Lá vou eu de novo falar de um assunto para o qual não estou qualificado, mas que me incomoda bastante! Posso estar errado, mas me sinto compelido a externar minhas ideias, ainda que seja com base nas opiniões de outras pessoas.
Segundo um Relatório de Monitoramento de Educação para Todos, da Unesco, divulgado em janeiro de 2010, apesar da melhora apresentada entre 1999 e 2007, o índice de repetência no ensino fundamental brasileiro (18,7%) é o mais elevado na América Latina e fica expressivamente acima da média mundial (2,9%). O alto índice de abandono nos primeiros anos de educação também alimenta a fragilidade do sistema educacional do Brasil. Cerca de 13,8% dos brasileiros largam os estudos já no primeiro ano no ensino básico.
Quem merece usar este chapéu?
Se o MEC está certo, talvez eu!
Segundo um Relatório de Monitoramento de Educação para Todos, da Unesco, divulgado em janeiro de 2010, apesar da melhora apresentada entre 1999 e 2007, o índice de repetência no ensino fundamental brasileiro (18,7%) é o mais elevado na América Latina e fica expressivamente acima da média mundial (2,9%). O alto índice de abandono nos primeiros anos de educação também alimenta a fragilidade do sistema educacional do Brasil. Cerca de 13,8% dos brasileiros largam os estudos já no primeiro ano no ensino básico.
Este mesmo relatório, com base em dados de 2007, colocou o Brasil em 88º lugar no Índice de Desenvolvimento Educacional (IDE), entre 128 nações!
Na minha curta visão de ex-aluno, as provas feitas durante o ano letivo servem para avaliar se, para cada aluno em particular, o aprendizado está surtindo efeito.
Se um determinado aluno não consegue os graus de aproveitamento necessários para aprovação, é porque não aprendeu e para ele o aprendizado não produziu o efeito desejado.
Cabe aos professores e aos pais diagnosticarem as causas, introduzirem correções, e cabe ao aluno repetir o ano.
Se o percentual de alunos reprovados ficar acima de determinado índice, isto requer um diagnóstico mais aprofundado e em um nível mais elevado sobre as condições da escola, dos alunos e sobre a forma como está sendo ministrado o ensino, e dependendo da abrangência dos resultados considerados, até sobre a validade dos métodos de ensino adotados.
Há alguns anos, os responsáveis pela Secretaria de Educação do Estado de S. Paulo, verificando que os números da evasão escolar estavam acima do aceitável para os primeiros anos de aprendizado e que isto estava associado à taxa de reprovação dos alunos, adotaram uma sistemática que, segundo diz numa nota publicada no dia 18 último, no site G1/Globo, “praticamente acabou com a evasão escolar”.
Por isto, a medida foi considerada um sucesso por seus introdutores.
Segundo prosegue a mesma nota:
“Desde 1998, as escolas públicas do estado de São Paulo mantêm o sistema de ensino chamado progressão continuada. O aluno só pode ser reprovado depois de cinco anos de estudo. Esse sistema de ciclos praticamente zerou a evasão escolar, mas trouxe resultados duvidosos quanto ao aproveitamento do aluno”.
Ou seja, o aluno não é reprovado nos primeiros anos, mesmo com aproveitamento insuficiente, e alguns deixam de aprender certos fundamentos, sobre as quais se baseiam progressivamente os conhecimentos posteriormente ministrados, e depois de cinco anos, a casa cai para estes, por falta de alicerces! Mas, aí já estão “alfabetizados”!
Há alguns anos atrás, por alguns dias eu banquei o “explicador” para dar um reforço nos estudos de matemática e ciências para um menino que estava cursando o que (no meu tempo) seria o início do ginasial. Mas, as dúvidas do jovem não eram propriamente em assuntos do nível ginasial, mas em números relativos, frações ordinárias e operações básicas com elas, conversão de frações, e outras coisas que ele deveria ter aprendido nos três primeiros anos de estudo. E ele não esteve sob este regime de “progressão continuada”! Fora aprovado sucessivamente sem saber coisas básicas!
A explicação eu já sabia: por anos a fio, no Rio de Janeiro, as aulas foram interrompidas por greves de professores e pessoal de apoio, reclamando (com razão) salários atrasados, acordos não cumpridos, más condições de trabalho e até falta de segurança pessoal! Sem falar de casos em que, ao regressar das férias escolares, alunos e professores encontraram as salas de aula ocupadas por vítimas de desabamentos nos morros cariocas, colocadas ali por órgãos governamentais e esquecidos, no que deveria ser uma solução emergencial! Ou salas de aulas com goteiras, cheias de mofo ou calor excessivo!
Mas, no final de cada um destes anos típicos, mesmo com a carga horária reduzida por estas interrupções, todos (ou a maioria) eram aprovados e passavam de ano!
E as lacunas ficavam nas partes básicas das disciplinas. Na hora do vestibular, esta falta de base pode ser compensada com as demagógicas cotas para alunos das escolas públicas, ocupando as vagas que seriam de alunos com notas melhores, mas que cometeram o crime de estudar em escolas particulares, onde seus estudos não foram interrrompidos!
Mas, voltando à nota do jornal, também está citado que nem pais nem professores estão satisfeitos com esta “solução”.
Algumas outras opiniões sobre o assunto, estas publicadas no site R7 NOTÍCIAS:
“Segundo Maria Izabel Noronha, presidente da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo), esses alunos aprovados automaticamente não terão condições de fazer um vestibular ou enfrentar a competição do mercado de trabalho.”
“Alguns pais afirmam que a aprovação automática não estimula o aluno a estudar e, com isso, muitas crianças saem do primeiro para o segundo ano das escolas sem estarem alfabetizadas.”
“A educadora Iracema de Jesus diz que a progressão continuada foi aplicada de maneira irresponsável e que a única preocupação do governo foi contábil”.
Então quem está satisfeito? Os responsáveis pelo ensino público naquele estado devem se regozijar por terem resolvido os problemas da evasão escolar e das reprovações! Seus índices sem dúvida melhoraram!
Resolveram o problema deles! O dos alunos ainda vai esperar até ao longínquo dia em que pessoas honestas, conscientes e realmente interessadas farão alguma coisa para melhorar a qualidade do ensino público básico!
Mas o MEC adorou a solução e parece que agora tem gente de lá sugerindo a adoção desta ideia em nível nacional! Parece que nada está tão ruim que não possa piorar!
Eu lembro que, enquanto isto está acontecendo, existem pessoas honestas e dedicadas à educação, algumas das quais eu conheço, em diversos rincões do Brasil, fazendo o melhor que podem para ministrar ensino de qualidade aos seus alunos!
Reconheço que não sou a pessoa indicada para dizer se este sistema, já utilizado em países onde a educação é levada a sério, funcionará em Pindorama. Mas, considero aqui as opiniões dessas pessoas habilitadas e que trabalham há bastante tempo na área de educação.
Esperemos que os objetivos desta política não sejam apenas mascarar a falta de ações mais efetivas para melhorar a qualidade do ensino público fundamental.
Reconheço que não sou a pessoa indicada para dizer se este sistema, já utilizado em países onde a educação é levada a sério, funcionará em Pindorama. Mas, considero aqui as opiniões dessas pessoas habilitadas e que trabalham há bastante tempo na área de educação.
Esperemos que os objetivos desta política não sejam apenas mascarar a falta de ações mais efetivas para melhorar a qualidade do ensino público fundamental.