Estamos prestes a completar, a bordo da nave Terra, mais uma volta em torno desta estrela que chamamos Sol.
Depois de inúmeros cálculos, divisões com resto, e reajustes periódicos, acabamos definindo o tempo decorrido neste percurso como ANO.
A cada ano, se repete o ciclo das estações, referenciadas pelos solstícios e equinócios tão familiares ao meu amigo "El Brujo" Barcellos e aos druídas de Stonehenge.
Talvez por isto, encaramos o novo ano como uma nova oportunidade de recomeçar, como mais uma rodada de um jogo eletrônico. Recomeçamos com uma nova vida, nos desvinculando dos erros e micos que pagamos no ano anterior e às vezes propomos mudanças de atitude e realização de diversas coisas.
Mas, diferente das estações, tão previsíveis como consequências dos movimentos do planeta, no contexto dos eventos as coisas variam um pouco mais. Embora os eventos sejam quase sempre os mesmos, sua ocorrência é aleatória quanto ao local, hora e pessoas envolvidas. Sua magnitude também varia.
Quase dá para dizer que o que ocorre a cada ano pode ser enquadrado na teoria quântica: há uma probabilidade percentual de que algumas coisas certamente vão ocorrer com determinada incidência, porém somos incapazes de dizer quando, onde e com quem.
Por exemplo: provavelmente os patrulheiros rodoviários, bombeiros e hospitais já devem ter em mãos uma previsão de mortos e feridos, bem como acidentes sem vítimas nas estradas, nos deslocamentos típicos do final de ano. Até as áreas de maior incidência podem ser mapeadas com algum acerto. Mas, o momento, o local exato e a identidade das vítimas de cada acidente permanece imprevisível, por falta de variáveis na equação. Muito óbvio, não é?
E é assim com tudo.
Confesso que só há pouco tempo, já de cabelos brancos, fui aprender, graças ao velho amigo "El Brujo" Barcellos, o verdadeiro significado da frase: "Navegar é preciso, viver não é preciso". (1)
A frase eu já conhecia há tempos, ao que parece, uma citação de Fernando Pessoa. Mas eu não entendia porque era preciso navegar e não era preciso viver.
Até que, lendo uma matéria (não me lembro qual) do blog Sete Ramos de Oliveira fiquei sabendo que o "preciso" diz respeito à precisão e não ao ato de precisar, necessitar. O ato de navegar, com o sextante e a bússola, pode ser razoavelmente preciso. Já o viver é quase totalmente impreciso, pois envolve muitas variáveis desconhecidas.(2)
Ninguém devia saber disto melhor do que eu, que diversas vezes na vida tracei planos minuciosos e definitivos sobre o meu futuro a médio e longo prazo e depois vi tudo frustrado e as coisas tomando rumos completamente diferentes, devido à fatores com os quais eu nem sonhara.
Então, não podemos planejar mais nada, já que quem decide tudo são fatores aleatórios?
Nem tanto. Quando planejamos algo de forma realista, e estamos mesmo decididos a levar a cabo alguma tarefa a curto e médio prazo, temos grandes possibilidades de realiza-la, apesar de possíveis contratempos.
Porém, nada nos impede de deixar alternativas como "plano B" para o caso das coisas não sairem como pensamos. É recomendável que estejamos sempre com a mente aberta para encarar as novas hipóteses que surgirem. Assim, não nos parecerá um fracasso se não alcançarmos os objetivos primários da forma como planejamos.
Bem, dito isto, quero dizer que minhas "resoluções de ano novo" são coisas bem simples, na maioria coisas que já deveriam ter sido feitas, mas por algum motivo nem sempre justificado, foram adiadas. Tipo: plantar uma horta, arrumar o quartinho da bagunça, etc...etc...
Já me considerarei um herói, se conseguir realizar pelo menos metade delas!
Já me considerarei um herói, se conseguir realizar pelo menos metade delas!
Desejo a todos os que tiveram a paciência de ler estas minhas divagações desconexas um 2011 de sucessos e realizações! E os votos utópicos, mas sinceros, de sempre: paz, saúde, amor e prosperidade!
(1) e (2): Nestes parágrafos foram introduzidas correções, após os comentários do Jair e Barcellos, já que eu, à princípio, atribui uma citação erradamente ao blog do primeiro, quando na verdade, ela fora publicada no blog do segundo.
(1) e (2): Nestes parágrafos foram introduzidas correções, após os comentários do Jair e Barcellos, já que eu, à princípio, atribui uma citação erradamente ao blog do primeiro, quando na verdade, ela fora publicada no blog do segundo.
