FRASE:

FRASE:

"Se deres um peixe a um homem, vais alimenta-lo por um dia; se o ensinares a pescar, vais alimenta-lo a vida toda."

(Lao-Tsé, filósofo chinês do séc. IV a.c.)

quarta-feira, 16 de maio de 2012

DIVAGAÇÕES SOBRE O TEMPO



Estive pensando sobre o tempo...
Mas como se pode pensar numa coisa que não se vê, não se ouve, nem se pode tocar ou sentir?
O tempo não se percebe, ele só passa...
Mas, ele passa mesmo, ou somos nós que passamos por ele?
Afinal o que é o tempo?
Serão os intervalos entre os marcos que deixamos pelo caminho?
Ou será o tempo um enorme e infinito caminho que percorremos geração após geração...
Um caminho que já estava aí antes da primeira geração e que vai permanecer aqui depois da última?
Os seres humanos, tentando aprisionar ou rastrear o tempo, criaram os relógios...
E acabaram prisioneiros e reféns dos relógios, meros marcadores de intervalos...
O passar do tempo é relativo, um mesmo período medido por um relógio pode nos parecer muito longo ou muito curto, dependendo da nossa situação...
Para quem está numa fila de transplante de órgãos, cada dia pode parecer uma eternidade...
Para quem tem muitas coisas para fazer, as horas parecem passar com velocidade alucinante!
Nunca ouvi a narrativa de um condenado à morte sobre como foi seu último dia neste mundo.
Será que o dia passou como num instante?
Ou levou uma eternidade até a hora de receber a agulhada fatal, ou sentir o chão fugir sob seus pés, num cadafalso?
E, para um militar que foi fuzilado, quanto tempo se passou entre ouvir a ordem de “fogo!” e receber a mortal descarga de chumbo no peito?
Quem sabe a resposta não está mais nesta dimensão...
Não importa o que esteja acontecendo, cada evento ocupa seu quadro sequencial na linha do tempo...
Uma infinidade de eventos ocorrem simultaneamente, embora separados por outra dimensão, a do espaço...
Consta que quem está numa determinada dimensão pode ver inteiramente as dimensões inferiores...
Nós vivemos num universo de quatro dimensões: o espaço tridimensional, mais a quarta dimensão que é o tempo...
Podemos ver o universo unidimensional e simplificado de uma linha...
E descortinar o que é projetado nas duas dimensões que determinam um plano...
Sem dificuldade podemos projetar as formas de um objeto no espaço tridimensional...
Podemos até mesmo situar onde estará a cada variação de unidade arbitrária de tempo...
E isto me leva a pensar: já ouvi especulações científicas sérias sobre o número de dimensões que existem além da quarta...
Não posso imaginar como, alguém construiu fórmulas matemáticas que o levaram a concluir que haveriam onze dimensões, no total...
Outros já projetaram este número ao infinito...
Mas, como vale especular qualquer coisa, gosto de pensar que, se eu estivesse numa quinta dimensão, poderia ver toda a linha do tempo, estendida quadro a quadro como, como uma tirinha de histórias num jornal de domingo...
Ali estariam congelados na continuidade espaço-tempo, todos os eventos já ocorridos no universo, e também os que, em relação ao nosso “hoje” estão ainda por ocorrer...
E eu, magicamente, poderia inserir-me como espectador em cada hora e lugar escolhido, apertar a tecla “play”, e ver as coisas rodarem a partir dali...
Voar sobre o supercontinente Pangéia, antes da grande separação continental...
Ver uma terra diferente, com animais extintos perambulando por um mundo onde os humanos ainda nem sonhavam existir!
Poder ouvir o sermão da montanha, embora sem entender aramaico...
Presenciar a emoção de Magalhães, ao avistar o Oceano Pacífico do outro lado daquele tortuoso estreito no extremo das Américas...
Ver a frustração de Scott, ao encontrar a bandeira fincada por Amundsen no Polo Sul.
Assistir à reação de meus pais, ao saberem de minha iminente chegada...
Mas, perceberam a cilada?
Não estou falando sobre o tempo, mas sobre eventos!
Afinal, como falar sobre algo que não se pode ver, ouvir, sentir nem perceber?

Time goes by...

quinta-feira, 10 de maio de 2012

CLIPPERS - QUANDO VOAR ERA CHIQUE!


Por volta da década de 1930 do século passado, a empresa americana de transportes aéreos Pan American World Airways, mais conhecida como Pan Am(*), apresentou uma nova alternativa para os VIPs (celebridades), passageiros habituais de navios transatlânticos e dirigíveis, viajarem pelo mundo com conforto e velocidade: os “clippers” da era moderna!
 Um clipper (Sikorsky S-42) pousado no ancoradouro do Aeroporto Santos-Dumont, Rio de Janeiro, em 1939. 
(Foto: John Phillips - LIFE)
A palavra Clipper foi usada no século XIX para designar um tipo de veleiro mercante de grande porte, dotado de um formato de casco e combinação de velas que o tornavam muito veloz. O termo vem do verbo inglês to clip (avançar rapidamente). Esse tipo de navio foi utilizado pela primeira vez nos EUA, no final da Guerra de 1812.
 O Cutty Sark é o único clipper ainda existente no mundo. Construído em 1869, aparece aqui em foto recente, em Greenwhich, Londres. (Foto: Wikipédia)
Mas, os então modernos clippers aéreos da Pan Am eram enormes hidroaviões quadrimotores com grande autonomia, encomendados especialmente para esta finalidade, e preparados para oferecer o máximo de conforto e sofisticação para uma aeronave daquela época, em viagens de alcance global.
Clipper (Boeing B-314) decolando de Bowery Bay, NY, em 1940, para um voo até Lisboa. O B-314 foi o clipper com maior autonomia, capacidade e tamanho.
(foto:Bernard Hoffman - LIFE)
Claro que os custos ajudavam a selecionar o nível dos passageiros: segundo a Wikipédia, a passagem de S. Francisco a Hong-Kong (só de ida) em 1937 custava 950 dólares, que significariam em valores de 2010 algo como 14.700 dólares! (Ida-e-volta: US$ 1.710,00, ou seja, em 2010: US$ 26.400,00!)
Esses aviões eram o charme no transporte das celebridades de sua época, que durou de 1934 a 1946. Neste período, os clippers transportaram chefes de estado, magnatas, artistas e seus afins.
Os aviões tinham camarotes, salas de estar e restaurantes dotados com cozinhas e chefs de padrão 4 estrelas!
 
 Maio de 1940: os passageiros VIP desembarcam de um Clipper (Boeing B-314), num ancoradouro no Rio Tejo, em Lisboa, após a travessia de 23 h, enquanto os 11 tripulantes aguardam ao fundo.
(foto:Bernard Hoffman - LIFE)
Como os navios, os clippers da Pan Am tinham nomes individuais, inspirados nas rotas operadas pela empresa.
Os primeiros foram 3 aeronaves Sikorsky S-40, que entraram em operações entre outubro de 1931 e agosto de 1932.
Receberam os nomes American Clipper, Caribbean Clipper e Southern Clipper.
O S-40 levava 38 passageiros em etapas de até 500 millhas (804 km) ou 24 até seu alcance máximo de 900 millhas(1.448 km).
O voo inaugural foi feito no American Clipper, em 19 de novembro de 1931, de Miami (EUA) até Cristobal (Canal Zone, Panamá), com escalas em Kingston (Jamaica) e Barranquilla (Colombia).
O comandante do voo foi ninguém menos do que Charles Lindbergh, então conselheiro técnico da Pan Am.
A seguir, foram adquiridos mais 10 Sikorsky S-42, no período entre 1934 a 1937.
O S-42 tinha autonomia de 1.200 milhas (1.930 km) e transportava até 37 passageiros em viagens diurnas, ou 14 na configuração com cabines-dormitórios.
O primeiro deles recebeu o nome de Brazilian Clipper, mas depois foi renomeado Columbia Clipper, quando o nome Brazilian Clipper passou para o sexto avião deste tipo, recebido em 1936.
 O China Clipper (Martin M-130), em 1936.
(Foto:Peter Stackpole - LIFE)
À princípio, a viagem Miami-Rio era feita em 5 dias e 10 etapas, com escalas em Cuba, Haiti, São Domingos, Porto Rico, Trinidad, Guiana, Belém, Recife e Salvador. 
A próxima aeronave escolhida para integrar a frota foi o Martin M-130, do qual foram adquiridas 3 unidades, entre 1935 e 1936.
O M-130 tinha uma autonomia de 3.200 milhas (5.150 km) e, na configuração adotada pela empresa transportava 30 passageiros, acomodados em 3 cabines-dormitórios com 10 beliches cada uma, e uma sala de estar e jantar para 16 pessoas. 
Um deles se acidentou em Manilla (Filipinas) em 1938. Os dois sobreviventes foram vendidos para a marinha americana em 1942 e posteriormente destruídos em acidentes durante a II Guerra Mundial.
As cabines-dormitórios em um clipper Martin M-130.
Com estes aviões, a Pan Am estendeu novas rotas pelo mundo afora, alcançando até lugares distantes como Hong-Kong.
Finalmente o último tipo de hidroavião clipper foi o gigantesco Boeing B-314. Esses aviões eram superiores aos seus antecessores em todos os aspectos. Com uma autonomia de 3.500 milhas (5.632 km), eram capazes de transportar até 74 passageiros. Os B-314A tinham autonomia de 5.200 milhas (8.368 km)!
Doze aeronaves deste tipo foram adquiridos pela Pan Am, mas três deles repassados à companhia inglesa BOAC. Os outros 9 foram incorporados entre 1939 a 1941, sendo 6 do modelo B-314A. 
Voaram até 1946, quando os grandes hidroaviões de passageiros foram considerados obsoletos, incapazes de competir com os modernos aviões “terrestres”.
Após o final da II Guerra, a aviação de transporte civil se expandiu e se popularizou rapidamente, tornando os custos mais acessíveis aos mortais comuns.
Foi o fim da era charmosa e sofisticada dos grandes hidroaviões.
Embora novos aviões gigantescos como os Boeing Stratocruisers adquiridos pela empresa também fossem chamados clippers, já não eram mais tão exclusivos. 
A Pan Am faliu 1991, em consequência de problemas financeiros, agravados por um atentado terrorista que explodiu um de seus jumbos Boeing 747 sobre Lockerbie, na Escócia, em dezembro de 1988. Muitos acharam que a Pan Am poderia ter evitado o atentado, e a crise de insegurança que se abateu sobre a aviação mundial ajudou a afundar a empresa, que foi a maior companhia aérea dos EUA, enquanto existiu. Por tradição, os Boeing 747 da Pan Am também eram chamados "clippers". 

(*)Nada a ver com a Pan Am Clipper Connection, empresa de tarifas reduzidas que opera atualmente nas linhas domésticas dos EUA.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

OS ANÉIS DE SATURNO


Sumi uns dias deste blog por um motivo muito justo: estive afastado da Terra, explorando o meu lugar preferido: o espaço frio e silencioso.
Longe das CPIs, crises econômicas, engarrafamentos, tiroteios, emergências de hospitais e alunos que agridem professores...
Além do cinturão de asteróides, vendo o Sol como uma bolinha de tênis no céu, manobrando com cuidado, me aproximei de Saturno, o gigante que só perde para Júpiter em tamanho. Mas, tamanho não é documento, pois o gigante é fôfo: sua densidade é bem menor do que a da água, e boiaria se houvesse uma piscina grande o suficiente para conte-lo. Foi uma estadia agradável, vendo os cometas passarem ao longe e as estrelas brilhando claras como nunca.
Mas, enfim, estamos de volta e vou contar o que descobri sobre este lindo e misterioso planeta e seus anéis. Aqui vamos nós!
SATURNO:
Com um diâmetro médio de 120.536 km, é o segundo maior planeta do sistema solar. Apesar do seu tamanho, é essencialmente uma gigantesca bola de gás, sendo composto por 97% de hidrogênio, além de pequeno percentual de hélio, com um pequeno núcleo rochoso. Sua distância ao Sol varia de 9,02063224 a 10,05350840 UA (unidades astronômicas: 1 UA=150.000.000 de km.)

Saturno, em foto recente feita pela sonda Cassini.
(Foto: NASA.)

Mas o que sempre tornou Saturno um planeta peculiar e interessante para os estudantes e estudiosos foi o fato de possuir diversos anéis dispostos no espaço em torno do seu equador, além dos 61 satélites contabilizados até este momento. E uma interessante descoberta é que o maior dos seus satélites, Titã, tem até atmosfera, com predominância de nitrogênio (como a da Terra), e metano e etano em estado líquido na superfície!
OS ANÉIS: 
Os anéis de Saturno foram primeiro observados pelo astrônomo e cientista italiano Galileu Galilei em 1610, porém não foram reconhecidos como tal. A baixa qualidade dos telescópios da época levou Galileu a pensar que eram duas grandes luas em torno do planeta.
Só em 1659, o astrônomo holandês Christiaan Huygens percebeu que se tratavam de anéis, e em 1859, o físico inglês James Clerk Maxwell determinou por cálculos que deveriam ser compostos por milhões de pequenas partículas.
Na realidade, cada anel é formado por trilhões de partículas cujo tamanho varia desde o de um grão de poeira ao de uma casa.
Apesar de todos os outros planetas gigantes possuírem anéis, os de Saturno são os mais visíveis por serem mais refletivos, já que são praticamente 100% de gelo e também pela elevada concentração das partículas por unidade de área.
Os anéis saturnianos se estendem até uma distância de 302.500 km de diâmetro, quase 2/3 da distância da Terra à Lua.
Estima-se que sua espessura varie de 10 a 70 metros.
Somente os anéis A, B e C são visíveis da Terra. Os outros só foram descobertos e documentados pela nave Pioneer 11 e pelas duas sondas Voyager.
As primeiras fotos detalhadas dos anéis foram feitas por uma sonda Voyager em 1980.

 Nesta figura de perfil, podemos identificar a distribuição dos anéis do planeta.
(Clique para ampliar)
Os 7 principais anéis são identificados pelas sete primeiras letras do alfabeto, mas na ordem em que foram descobertos (A, B, C, D, E, F, G). G só foi descoberto em 1980.
AS DIVISÕES:
Entre os anéis também existem lacunas, separando-os. As maiores são as chamadas Divisão de Cassini e Divisão de Encke.
A Divisão de Cassini é uma área escura de cerca de 5.000 km de largura, entre os anéis A e B, descoberta pelo astrônomo italiano Giovanni Domenico Cassini em 1675.
A Divisão de Encke foi descoberta em 1837 pelo astrônomo alemão Johann Franz Encke, e separa o anel A em duas seções.

 Partículas congeladas de tamanhos variados formam os anéis de Saturno.
(Arte:W. K. Hartmann - Nature)
Só a gigantesca força gravitacional de Saturno mantém as partículas em órbita, mesmo com os impactos entre elas. Mas cada partícula também tem sua própria gravidade.
As partículas das órbitas mais próximas são mais rápidas, e orbitam a mais de 48.000 km/h. Do contrário, se precipitariam sobre o planeta.
Na medida que as órbitas são mais afastadas do planeta, as velocidades são menores. Esta diferença de velocidade em função do afastamento impede que as partículas se aglutinem formando corpos mais compactos.
Como suas órbitas não são exatamente paralelas, há um entrechoque contínuo entre as partículas, gerando mais desvios e mais colisões.
Galileo se surpreendeu ao ver os anéis sumirem misteriosamente, dois anos após tê-los descoberto, ressurgindo algum tempo depois.
Isto acontece duas vezes durante os 30 anos terrestres do “ano saturniano”, enquanto ele completa sua volta em torno do Sol. Nestas ocasiões, a mudança do ângulo de inclinação em relação à Terra faz com que os anéis fiquem de perfil, e sua pequena espessura os torna praticamente invisíveis.
ORIGEM:
A origem dos anéis fica apenas no domínio das hipóteses: existem duas teorias mais aceitas pelos astrônomos.
Uma delas sugere que os anéis seriam restos do mesmo material que formou o planeta, há aproximadamente 4,5 bilhões de anos.
A outra propõe que os anéis se formaram há “apenas” 100.000.000 de anos. As partículas teriam se originado de uma colisão nas proximidades do planeta, entre talvez um asteroide e uma de suas luas, ou mesmo pela desintegração de uma das luas originais, em função da atração gravitacional de Saturno.
SONDA CASSINI: 
Lançada em 1997, foi a maior sonda lançada pela NASA. É do tamanho aproximado de um micro-ônibus e 1º de julho de 2004, entrou em órbita em torno de Saturno, de onde desde então tem enviado excelentes fotos do planeta e de seus satélites e anéis. Em 25 de dezembro de 2004, lançou a sonda Huygens, que pousou em Titã, a maior lua do planeta, em 14 de janeiro de 2005.

A sonda Cassini ainda permanece na órbita de Saturno. Sua missão inicial de 4 anos já foi estendida por duas vezes, e a NASA acompanha seus passos diariamente.
A sonda Cassini revelou que os anéis não são tão estáveis e podem ser percorridos por ondulações de mais de 1,5 km! Estas ondulações em um dos anéis externos são provocadas pela “maré” gravitacional de Daphne, uma de suas luas.
Cassini continua explorando os anéis e satélites de Saturno, e enviando informações para a NASA
"LUAS PASTORAS":
Alguns dos satélites de Saturno orbitam dentro do seu sistema de anéis. Pan orbita na Divisão de Encke; Prometeu e Atlas, na lacuna entre os anéis A e F; Pandora, externamente ao anel F; Epimeteo e Jano, a aproximadamente 9.000 km além de Pandora; Mimas orbita em torno de 17.000 km além do anel G; Encelado, a uns 28.000 km da borda interna do anel E e Tétis, Calipso e Telesto, numa faixa afastada mais 57.000 km, a cerca de 7.500 km da borda externa do anel E.
O papel das luas mais próximas nos anéis criou a classificação de algumas delas como “luas pastoras”, responsáveis pela forma e comportamento dos mesmos. Prometeu e Pandora mantém a forma do anel F, cada uma de um lado, como pastores escoltando um rebanho, no caso, as partículas do anel...
E tudo indica que outras luas também façam o mesmo papel em relação a outros anéis...

domingo, 22 de abril de 2012

DESVENTURAS TELEFÔNICAS


Uma bela manhã de domingo na Cidade Maravilhosa...
Quero dizer, “bela” de acordo com as minhas preferências, um tanto diferentes das eleitas pela maioria dos habitantes locais.
O céu está num belo tom cinza chumbo, e a temperatura, estabilizada em torno de 23° C, ao invés dos habituais 35° a 37° C da semana que passou. E ocasionais chuvas caem mansa e aleatoriamente pelos bairros. 
Eu devia morar na Inglaterra, tão abominada por Nelson Piquet pelo seu clima nevoento e frio (para não falar do conceito dele sobre as mulheres inglesas).
Mas, em meio a esta calma e placidez, depois que os gritos do papagaio da vizinha me avisam que já passa das sete, me sinto capaz de fazer o que precisa ser feito.
Desde ontem à tarde, percebi que meu telefone fixo estava mudo. Como estava ocupado a tarde toda com o profissional que estava consertando a minha bomba d'água, deixei para ver se consertavam as linhas sem minha intervenção. 
Mas, como pela manhã o velho Graham Bell ainda não acusasse sinais de vida, resolvi questionar a operadora. Eu tinha duas alternativas: o celular e o telefone conjugado com a TV a cabo, produto de uma venda casada, numa união impossível de ser desfeita, sob pena de aumentar o preço total da mensalidade!
Bem, comecei usando a linha da operadora de TV. Disquei, e atendeu uma voz que se identificou com um nome, como se fosse outro ser humano...Mas era apenas um computador! Gentilmente (como os computadores falantes são gentis!), enquanto eu derramava uma enxurrada de palavrões pelo desrespeito e descumprimento das normas, ele pediu que eu digitasse o DDD+ meu número de telefone. Após ter repetido esta operação três vezes, sem que ele conseguisse identificar o número discado, minha paciência se esgotou, eu desliguei e redisquei. 
Bem, desta vez, o telefone da TV (talvez temendo a concorrência) se recusou terminantemente a fazer a ligação. Para resumir, parecia estar bloqueado! Depois de algumas tentativas, desisti e parti para o celular !
Consegui a ligação, mas, quando tive que digitar o número correspondente à “reclamações”, esbarrei com as inovações tecnológicas! Meu “novo” aparelho não possui um teclado material, só virtual, que aparece quando chamado, e a telinha touchscreen fica desativada durante as chamadas! Quase furei a opção “teclado” antes de desistir novamente! É nisso que dá adquirir novidades tecnológicas sem se atualizar de forma correspondente!
Na TV, aquele chato narrador mostrava os preparativos para a largada do Grande Premio de Bahrein. Os pilotos brasileiros, como de costume, ultimamente só aparecem depois do 12º lugar, na ordem de largada...Mas, eu nem vou assistir a essa porcaria!
Voltei ao telefone da TV a cabo, desliguei o modem e executei os procedimentos de reinicialização. E, milagrosamente, consegui a ligação! Aleluia!
Finalmente, depois de driblar o maldito idiota do Eduardo (era assim que se autodenominava o monstrengo de silício), consegui falar com uma atendente humana! A mocinha me pediu a número com defeito, e disse para aguardar uns momentos. Logo, ela voltou e explicou qual era o problema: roubo de cabos telefônicos! Segundo ela, vários metros de linhas telefônicas haviam sido roubadas em determinada rua, perto da minha área, e as equipes estavam trabalhando desde a véspera para refazer as ligações.
Minha revolta se desviou das centrais de atendimento para essas situações típicas de países subdesenvolvidos!
Existe uma prática que parece passar de pai para filho, de roubar coisas como cabos elétricos e telefônicos e tampas metálicas de bueiros!
Certa vez, apreenderam até uma Kombi que era dotada de um buraco no soalho: o motorista parava sobre o bueiro, e o cúmplice, usando ganchos, suspendia a tampa para dentro do furgão, sem sequer descer do veículo!
Há alguns meses, um “cidadão” morreu eletrocutado quando roubava cabos de um poste! Menos um!
Naturalmente, esse material, de fácil identificação, e evidentemente oriundo de atos criminosos, é vendido para depósitos de ferro-velho, que os renegociam com as indústrias que reciclam metais! Será que ninguém investiga e desencadeia uma ação contra essas práticas? Se não houvesse compradores, não haveria roubos! Mas, nem o receptador nem o consumidor final se preocupam com a procedência do material! Quem não quer uma fonte de matéria-prima com preços abaixo da tabela?
Este é o país do Gérson!
A omissão de alguns favorece a desonestidade de outros e contribui para as mazelas que impedem a sexta economia mundial de ser um país realmente civilizado!
Agora, aguardarei pacientemente até às 20:00 hs., prazo previsto para voltar a ter telefone.
Ah! E o "problema" do celular?
Basta apertar a tecla “bloquear/desbloquear” durante a ligação, para ter acesso ao teclado virtual, sem interromper a chamada! Vivendo e aprendendo!
Pasta, burro velho! 

Nota: A linha foi restabelecida aproximadamente às 13:30 hs.

terça-feira, 17 de abril de 2012

LOROTAS NO AR...


Ah! A internet é uma maravilhosa fonte de informações!
Quase todos os dias, encontro “novidades” na caixa de entrada do meu e-mail!
Maravilhas da ciência, segredos que os serviços de informações escondem, dicas de saúde que nem os médicos sabiam, conspirações, denúncias incríveis, revelações históricas que ninguém sabia, mancadas dos famosos!
Já viu, né?
Quase tudo conversa fiada!
Algumas desafiando o senso comum da pessoa mais crédula:

Suco de limão, misturado ao bicarbonato de sódio, é 10.000 vezes mais eficaz que a quimioterapia no combate ao câncer! Existe uma conspiração da indústria farmacêutica para esconder isto das pessoas!
(Que bom se fosse verdade! Na realidade, essa mistura é prejudicial à saúde! Melhor beber somente o suco de limão...Mas, não espere ficar curado só com isso!)

Em 27 de agosto, Marte estará tão próximo da Terra que poderá ser visto do mesmo tamanho que a Lua! Isto só se repetirá em 2287, mas talvez só ocorra desta forma daqui a 60.000 anos!
(A maior proximidade em 50.000 anos ocorreu sim, em 27 de agôsto...de 2003! Mas, nada tão absurdo como Marte do mesmo tamanho que a Lua!)

Em 1980, a sonda Viking I tirou esta foto, enquanto orbitava o planeta Marte. Jamais poderíamos ter uma visão assim da Terra!
 
O Primeiro-Ministro da China, em visita ao Brasil, conversou com o jornalista Joelmir Beting e deu diversas dicas para o desenvolvimento do Brasil!
(Sugere inclusive a pena de morte e a redução dos vencimentos dos políticos! Só que ele nem sequer esteve no Brasil na ocasião!)

Foto do ex-presidente americano George Bush lendo um livro para crianças, porém com o livro de cabeça para baixo!
(Montagem, provavelmente feita por adversários políticos.)

Foto do ex-presidente Lula lendo um livro de cabeça para baixo!
(Parece que a moda pegou! Montagem, mas muito malfeita.)

 Lula, vítima de montagem grosseira: note que a capa estaria no fim do livro! (Estranho mesmo é ele estar com um livro nas mãos!) 

E por aí afora!

Algumas destas notícias falsas são desmascaradas (e outras, verdadeiras, são confirmadas) no interessante site:

E-FARSAS.COM 
 (http://www.e-farsas.com),
editado pelo analista de sistemas Gilmar Henrique Lopes.

Tem também o site (em inglês):

URBAN LEGENDS
 (http://urbanlegends.about.com),
onde podem ser feitas consultas sobre determinados boatos e e-mails, vídeos e imagens que circulam pela web. Eles os chamam "hoaxes".
Balelas espalhadas com ar de credibilidade não são novidade, até eu mesmo já participei de brincadeiras de curto alcance, envolvendo a criação e divulgação de pegadinhas, tipo “primeiro de abril”, entre colegas de trabalho.
Um amigo meu, certa vez, divulgou numa roda de profissionais da aviação uma suposta tradução de um artigo de uma revista especializada onde se afirmava que um conhecido fabricante de motores de aviação havia concebido uma turbina que expelia ozônio pelo escapamento!
A difusão deste tipo de motor na aviação mundial acabaria por reconstituir a camada de ozônio da atmosfera, tão degradada pela ação dos gases malignos liberados pela ação humana!
Se a coisa não fosse interrompida com a revelação prematura da brincadeira, logo iria alcançar aos níveis da diretoria!
Pois bem!
Alguns anos depois, eu reeditei a brincadeira, modificando um pouco o texto, e o resultado foi o mesmo: todos (que não haviam presenciado a primeira versão) acreditaram!
Mas, com o advento da internet, a coisa realmente saiu de controle, e as besteiras dão a volta ao mundo globalizado em questão de minutos, com velocidade incrível!
Às vezes as coisas nem são inventadas, mas apenas distorcidas, ou confundidas com coisas parecidas.
Tem uma apresentação de PowerPoint (talvez a segunda forma mais utilizada para divulgar besteiras) que fala de quadros que parecem fotografias, pintados por uma pintora de um país europeu. Os quadros realmente impressionam, pois parecem demais com fotografias para não serem fotografias!
E realmente são!
Eu próprio fiz a pesquisa, e constatei o erro, que depois repassei a quem me enviou a apresentação!
Acontece que, neste caso, havia uma fotógrafa profissional homônima da pintora, e as fotos dela estavam sendo mostradas como quadros da referida pintora!
Tanto as fotos como os quadros são belíssimos, mas de forma alguma as verdadeiras pinturas se parecem com fotos!
De vez em quando, um destes navios-fantasmas pode aparecer encalhado na sua caixa de entrada...
É bom checar antes de embarcar!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

O JUSTO RECONHECIMENTO


Pelo resgate e devolução à natureza de nada menos de três jibóias, encontradas em ocasiões diferentes no meu quintal (conforme relatado em: QUANDO A NATUREZA PEDE SOCORRO), fui agraciado pelos chefes escoteiros-mirins Huguinho, Zezinho e Luizinho com o título de E.N.E.R.G.U.M.E.N.O. (Eminente Naturalista, Emérito Reestruturador Geral do Urbanismo e Mentor Ecológico Nacional dos Ofídios).

Nos escoteiros-mirins da Disney, onde militavam os sobrinhos do Pato Donald, todos recebiam títulos com siglas, às vezes longas demais.
(Clique para ampliar)

A cerimônia de recebimento do título seria realizada no Parque Nacional da Tijuca, na manhã desta segunda-feira. Porém, no caminho, fiquei preso num engarrafamento, em um trecho onde ocorrem as obras da Transcarioca, o radiador do meu Passat 1980 ferveu, o reboque da prefeitura o levou diretamente para o depósito (estava com o IPVA vencido desde 1994), e não consegui chegar a tempo.
Assim, me informaram que estão enviando o diploma pelo correio. (Espero que não estejam em greve.)
Logo, poderei pendura-lo ao lado dos meus outros títulos recebidos anteriormente: B.A.B.A.C.A. (Benemérito, Atuante e Benévolo Analisador de Casos Arquivados) e O.T.A.R.I.O. (Olímpico Tradutor de Antigos Rascunhos, Inscrições e Opúsculos).
Justo e gratificante reconhecimento pelo meu trabalho!

sexta-feira, 6 de abril de 2012

MAIS UMA QUE NÃO VAI "PEGAR"?


No Brasil, uma das maiores dificuldades que existem para que as coisas funcionem devidamente é a natureza e o conteúdo das leis.
Conforme eu aprendi no colégio (será que ainda ensinam isto?), o poder responsável pela elaboração e aprovação das leis é o LEGISLATIVO.
Por Legislativo entenda-se: os parlamentares que nós elegemos, e a quem passamos procuração para elaborar leis de acordo com as necessidades do povo, garantindo também a governabilidade do país.
Mas quem interpreta e julga sobre as questões decorrentes da aplicação destas leis é outro poder, o JUDICIÁRIO.

 Legislativo e Judiciário: que bom se houvesse mais entrosamento...

Assim, por falta de cuidado ou de competência de quem elabora essas leis, às vezes elas se tornam inócuas, e no vocabulário dos brasileiros, algumas ganham a classificação de “leis que não pegaram”.
Nesta categoria estão certas leis que, por má redação, possibilitando interpretações diversas, ou por inviabilidade de aplicação prática, ou até mesmo por contrariarem princípios básicos da Constituição Federal, existem apenas no papel. E deixam de cumprir sua finalidade.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ), abordando controvérsias sobre a chamada Lei Seca, decidiu na semana passada que somente o etilômetro (bafômetro) e o exame de sangue são válidos para comprovar a influência do álcool no organismo do motorista. A Constituição, porém, garante ao condutor o direito de não produzir provas contra si mesmo e se recusar a fazer os testes.
O que equivale a dizer que, se esta decisão servir como referência para os casos que surgirem envolvendo esta questão, a Lei Seca vira letra de samba, e só vai valer para otários, pois basta o motorista suspeito de embriaguez se recusar a fazer o teste do bafômetro, e depois alegar na justiça que não estava embriagado, e a acusação não terá nenhuma prova do fato, apesar das evidências.
(Para mim, que sou leigo em questões de direito, me ocorre que o ato de recusa em fazer um teste que o pode inocentar só pode ser motivado pela certeza de culpa, e portanto por si mesma serviria como uma prova incriminatória. Mas, parece que nenhum dos meritíssimos juízes do STJ tocou neste assunto.)
Desta forma, o impacto inicial da Lei Seca na diminuição dos acidentes com vítimas poderá ser reduzido gradativamente, na medida que os brasileiros assimilarem os recursos legais disponíveis para burlar as rondas repressivas.
Conforme noticia a AGENCIA ESTADO: “Em uma reação à decisão do STJ que esvazia a Lei Seca, o governo federal e lideranças da Câmara dos Deputados fecharam um acordo para votar na próxima semana um projeto que inclui imagens, vídeos e testemunhos entre as possibilidades de prova de condução de veículo sob influência de álcool”.
Melhor seria para os contribuintes se houvesse um entrosamento maior dos parlamentares do legislativo com os membros do judiciário, talvez submetendo previamente ao mesmo os textos das leis propostas, para evitar criar e aprovar leis que, depois de muita expectativa sobre sua efetividade, acabam se tornando inócuas.
Eu não alimento ilusões: mesmo com imagens, vídeos e testemunhas, pouco se poderá fazer de efetivo no sentido de punir os transgressores da lei.
Aqui é o país onde se deixa de prender 10.000 malfeitores só pelo receio que entre eles haja algum inocente! E onde essa tolerância mais se manifesta é no julgamento de crimes cometidos no trânsito.

 Muitos acidentes de trânsito são causados pela irresponsabilidade de dirigir sob os efeitos do álcool ou de outras drogas...
Mas, poucos são punidos por isto.

A própria questão da embriaguez não é uma coisa exata: a influência da concentração do álcool no sangue sobre a coordenação das pessoas varia de indivíduo para indivíduo, em decorrência do peso, do sexo e de outros fatores ainda não totalmente determinados, que fazem alguns ficarem de pernas vacilantes logo na primeiras doses, enquanto outros parecem ser menos afetados.
Assim, pelo menos a julgar pelo que foi noticiado, as providências do legislativo tem bastante chance de serem tão inócuas como a elaboração inicial da lei.
Lamentável para quem tem que andar ou dirigir, ficando sujeito às incertezas quânticas das inevitáveis trombadas de fim de semana: sabe-se que tantos por cento sofrerão acidentes; apenas não sabemos quem serão os infortunados escolhidos!
Espero que não seja eu e nem tampouco nenhum de vocês!
Feliz Páscoa para todos!