Estas são minhas simpáticas auxiliares: a srta. Réu, minha secretária executiva, já com dez anos na casa, tão dedicada ao trabalho que às vezes cai no sono na frente do monitor do computador. Mas, além desta dedicação, é uma tremenda gata!
Já minha agente de segurança, srta. Dolly, é uma jovem inexperiente (sete meses) e por isto, ainda é responsável por muitos alarmes falsos, acusando a presença de passarinhos, lagartixas e até formigas! Apesar desta carinha inocente, não passa de uma cadela!
E o pobre e velho chefão L.R. tem que lidar com todos esses caprichos e manias de suas auxiliares e inspiradoras!
Depois de muito trabalho, minha dedicada secretária adormece na sua mesa!
E olhe que os antecedentes destas moças não são nada saudáveis: a srta. Réu, ainda adolescente, chegou numa noite sem ser convidada, depois de escalar um muro e um telhado, pular numa varanda e se intrometer sorrateiramente e sem pedir licença na sala onde eu assistia TV. Escolheu uma almofada e se acomodou na maior cara-de-pau, como se estivesse na própria casa! Bem, agora está mesmo! A explicação para o seu comportamento depois eu soube: ela já carregava um gatinho na barriga, provável causa de ter sido abandonada. Infelizmente, era sua primeira e única cria e nasceu morta, acho que prematura. Depois disso, levei-a a uma clínica veterinária, onde depois de tirar uma chapa de raios-X, fez um tratamento para eliminar gases no útero e depois foi esterilizada, conforme recomendação médica, e lógicamente, adotada!
Já a srta. Dolly teve origem nobre, filha de uma cadela da raça cocker-spaniel inglês, verdadeira lady, muito bem educada que, ao que parece, se meteu com algum vira-lata, num romance tipo dama-e-o-vagabundo e essa parte da história acabou mal: o seu "compreensivo e humano" dono abandonou-a com os quatro filhotes nas proximidades de minha casa. Meu vizinho recolheu-a com sua prole e acabou me convencendo a ficar com um dos rebentos. Escolhi uma fêmea, pois os machos tem o hábito infeliz de fazer xixi nas rodas dos carros, causando ferrugem nos discos de freio, além de destruírem tudo o que é planta com suas "urinadinhas territoriais".
Peguei a menorzinha, que só vivia levando a pior na disputa com seus irmãos. O seu nome foi por causa do musical "Hello, Dolly". Eu escrevia Dóli, mas a veterinária escreveu no cartão de vacinas dela Dolly, e assim ficou registrada. Afinal, ela é de ascendência britânica!
Mas o verdadeiro final acabou sendo feliz, a lady e os filhotes restantes acabaram sendo adotados por alguém que tem um sítio e, segundo eu soube, está feliz com todo o restante da família!
Ás vezes me pergunto se não teria sido melhor que Dolly tivesse ido também com seus irmãos, para um lugar cheio de espaço e companhia. Mas, quando a vejo brincando, correndo e dando saltos como um cabritinho no meu quintal, ela também me parece muito feliz! E isto me dá momentos felizes!