hora para a outra, no dia 08 de julho de 2010, lancei O ASTERÓIDE  (Me disseram que não tem mais acento! Bobagem!  O que asteroide nunca teve foi assento! Já viram alguém sentado num asteroide?).
O nome foi decorrência de uma leitura que me deixou bastante impressionado, para não dizer assustado, sobre as possibilidades de nosso planeta ser atingido por um dos milhares de asteroides errantes que vagam pelo nosso sistema solar.
E também me influenciou a lembrança do asteroide B 612, lar de origem do Pequeno Príncipe, do genial Saint-Exupéry.
Minha primeira postagem foi sobre um fato que causou grande impressão na minha infância: a chegada à Porto Alegre dos bravos jangadeiros vindos do nordeste pelo mar afora, ao longo da imensa costa brasileira! O título foi UMA FAÇANHA ESQUECIDA.
Mas, o que eu não sabia era do envolvimento virtual que acaba acontecendo entre os blogueiros, e das amizades que surgem expontaneamente na blogsfera.
Todos ficamos conhecendo coisas de todos, pois inevitavelmente algumas coisas inerentes à personalidade de cada um transparecem nas postagens e comentários.
Meus primeiros leitores e comentaristas foram, é claro, Jair e Barcellos, além de meus familiares e amigos pessoais. Mas, principalmente através da divulgação nos blogs destes dois, fui aos poucos recebendo mais pessoas com paciência suficiente para ler minhas histórias e opiniões.
E acabei conhecendo virtualmente outras pessoas que hoje são importantes e presentes na minha vida.
Para falar a verdade, creio que minha vida seria no mínimo bem menos interessante sem a presença dessas pessoas com quem interajo nesta blogsfera!
São eles (vocês) que me enchem de satisfação quando leio suas postagens ou quando comentam as minhas mal traçadas linhas!
Algumas pessoas com quem nunca tive contato no mundo "material" hoje me parecem tão familiares como se tivessem sido colegas de infância.
Convivemos momentos difíceis, sentimentos de desalento, alegria, euforia, insegurança, angústia, carinho e descontração.
Tem aquela solidariedade quando alguém do grupo está meio por baixo, com mobilização para dar "tapinhas virtuais" nas costas, mensagens positivas e elevação de astral.
Essas pessoas são como espíritos para um médium, pois não os vejo mas me conscientizo da sua existência quando recebo manifestações das suas presenças, através da blogsfera.
Hoje, no aniversário da primeira postagem deste blog, quero  agradecer a todos vocês, que me inspiraram e continuam me motivando com suas postagens, com seus comentários ou mesmo com sua visita.

MUITO OBRIGADO!
MUCHAS GRACIAS!
MERCI BEAUCOUP!
THANK YOU!
GRAZIE MILLE!
DANKE!
ARIGATÔ!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

PIERRE CLOSTERMANN - UM CURITIBANO NA RAF

Nascido no Brasil, mas de nacionalidade francesa,  por ser filho do banqueiro francês Jacques Clostermann, que morava no Brasil, Pierre Henri Clostermann foi  o maior ás da aviação de caça francesa na II Guerra Mundial.
Pierre nasceu em Curitiba, em 28 de fevereiro de 1921.  Estudou no Brasil e pouco antes do início da II Guerra Mundial, foi para os EUA, cursar Engenharia Aeronáutica. Em 1940, após a queda da França, ele abandonou os estudos de engenharia e embarcou para a Inglaterra, onde cursou uma escola de pilotos militares, como voluntário pelos “Franceses Livres” do General  Charles De Gaulle.
Graduado como sargento-piloto, na Real Força Aérea Inglesa (Royal Air Force - RAF), a princípio fez parte da formação do esquadrão 341,chamado Grupo Alsácia, uma unidade formada exclusivamente por aviadores franceses.

Em julho de 1944, numa breve e discreta cerimônia num aeródromo provisório em território francês, Pierre Clostermann é condecorado pelo sorridente Ministro da Aeronáutica Britânico, Sir Archibald Sinclair, com a Distinguished Flying Cross (DFC). 
(Foto do livro O GRANDE CIRCO.)

Em julho de 1943, obteve suas primeiras vitórias, abatendo dois caças alemães Focke-Wulf FW-190 numa mesma missão.
Porém, envolveu-se em um nebuloso episódio, durante uma missão onde era o  avião-ala, encarregado de proteger a retaguarda do comandante da unidade, o lendário René Mouchotte, o primeiro não-britânico a comandar uma unidade da RAF. Segundo sua própria narrativa, ele perdeu contato visual com o seu líder , após este ter feito uma manobra muito radical, e envolveu-se em combate individual com caças alemães, abatendo um deles. Mais tarde, ouviu-se pelo rádio a voz de Mouchotte, comunicando estar sem cobertura, sob ataque inimigo. Mouchotte acabou sendo abatido e morto neste combate, enquanto Clostermann obtinha mais uma vitória.
Depois disso, parece que o clima ficou desfavorável para ele, no Grupo Alsácia, e Clostermann foi transferido para outro esquadrão da RAF, passando a voar junto com pilotos ingleses.
Ele participou da fase final da guerra e, pilotando caças Supermarine Spitfire e  Hawker Tempest, abateu confirmados 23 aviões alemães, além de nove prováveis, sem contar aviões, tanques, viaturas militares e outros alvos destruídos no solo. No seu livro, os registros são expostos de forma mais completa, porém, isto ainda geraria muita discussão, em épocas mais recentes.
Por estes feitos, recebeu a Distinguished Flying Cross (DFC), a mais alta condecoração aeronáutica inglesa, além de diversas outras, inclusive comendas americanas e francesas, como a Legião de Honra (mais tarde, recebeu do Brasil a Ordem do Mérito Santos-Dumont).
Ao final do conflito, ele comandava uma ala(wing) inteira da RAF, e tinha a função e posto de wing-commander (tenente-coronel), mas foi integrado na Armée de l'Air (Força Aérea Francesa) como primeiro-tenente, como "deferência especial", pois sua formação fora apenas como sargento ao ingressar na atividade aérea, e ele não havia concluído o curso superior.

Ao final da guerra, Pierre Clostermann se despede do seu Hawker Tempest V, batizado "Le Grand Charles" em homenagem a Charles De Gaulle, líder dos "Franceses Livres". As cruzes sem o fundo preto representam aviões alemães provavelmente abatidos, mas ainda não homologados como tal. (Foto do livro O GRANDE CIRCO.)

Isto o deixou aborrecido e ele solicitou sua desmobilização imediata da Armée de L'Air!
Em 1948, colocou partes de seu diário de guerra num livro considerado pela crítica especializada como a melhor narrativa dos combates aéreos da II Guerra, Le Grand Cirque, publicado no Brasil pela Ed. Flamboyant nos anos 60, com o título O Grande Circo. Possuo ambas as edições, a francesa e a brasileira.
O Grande Circo foi meu livro de cabeceira na adolescência. Passei bons momentos "voando" nas páginas deste livro, espiando sobre o ombro de Pierre Clostermann, enquanto ele disparava os canhões de seu potente Hawker Tempest contra os  caças Me-109 e FW-190 alemães.
Depois, Clostermann escreveu também o livro Fogo No Céu (original: Feux du Ciel) - Ed. Flamboyant -1966, onde conta episódios baseados em atividades aéreas de outros pilotos, em diversos teatros de operações aéreas da II Guerra.
Clostermann concluiu seu curso de Engenharia Aeronáutica, e ainda voltou a voar anos depois pela Armée de L'Air, na guerra contra a Argélia, o que rendeu mais um livro: Episódios da Guerra Aérea Na Argélia (Ed. Flamboyant) e além disto, teve sua patente de guerra reconhecida, sendo reformado como coronel.
Mais tarde, exerceu cargos na indústria aeronáutica, nas empresas Max Holste e na divisão francesa da Cessna Aircraft  Company. Entrou também na política e uma de suas ações, como parlamentar ligado à indústria aeronáutica francesa, foi tentar obstruir a aquisição de aeronaves brasileiras pela Armée de L'Air, na década de 80!  Assim, meu herói virou vilão! Contudo, estava defendendo os legítimos interesses do seu país!
Mas o ás francês falhou em abater os Xingus e Tucanos da EMBRAER,  usados até hoje pela Armée de L'Air!
Touché, Pierre !

Embraer 121 Xingu: assim como o Embraer 312F Tucano, até hoje operado pela Armée de L'Air, apesar do lobby contrário de Clostermann. (Foto: Stéphane Pichard - AIRLINERS.NET)
Em 2004, a editora brasileira Adler, especializada em livros e gravuras  sobre aviação, promoveu, com apoio da Força Aérea Brasileira, um encontro na França,  de Pierre Clostermann com pilotos veteranos do 1º Grupo de Caça da FAB, que também atuaram na II Guerra. Nesta ocasião, o piloto francês autografou uma série de gravuras dos aviões voados por ele, emitidas pela editora.
Durante a guerra das Malvinas,  ele elogiou a coragem e os feitos dos pilotos argentinos, alguns ex-alunos de seu filho, também piloto militar, com quem aprenderam a pilotar os aviões Mirage. Isto lhe custou diversos ataques por parte de alguns jornais ingleses, que questionaram suas vitórias e condecorações inglesas, obtidas na II Guerra.
Mas tudo não passou de uma série de equívocos,  usando como pretexto os critérios diferentes para classificação de “vitórias”, segundo padrões da RAF e da Armée de L'Air.
Pierre Clostermann faleceu em 22 de março de 2006 em Montesquieu-des-Albéres, na França.

Notas adicionais:

1 - Existem versões diferentes sobre o período da vida de Pierre Clostermann nos anos  compreendidos entre seu nascimento e o início da II Guerra Mundial. A versão que eu apresento é a que consta na contracapa da edição brasileira de O GRANDE CIRCO. 

2 - Sobre seu pai, a Wikipédia o menciona como diplomata, mas ele só exerceu as funções de Consul Geral da França no Brasil no pós-guerra, no período entre 16 de outubro de 1949 a 31 de maio de 1954.

3 - Na edição original  francesa do livro Le Grand Cirque, havia uma foto de um jovem oficial alemão, equivocadamente legendada como sendo do aviador e ás austríaco Walter Nowotny. Na edição brasileira de 1966, esta foto já havia sido suprimida.

4 - Sobre Walter Nowotny, nas edições que possuo, há outro equívoco, no capítulo dedicado a ele, onde são citadas as circunstâncis sobre a sua morte. Este assunto é abordado na postagem: QUEM ABATEU O ÁS NOWOTNY? (Clique no título para acessar).