FRASE:

FRASE:

"Se deres um peixe a um homem, vais alimenta-lo por um dia; se o ensinares a pescar, vais alimenta-lo a vida toda."

(Lao-Tsé, filósofo chinês do séc. IV a.c.)

sábado, 19 de março de 2011

ENTRANDO NO ESQUEMA...MEME LITERÁRIO

Eu já falei esta semana mesmo, num comentário para a Milene que "não sou muito chegado a questionários, pois nem sempre as perguntas são as certas..."

Mas, não é que a Aymée Lucass (Os InVerSos dEnTROoo De MiM) me botou nessa?


Segundo consta, aceitando o esquema, eu teria que responder às perguntinhas e atender às solicitações do selo acima!

Então lá vai:

1 -  Existe um livro que você leria muitas e muitas vezes sem se cansar? Qual?

Não! Ainda não achei um livro que eu leria muitas vezes sem me cansar. Entretanto, eu gosto de reler trechos de livros, para reavivar passagens que ficaram meio apagadas na memória.

2 -  Se você pudesse escolher apenas um livro para ler o resto de sua vida, qual escolheria?

Pô! Apenas um livro para ler o resto da vida? Eu escolheria talvez Ten Faces of the Universe (nunca achei traduzido), de Fred Hoyle, que tem diversas visões do nosso universo, como por exemplo, a dos matemáticos, a dos físicos, a visão teológica e outras, e apresenta ainda alternativas um tanto diferentes das consagradas pela ciência convencional para explicar certos fenômenos. O livro não é um "tijolão", mas em função da amplitude do assunto, e das perspectivas que ele abre, ficamos com muita coisa para pensar! Outra alternativa seria a Bíblia, que também tem muita coisa para se ler e pensar...Aliás, esta pergunta me fez lembrar de um filme recente que assisti, chamado O Livro de Eli!

3 - Indique um livro para que os outros possam ler! 

"Os outros" engloba uma grande variedade de pessoas, cada uma com seu gosto. Então tenho que escolher um bom livro (na minha opinião) e cujo assunto seja de interesse geral. Eu indicaria Esta Noite a Liberdade, de Dominique Lapierre e Larry Collins, um livro muito bem pesquisado, que nos leva para a Índia, logo após a II Guerra Mundial, prestes a conquistar sua independência, nos mostra a atmosfera caótica reinante no país e as circunstâncias que cercaram o assassinato do grande líder pacifista Mohandas Karamchand Gandhi, conhecido como o Mahatma Gandhi.

4 - Indique 10 blogs para responder este Meme.

Me perdoem, mas esta eu vou passar! Falta-me coragem para "passar esssa bola" adiante. Assim, parece uma corrente, e eu sou o maior quebrador de correntes da Web! Sorry!

5 - Linke o blog que te indicou.

Isto eu já fiz, lá no início da postagem (segundo parágrafo)!
Encerrando o meu depoimento, nada mais disse nem me foi perguntado...

Byyye!

terça-feira, 15 de março de 2011

TROCANDO EM MIÚDOS: ESCALA RICHTER

Às vezes, eu tento explicar uma coisa de forma "acessível". Acabo omitindo ou confundindo as coisas ou complicando demais e me tornando repetitivo. Depois, tenho que "enxugar" o texto. Mas, desta, vez, vou tentar ser direto.
Nesses dias temos visto diariamente nos noticiários as tristes notícias vindas do Japão, onde na sexta-feira, 11 de março de 2011, um terremoto considerado o mais violento em 140 anos provocou como efeito colateral um tsunâmi, ocasionando um número crescente de vítimas confirmadas. 
Uma das coisas mais comentadas no noticiário foi a magnitude deste abalo sísmico.
As medições apontaram para um valor de 8.9 na Escala Richter. Mas o terremoto principal foi seguido por outros abalos secundários, tendo o desta segunda-feira 13 de março, atingido 6.2 na Escala Richter. Mas, o que significam esses números?
A escala Richter é comparativa. Foi criada em 1935 pelo americano Charles F. Richter. Os terremotos são medidos por aparelhos chamados sismógrafos, que traçam sobre uma bobina de papel graduado a intensidade dos abalos.

O sismógrafo registra na bobina as vibrações causadas pelos abalos sísmicos.

Na escala Richter, cada graduação corresponde em magnitude à uma potência de 10. Em um gráfico, o eixo dos X é representado pelas unidades da escala Richter e o eixo dos Y é o resultado da projeção de X sobre uma curva exponencial de base 10.
Trocando em miúdos, esta tabela deve esclarecer o significado real da escala Richter!
Valor na Escala Richter
Valor de Y numa curva exponencial de base 10
Magnitude
Resultante
0
100
1
1
101
10
2
102
100
3
103
1000
4
104
10000
5
105
100000
6
106
1000000
7
107
10000000
8
108
100000000
9
109
1000000000

Como podemos ver, se um terremoto B é um grau acima de um terremoto A, na escala Richter, isto significa que B é dez vezes mais forte que A.
O quadro abaixo, apresentado pelo professor EVERTON LIMA, no site Portal Impacto, mostra a classificação dos terremotos em função de seus efeitos físicos:

(Clique para ampliar.)
Quem quiser uma explicação mais extensa sobre abalos sísmicos em linguagem acessível, pode acessar o site Portal Impacto em: 
 

sábado, 12 de março de 2011

RECORDANDO: A(s) PRIMEIRA(s) PROFESSORA(s)

À todas aquelas que assumiram a mais nobre das missões.


Na minha época de menino, na Porto Alegre da década de 1950, só se entrava para a escola com 7 anos completos.
Mas, eu, acho que desde os 4 anos, vivia chateando minhas queridas irmãs, pedindo que lessem para mim as histórias em quadrinhos do Pato Donald e do camundongo Mickey, meus primeiros ídolos.  Na hora do almoço, era infalível: tinha que ter uma revistinha como acompanhamento da refeição!
Minha irmã mais velha, com 15 anos a mais do que eu, era uma espécie de tutora e teve uma influência fundamental na minha vida. Quando completei 6 anos, ela, em função da minha ansiedade em aprender a ler e como uma preparação para a escola que viria no ano seguinte, me apresentou formalmente às letras e números. Eu achei ótimo, pois assim pude começar a ler sem ajuda de ninguém as revistinhas de que eu tanto gostava. Mais tarde, as "vítimas" seriam as revistas Seleções do Reader's Digest, que ela comprava todo o mês.
Finalmente, com 7 anos, lá fui eu, rumo à Escola Paroquial Nossa Senhora Auxiliadora, que ficava no início da rua Silva Jardim, no bairro Auxiliadora, e dava os fundos para a Igreja N.S. Auxiliadora. O diretor de tudo era o vigário Leopoldo, um padre alto e de cabelos já totalmente brancos, que parecia sempre bem-humorado e tinha uma paciência infinita com as presepadas que os moleques maiores aprontavam. Ele  celebrou meu batizado, ministrou a minha primeira comunhão e casou minha irmã mais velha, antes de morrer atropelado por um caminhão sem freios, enquanto contemplava as obras da sua nova igreja.
Nosso uniforme era uma calça azul-marinho e uma camisa branca com listras azuis muito finas, e sapatos pretos, com meias brancas. No distintivo sobre o bolso da camisa ficavam as letras: E.P. (em cima) N.S.Auxiliadora (embaixo). Mais abaixo, depois do ponto final do bonde, ficava a uma escola publica. Naquela época, as escolas públicas primárias eram chamadas de Grupos Escolares. E aquela era o Grupo Escolar Visconde de Pelotas. As crianças usavam um guarda-pó branco e tinham a inscrição no braço: G.E. V.P. Os garotos de lá, quando cruzavam com o pessoal da minha escola, começavam logo a gozação, por causa do “E.P.”, gritando: “Esqueleto perfumado!”. Até minha irmã, que tinha estudado naquela escola, me dar a dica de que eles também tinham um apelido:  "vaca podre", por causa do “V.P.”! E assim, começamos a revidar os xingamentos!
Mas, na minha escola, nossa primeira professora para todas as matérias era a Dona Ferminda, uma senhora magra e séria, com cabelos pretos já meio grisalhos e uns óculos de lentes retangulares, sem aros. Confesso que dava um certo receio de encarar o seu olhar penetrante. Depois, fiquei sabendo que ela fora também professora das minhas irmãs.
Quando terminava de tocar a sineta para o início das aulas, cada aluno ficava de pé, perfilado ao lado de sua carteira, como uma tropa militar, até a entrada da professora, que então nos cumprimentava e mandava sentar. Quem chegasse atrasado, levava falta e ficava do lado de fora, aguardando o próximo intervalo! Sem bochincho! No final da aula, o mesmo ritual: de pé, perfilados, até a saída da professora!  Bons tempos, aqueles!
Desde o início, vimos que ela não era de brincadeiras. Como uma Rudy Giuliani portoalegrense, sua política era de tolerância zero! Não admitia nenhuma espécie de conversa durante as aulas, nem alunos distraídos, olhando para os lados enquanto ela falava!
Tinha olhos de águia, e ouvidos de morcego: se pegasse algum incauto conversando, sua paciência se esgotava rapidinho! Ela apontava o infeliz e bradava: “ Fulano, sai do banco!” o aluno levantava, saia para o corredor entre as carteiras enquanto ela completava: “Venha cá!”.
Às vezes, ela ia buscar o moleque pelo meio do caminho e, segurando-o pelos braços colados ao corpo, dava-lhe a sua famosa sacudida, como se estivesse exorcizando algum demônio! Segundo ela dizia, "uma boa sacudida faz um beeem para alunos distraídos..." Depois, colocava-o de cara para o quadro negro, onde ficaria até ela achar que a mensagem tinha sido captada!
Nunca ouvi falar que alguém discutisse os seus métodos disciplinares! Acho que ainda não tinha aparecido aquele tal de Piaget!
Enquanto isso, ficávamos recitando repetidamente as tabuadas, ou as combinações de consoantes e vogais. A entonação era musical, parecendo uma cantiga sacra: 7 X 7... 49!, 7 X 8...56!, 7 X 9...63!  Ou: B com A... BÁ!, B com E...BÊ!, B com I...BI!
Tudo sob a regência da nossa carrancuda e atenta maestra.
Sua dedicação ao ensino parecia ser integral, mas seu humor parecia sempre meio azedo.
Isto eu pensava, até ao dia da última entrega dos boletins, ao final do ano. Quando chamaram meu nome, eu fui à frente, recebi meu boletim e já ia saindo de fininho, mas ela me chamou e disse: “ Espera, Leonel! Quero apertar a tua mão!” Então, pela primeira vez, vi aquele rosto cansado se iluminar em um lindo sorriso, enquanto ela apertava com força minha mão entre as suas, me dando parabéns pelo 1° lugar!
Hoje, recordo com saudade minha irmã, que amaciou o meu caminho para as letras, e aquela dedicada e honesta senhora que dedicou grande parte da sua vida à nobre tarefa de ensinar crianças a se tornarem pessoas de bem, como ela própria era...
Seja onde estiverem, minhas queridas, estejam em paz...

sexta-feira, 11 de março de 2011

AGRADECIMENTOS!

Há três dias, atrás fui surpreendido ao ver na "Minha Lista de Blogs", uma postagem dirigida...a mim!
Quase caí duro ao ler as lindas palavras com que fui homenageado pela Sandra, editora do blog (clique)  DA JANELA DO GARDEN PLACE. Tanto que só agora me liguei em postar o devido agradecimento!

 Uma guria de bem com a vida!

Eu cheguei ao blog dela bem recentemente, levado até lá por uma postagem do símio mais sapiente da Web, o Xipan Zéca, avatar do super-herói Tatto, outro cara "arretado", como diriam os baianos.
Pois na postagem (clique)  O MACACO INDICA DE NÚMERO QUATRO, esse atuante membro da blogsfera indicava quatro blogs que na sua opinião, mereciam ser visitados. Todos na mosca! Vai indicar bem assim na selva, neto do General Urko! (Viu como eu confiro mesmo? Chute não cola comigo!)
Xipan Zéca: Vai indicar bem assim lá na selva, sô!

Mas, ao chegar ao DA JANELA DO GARDEN PLACE, percebi logo a imagem de um por-do-sol que me pareceu familiar e que depois confirmei ser mesmo sobre o Guaíba, o rio que virou estuário e que hoje é um lago que banha minha querida Porto Alegre.
Então, entrei logo no clima do GARDEN PLACE, um blog bem humorado na maior parte do tempo, mas que às vezes também tem lugar para coisas sérias e melancólicas.
E a simpática dona do campinho, "uma guria de bem com a vida" também encontrou afinidade com alguns dos meus comentários e postagens.
Muito obrigado, Sandra, para mim é uma honra merecer sua amizade!
Me sinto como o soldado Ryan no final do filme, quando lhe falaram: "Faça por merecer!"
Farei o possível!

terça-feira, 8 de março de 2011

CINEMA: A NAMORADINHA DA AMÉRICA

Hoje, Dia Internacional da Mulher (para mim, mulher não tem um dia, mas todos), vamos falar de uma que foi marcante na música e no cinema. Bem antes de Regina Duarte se tornar a namoradinha do Brasil, alguns foram buscar sua mulher ideal na namoradinha da América, DORIS DAY.

 Doris, muito jovem, já acumulava dois casamentos e um filho.
Nascida em Cincinnati, Ohio, em 3 de abril de...1922 (segundo a Wikipédia), ou 1924, segundo a maioria dos fã-clubes, a cantora e atriz americana Doris Mary Ann von Kappelhoff tornou-se inesquecível em comédias como Confidências À Meia-Noite (Pillow Talk - 1959), Volta, Meu Amor (Lover Come Back - 1961) e A Espiã de Calcinhas de Renda (Glass Bottom Boat - 1966), onde era sempre a mocinha de nariz arrebitado, graciosa, ingênua e cheia de boas intenções, que acabava sendo assediada por seus maliciosos parceiros Rock Hudson ou Rod Taylor !
Isto lhe valeu a falsa fama de intocável e o duvidoso apelido de “a eterna virgem”, apesar de ter sido casada quatro vezes. O humorista Groucho Marx chegou a dizer: “Conheci Doris Day quando ela ainda não era virgem”!
Mas Doris também soube atuar em filmes dramáticos como Ama-me ou Esquece-me (Love or Leave Me - 1955) e suspenses como Julie ( Julie – 1956), O Homem Que Sabia Demais (The Man Who Knew Too Much – 1957) e A Teia de Renda Negra ( Midnight Lace - 1960), num total de 45 filmes da sua carreira! Teve também um programa de TV, o Doris Day Show, apresentado nos EUA de 1968 a 1973 , tendo alguns episódios aparecido na TV brasileira, nos anos 70.
Quando foi contratada pela Metro Goldwyn-Mayer para o filme Julie, recebeu uma inusitada homenagem: na abertura do filme, o leão da Metro apareceu rosnando...de topete na juba, imitando o penteado da estrela!


Doris no auge da carreira: seu topete influenciou até o leão da Metro!
 
Doris começou sua carreira muito jovem, em Chicago, em 1940, cantando na banda do irmão do ator Bing Crosby, Bob. Mas logo se transferiu para a Banda de Les Brown. Aos 18 anos, casou-se com o trombonista Al Jordan, de outra banda. Foi com ele que Doris teve seu único filho Terry, falecido em 2004. Este casamento durou pouco mais de um ano. O segundo, com outro músico, o saxofonista George Weidler, em 1943, durou menos ainda!
Em 1948, já tendo feito aparições anônimas em três filmes, foi introduzida pelo compositor Sammy Cahnn para um teste na Warner Brothers, sendo aprovada para o papel de uma cantora no filme Romance em Alto Mar (Romance on the High Seas). E assim, começou sua longa carreira cinematográfica.
Fora das telas, sua linda voz interpretou muitos sucessos, como as melodias The Very Thought of You, Softly As I Leave You, Stardust, Secret Love,Tea For Two, Pillow Talk e muitas e muitas outras (mais de 600!), distribuidas em seus aproximadamente 50 álbuns e compilações, e outros tantos singles!

 Doris (d) em 2010, na inauguração de um pavilhão com seu nome no Laurel Canyon Dog Park, um parque para passeios com cães, em Los Angeles.

A linda garota que começou como vocalista de bandas dos anos 1940 atualmente é uma senhora octogenária que vive no feliz anonimato com seus cães  de estimação em Carmel, na Califórnia, dedica-se à causa de proteção aos animais, e para isto criou uma fundação, a Doris Day Pet Foundation, que atua em diversos estados americanos.

quinta-feira, 3 de março de 2011

FILME: O CISNE NEGRO

Eu me considero um "arqueologista" de filmes. Gosto mesmo é de desenterrar aquelas velharias dos anos 50/60 e não costumo comentar filmes com menos de 10 anos! Mas, estou abrindo uma exceção! 
Um drama atual sobre integrantes de um grupo de balé clássico não parece muito a minha praia, mas atendendo à sugestão de uma amiga, assisti e aqui estou comentando O Cisne Negro (Black Swan – EUA – 2010 – 108 min.), e tenho que admitir que este filme mereceu de fato as indicações, prêmios e elogios que recebeu pelo mundo a fora.
Eu estava preparado para uma história lenta e cheia de detalhes técnicos que só interessariam a quem é do ramo, mas trata-se de um excelente espetáculo, com doses bem equilibradas de suspense, terror e drama. Para mim, particularmente ótimo é o andamento, pois em momento algum me senti entediado, e sempre tem algo a acontecer.
O filme tem a direção de Darren Aronofsky e mostra a determinação da ingênua e perturbada bailarina clássica Nina Sayers (Natalie Portman, em grande atuação) na sua luta para conseguir o posto de personagem principal numa companhia novaiorquina de balé, para a montagem da peça O Lago dos Cisnes, de Tchaikovsky

 Nina Sayers (Natalie Portman): obcecada pela perfeição, mas cheia de grilos e xiliques. Portman mereceu o Oscar e os outros prêmios que recebeu.

Nesta peça, um certo príncipe Siegfried conhece a jovem Odette, que sob a ação do encanto de um bruxo, toma a forma de cisne durante o dia, só voltando a ser mulher à noite. Para quebrar o encanto, ela terá que conquistar o príncipe. Porém, se ele a trair, ela será um cisne para sempre. Mas, então entra na história outra mulher-cisne, Odile, mandada pelo bruxo para atrapalhar tudo. No balé, elas são o cisne branco e o cisne negro, uma alegoria ao bem e o mal, e disputam o coração do príncipe, que acaba se confundindo e traindo Odette.
Nina pretende representar ambos os cisnes, o bom e o mau. Ela busca a perfeição na sua interpretação, mas o diretor do balé, o arrogante Thomas Leroy (Vincent Cassel) acha que ela não é expontânea o suficiente. E ainda tem outra aspirante ao posto, Lily (Mila Kunis), tão decidida quanto ela a ser a estrela.
Nesta disputa, parece valer de tudo.
Para o diretor do balé, vale usar a escolha da protagonista como forma de barganha para obter favores sexuais das candidatas.
Para Lily, que também almeja o papel, vale se fazer de amiga, ou mesmo de amante, fofocar e até embebedar e drogar a competidora para tira-la do páreo. E, de quebra, ainda transar com o diretor.

O diretor do balé Thomas Leroy (V.Cassel) assediando Nina (N.Portman): pra ser a bailarina principal, tem que rebolar!

A ex-estrela destronada, a veterana e desbocada bailarina Beth McIntyre (Wynona Ryder), inconformada com sua aposentadoria forçada, despeja o seu vasto repertório de ofensas contra sua substituta Nina, a quem deseja todo o insucesso do mundo!
E, para completar, Nina ainda tem que aturar as perversões de sua própria mãe, a ex-bailarina desequilibrada Erica (Barbara Hershey), que quer interferir na sua vida.
Toda essa combinação de fatores acaba por causar uma tremenda confusão na cabeça da pobre Nina, que já não consegue mais distinguir entre suas alucinações e a realidade.
Em determinados momentos, a obsessão pela sua personagem chega ao ponto dela sentir crescerem penas de cisne pelo seu corpo, enquanto seus pés tomam a mesma forma que as patas da ave, numa assustadora metamorfose.
E, como na peça de Tchaikovsky, tudo se encaminha para um final trágico e surpreendente.
A magnífica atuação de Natalie Portman neste filme lhe valeu o Oscar 2010 da Academia de Cinema como Melhor Atriz, além do Globo de Ouro pelo mesmo papel. Também foi premiada pela Associação dos Críticos de Cinema e pelo Screen Actor's Guild Awards, além de receber vários outros prêmios, de diversas associações de cinema dos EUA e do exterior.
Quanto ao filme, apesar de ter recebido mais quatro indicações para o Oscar, não foi vencedor em nenhuma outra. Porém, recebeu o Globo de Ouro como Melhor Filme na Categoria Drama, Melhor Direção, e Melhor Atriz Coadjuvante para Mila Kunis, e foi premiadíssimo por diversos associações e órgãos do cinema americano e mundial.
Valeu a pena assistir!

terça-feira, 1 de março de 2011

O MONSTRO


O monstro está à espreita...
Tento impedir que o medo me domine, empunhando a arma com firmeza...
Ela deveria me dar segurança,
Mas não me sinto seguro...
Lá fora, não escuto nenhum ruído que me indique de onde ele virá...
Meu olhar prescruta as sombras, examinando as áreas de penumbra...
Mesmo apertando os olhos, não consigo distinguir o menor traço da sua presença...
Mas, um pressentimento me faz estremecer...
Mesmo sem vê-lo ou ouvi-lo, eu sinto a iminência de seu ataque!
Tardiamente, começo a perceber então algo que eu tinha medo até de pensar...
Não adianta empunhar armas nem se postar em guarda diante da entrada...
Porque o monstro não virá por aí...
Ele já está dentro!
Nada pode me salvar!
A escuridão onde ele se esconde não está lá fora, mas aqui dentro...
Não apenas dentro de meu abrigo, mas nos recantos sombrios da minha própria mente!
Mas, como ele entrou aí, se estive sempre em guarda para impedir sua entrada?
Na realidade, ele nunca entrou, mas sempre esteve aí...
Ele já nasceu comigo, e conviveu comigo em todos os meus momentos mais íntimos...
Sentiu comigo os prazeres e as dores da existência...
Aprendeu junto comigo sobre as sensações do mundo...
Sabe tudo sobre mim, conhece bem a minha natureza e as minhas fraquezas...
Pode prever minhas ações, reações e pensamentos...
Sua natureza é selvagem e irracional...
Ele não tem ódios, amores nem sentimentos como piedade ou medo!
Toda a sua energia está canalizada para atingir seu objetivo a qualquer preço,
Até mesmo à custa da aniquilação de outros ou de si mesmo...
Se tivesse olhos, seriam frios e inexpressivos como os de um tubarão...
Se me encarasse, eu não veria na sua face qualquer emoção...
Ele faz apenas o que seus instintos desenfreados lhe dizem...
Sua natureza é inconsequente...
Para ele, matar pode ser apenas mais uma etapa na sua busca...
Como pude conviver tanto tempo com ele sem me aperceber da sua presença?
Como pode ele ter convivido tanto tempo comigo sem criar nenhum laço de afinidade?
Quando me dominar, serei exatamente como ele...
Não sentirei qualquer piedade diante da dor e do desespero...
Tampouco me importarei com a agonia das vítimas...
Só o meu próprio fim poderá me libertar dele...
Agora, eu já posso senti-lo chegando...
Terei forças para usar a arma...?

Esta divagação foi inspirada no filme O Planeta Proibido, onde uma expedição científica interplanetária chega a um planeta deserto. Lá, encontram instalações que foram construídas por uma civilização extinta. Entre os artefatos encontrados, existe uma máquina que tem a capacidade de captar, amplificar e projetar a energia do cérebro, ocasionando efeitos físicos em qualquer lugar do planeta. Porém, ao usa-la, o cientista não percebe que a máquina processa também os componentes da psiquê humana, inclusive o ID, componente instintivo, amoral e selvagem que existe no subconsciente de todos nós, e que uma vez libertado, se torna um monstro que fará tudo para satisfazer seus instintos básicos, destruindo quem se colocar no seu caminho.
Eu assisti ao filme quando tinha 12 anos, e a a história me impressionou bastante, se tornando uma referência para mim, no gênero.

Eu já fiz referência a este filme em duas postagens:
e