FRASE:

FRASE:

"Se deres um peixe a um homem, vais alimenta-lo por um dia; se o ensinares a pescar, vais alimenta-lo a vida toda."

(Lao-Tsé, filósofo chinês do séc. IV a.c.)

domingo, 30 de dezembro de 2012

MAIS UMA VOLTA

Breve, os habitantes do planetinha azul Terra estarão completando mais uma volta em torno da estrela-mãe Sol.
E, cada vez que se completa uma volta,  período chamado pelos homens de ano, isto ocasiona certos efeitos psicológicos nos seres humanos que habitam a Terra e reconhecem este ciclo como legítimo.


As pessoas comemoram por mais um período completado, avaliam o que fizeram durante o ano que passou, planejam metas para o próximo, e quase sempre resolvem  começar atividades adiadas por diversas vezes: dietas, programas de atividade física, reformas na casa, arrumação das bugigangas e até mudanças de atitude.
Nem sempre as propostas são cumpridas, mas ficam o reconhecimento de sua legitimidade e as tentativas de cumpri-las.
Não vou  falar de minhas propostas nem das minhas metas, que tentarei cumprir se puder...
Mas, de coração, desejo que reflitamos sobre o que passou, analisemos o porquê de algumas coisas terem dado errado, e tentemos mudar de atitude em relação a essas coisas.
E, caindo no lugar-comum, envio aos amigos que aguentaram ler até aqui meus votos de um utópico:
 
FELIZ ANO NOVO!
QUE A PAZ ESTEJA CONVOSCO!
ABRAÇOS A TODOS!   

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

BREVE MENSAGEM NATALINA

Depois de uma ausência involuntária, volto a esta página para tentar recomeçar o diálogo com os incontáveis e simpáticos amigos da blogsfera.
É como voltar a voar outra vez, ficar pairando suspenso no éter da rede, vendo as cores e sons passarem pertinho, se desviando suavemente para todos os lados...
Navegando pelas blogsferas...
 
As, vezes, eu penso já ter dito tudo o que penso sobre o Natal, sobre meus traumas de infância pobre, sobre o aspecto marketológico da exploração "capitalística" do sentimento religioso e sobre o personagem de vermelho criado como símbolo do refrigerante, que acabou substituindo o autêntico benfeitor das crianças, a respeito do qual mal se ouve falar.

 O velhote enganador, flagrado em um assalto à geladeira de alguém...

Mas, afinal, a tradição e a fé mantiveram a data, embora nem todos tenham consciência do seu real significado.
Pelo menos, o Natal é uma boa desculpa para as reuniões familiares, para o perdão de velhas ofensas, reatamento de velhas amizades, reaproximação dos afastados e premiações meritórias, além de alguns abusos gastronômicos, em detrimento das dietas.
Assim, que os cristãos celebrem o nascimento de Cristo, e que todos abracemos nossos familiares com carinho, curtamos as iguarias com moderação e aproveitemos alguns momentos de paz e ilusão.
Sonhar sempre será permitido!
E, como eu já falei em outras ocasiões, esta é uma boa data para sonhar!
Um FELIZ NATAL a todos vocês, meus queridos amigos de blogsfera!

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

SOBRE OS MAIAS E O FIM DO MUNDO

Os maias são provavelmente, a mais enigmática e menos conhecida das civilizações pré-colombianas.
Os traços mais antigos da civilização maia nos remetem ao 2.000 A.C., quando surgem os primeiros sinais do estabelecimento de um povo pré-maia na atual Guatemala.
Esse povo ocupou as atuais nações da Guatemala, Belize, Honduras e El Salvador, além de parte do México. Fundaram e desenvolveram diversas cidades-estado, seguindo todas uma espécie de “plano-piloto” padrão, que determinava a distribuição das construções centrais com base na localização dos astros e que foi estabelecido desde os primórdios desta civilização. 

Esta acrópole piramidal fica na antiga cidade maia de Chichén Itzá, no México.
Suas cidades eram dotadas de templos e acrópoles piramidais em degraus. As mais conhecidas são: Tikal, Palenque, Copán, Pedras Negras, Quiriguá, Naranjo, Cobá e Chichén Itzá. 
Com exceção das edificações centrais, as cidades se desenvolviam sem nenhuma regra, de forma aleatória.
Os maias praticavam esportes, sacrifícios humanos, e artes como escultura, entalhadura e pintura.
Sua economia era baseada na produção de tomate, milho, cacau, batata, algodão e frutas. Também criavam abelhas, caçavam e pescavam.

Este mapa mostra as principais cidades da civilização maia. (Clique p/ ampliar)

Como não cunhavam moedas, seu sistema monetário era na base de trocas. Conchas, pepitas de ouro, prata, jade, sementes de cacau e plumas coloridas eram usadas nas transações comerciais.
Havia disputas, conflitos e lutas entre as cidades. Os prisioneiros resultantes destas lutas eram escravizados, torturados e às vezes sacrificados.
A civilização maia entrou em declínio a partir do séc. IX D.C., quando suas povoações começaram a ser absorvidos pela expansão dos toltecas e astecas.
Entretanto, algumas de suas cidades-estado permaneceram povoadas até o século XV D.C., como Mayapan, que se tornou a capital dos maias em 1328.
Os remanescentes da civilização maia e se misturaram com os de outros povos e traços de sua cultura e idioma permanecem até hoje.
No século XV, os espanhóis conquistaram e saquearam as últimas cidades remanescentes dos maias e astecas.
Até o momento, ainda não foram determinadas as causas do declínio dos maias, que pode ter sido ocasionado pelo confronto com outros povos, esgotamento de recursos agrícolas, inundações, secas ou qualquer outro motivo.
Só em 1840 começaram a ser descobertos e estudados os restos desta civilização, que, segundo os historiadores, foi a única população alfabetizada das américas. Entretanto, sua linguagem escrita, composta de hieroglifos, somente começou a ser decifrada recentemente, com o auxílio da informática. 
Os religiosos que acompanhavam as expedições espanholas deram sua "contribuição", queimando e destruindo a maioria dos chamados códices maias, livros-chave que eram como almanaques e falavam sobre seus ritos, astrologia, astronomia e outros assuntos (traços de cultura pagã). Porém, alguns destes códices lograram sobreviver, como os existentes na Espanha e o que se encontra em Dresden, na Alemanha.

Detalhe do chamado "Dresden Codex"
(Clique p/ ampliar)

A precisão dos maias em registrar datas permite saber com exatidão quando foram fundadas algumas cidades e outros eventos marcantes de sua história.
Os maias possuíam dois calendários, um religioso (tzolkim) e o outro agrícola (haab).
O tzolkim tinha um ano de 260 dias, divididos em 13 meses de 20 dias e era baseado nas fases da Lua.
O haab tinha 365 dias (com base no Sol) divididos em 18 meses de 20 dias, mais cinco dias de festas.
A cada 52 anos, havia uma sincronização, baseada nos movimentos do planeta Venus.
A cada 3.172 anos, eram reiniciados os dois calendários, o que significava o início de uma nova era.

E a tal profecia sobre o fim do mundo?

Diz a Wikipédia:
A interpretação incorreta do calendário mesoamericano de contagem longa forma a base de uma crença do movimento Nova Era, de que um cataclisma aconteceria no dia 21 de dezembro de 2012.
Sandra Noble, diretora executiva da organização de pesquisa mesoamericana FAMSI, aponta que "para os antigos maias, era motivo de grande celebração chegar ao fim de um ciclo completo". Considera ainda, que a apresentação de dezembro de 2012 como um evento de fim de mundo ou mudança cósmica como "uma total invenção e uma chance para muita gente ganhar dinheiro".

Bem,  na minha opinião, parece que eles não foram capazes de prever sequer o seu próprio fim, o que me faz duvidar que fossem capazes de estabelecer que o mundo terminará no mês que vem...
A tal “data fatídica” corresponde apenas ao fim de uma era, quando se inicia um novo ciclo e se volta ao início dos calendários lunar e solar...
Mas, se estão mesmo interessados no fim do nosso planeta, fiquem de olho no céu...

O asteroide tarda, mas não falha!

terça-feira, 13 de novembro de 2012

CADA VEZ PIOR...

No meu post mais lido, “Um trem nada bão, uai!”, eu cito a única linha ferroviária de passageiros existente no Brasil, o percurso Belo Horizonte-Vitória.
O jornal televisivo BOM DIA BRASIL, da TV Globo, está publicando uma série de reportagens sobre as mazelas do transporte ferroviário no Brasil.

Além de EUA, China e Rússia, o Canadá também supera largamente o Brasil em extensão de ferrovias.

Uma dessas reportagens fala sobre o incrível desperdício de investimentos, que acabaram virando sucata:


A reportagem de hoje (veja o vídeo aqui) fala das tristes condições em que se encontra a única linha ferroviária de passageiros, onde o descaso e a falta de modernização deixaram a decadência se abater sobre a outrora charmosa ferrovia Belo Horizonte-Vitória. Apesar dos vagões confortáveis e da boa comida servida nos vagões-restaurantes, o percurso de 664 km é percorrido em aproximadamente 13 horas, numa velocidade média de pouco mais de 50 km/h. A viagem neste trem é apenas uma curiosidade nostálgica.
Como eu citei no post, o Brasil é o único país de dimensões territoriais consideráveis que não tem uma malha ferroviária à altura.
China, EUA e Rússia, além do Canadá (não citado naquele post, extensão territorial: 9.984.670 km2- 48.068 km de ferrovias - dados de 2006), todos superam o Brasil por larga margem.
Será que somos os únicos certos?

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

LIVRO: O RIO DA DÚVIDA

Depois de muitas interrupções, acabei finalmente a leitura de um excelente livro: O RIO DA DÚVIDA, da escritora Candice Millard, na edição brasileira (Cia. Das Letras) traduzida por José Geraldo Couto.
O livro trata de um assunto que eu conhecia vagamente, mas sobre o qual tinha certa dificuldade em conseguir mais informações: uma expedição empreendida no início do século passado, envolvendo o nosso lendário Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon e o ex-presidente americano Theodore (Teddy) Roosevelt. 

Candice Millard é escritora e jornalista, e já foi editora da revista National Geographic. O Rio da Dúvida foi seu primeiro best-seller. Destiny of the Republic, sobre o presidente americano Garfield, foi outra obra de sucesso.
 
De janeiro a abril de 1914, um grupo heterogêneo de brasileiros e americanos que partira de Tapirapuã, uma aldeia no Mato Grosso, desceu em canoas por um rio desconhecido, buscando sua foz.
O objetivo era mapear o curso do misterioso rio, chamado até então Rio da Dúvida, e depois rebatizado Rio Roosevelt, em homenagem ao ilustre convidado. 
Rondon e outros exploradores presumiam que este seria mais um longo afluente do Amazonas (na realidade, ele se une ao Rio Madeira, um dos principais afluentes do Amazonas, sendo considerado seu afluente) . Naquele longínquo 1914, há quase cem anos, a única forma de mapear um rio era descer por ele, documentando o seu curso a medida que se progredia, nas suas águas ou nas suas margens. É claro que era preferível descer o rio de carona na sua correnteza, placidamente sentado em uma canoa...
Mas, o inexplorado Rio da Dúvida reservava surpresas nada agradáveis ao longo de seu leito, tanto nas suas águas como nas suas margens.
Suas águas não se mantinham plácidas por muito tempo e logo se precipitavam em incontáveis corredeiras, algumas impraticáveis para as pesadas pirogas usadas pela expedição, que neste caso, tinham que ser arrastadas por terra.
O território em torno das margens do rio, além de ser escasso em animais que servissem de caça, ainda contava com a presença dissimulada mas ameaçadora dos hostis índios cinta-larga, com suas flechas envenenadas e bordunas.
(A escassez de animais relatada talvez se devesse aos ruídos da numerosa massa de homens em deslocamento com seus equipamentos e provisões, agindo como um verdadeiro espantalho para a fauna nativa.)
Roosevelt, apaixonado por aventuras gloriosas, na ocasião já estava com mais de 54 anos, levava junto consigo seu filho Kermit e uma pequena comitiva de convidados americanos, alguns dos quais foram gradativamente se retirando, a medida que a jornada endurecia...
A jovem escritora fez um bom trabalho, e relata de forma isenta o relacionamento às vezes tenso, mas sempre respeitoso entre o então coronel Rondon e o ex-presidente americano.
As formas de ver de ambos os líderes eram bem diferentes: para Roosevelt, naquelas condições, assassinatos deviam ser punidos imediatamente com a morte e ataques de índios rechaçados a tiros, enquanto que Rondon mantinha-se fiel às leis brasileiras e à sua célebre divisa no trato com as populações indígenas: “Morrer, se preciso...Matar, nunca!” 

O fim da dúvida: Roosevelt e o nosso herói Rondon posam ao lado da placa que oficializou o novo nome Rio Roosevelt, em homenagem ao ex-presidente americano, que quase pereceu durante a jornada.

O oficial brasileiro, ele próprio descendente de índios, não hesitava em por em risco a vida de seus comandados e até mesmo a sua, para evitar qualquer violência contra os silvícolas, por mais ferozes que fossem.
Além disso, Rondom estendia ao longo do seu caminho cabos telegráficos e colocava marcos de referência, atividade que, para Roosevelt, atrasava a marcha da expedição. O que para o americano era um safári recreativo, para o brasileiro era mais uma missão na sua perigosa rotina de explorador.
Mas, a selva brasileira era mais traiçoeira do que poderia imaginar o ferrenho Roosevelt. Cobrou seu preço em vidas de soldados, e o ex-presidente, que já tinha problemas físicos em uma das pernas, viu-se incapaz de prosseguir por seus próprios meios. Não querendo se tornar um fardo, chegou a planejar a própria morte, só não cometendo o suicídio por intervenções de Rondon e de seu filho Kermit.
Alguns anos mais tarde, Theodore Roosevelt faleceria, em parte por consequências das sequelas sofridas nesta épica jornada pelas selvas brasileiras.
Ironicamente, os cabos telegráficos colocados durante a expedição logo se tornariam obsoletos, com a introdução do telégrafo sem fio.
Obviamente, a autora se concentra mais no drama sofrido por Roosevelt, mas não deixa de destacar a personalidade marcante do nosso super-herói Rondon.
Um excelente livro, onde se tem as sensações e aflições de estar realmente no interior da floresta e balançando nas rasas canoas, descendo aquele que um dia foi chamado o Rio da Dúvida, tal era o mistério que o cercava.
Se puderem, leiam! Melhor que muito filme!
Aliás, como Hollywood ainda não descobriu essa excelente história real?

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

PIZZA OU MARTELO?


Está feito!
Os réus do mensalão foram julgados pelo STF, e dos 38 acusados, 25 foram condenados (alguns por mais de um crime), e agora cabe aos juízes atribuir as penas.
Este julgamento vai mesmo mudar o Brasil?
Será que depois disto, os políticos e os governantes vão pensar melhor antes de se aventurar em falcatruas semelhantes?
Para mim, tudo vai depender do que vai acontecer com os condenados a partir de agora...
A nossa suprema corte estabeleceu, com base em provas irrefutáveis, que o mensalão não foi “uma obra de ficção inventada pela oposição” (como afirmava o ex-presidente), mas um esquema que envolveu uma série de delitos cometidos em cadeia, usando indevidamente dinheiro público para subornar a oposição, tornando-a favorável aos projetos do governo.

As ratazanas levaram um susto...Muitos nunca pensaram ser sequer julgados...

E o objetivo era o mais antidemocrático possível: a manutenção continuada do poder por uma mesma facção política. Em outras palavras, “uma ditadura branca” com o aval dos eleitores, prática que está se tornando comum na América Latina.
Felizmente, no Brasil houve a reação e as denúncias veiculadas pela imprensa acharam eco em autoridades responsáveis que não se omitiram.
Podem dizer que a iniciativa de investigar foi movida por motivos político-partidários (apesar de envolver réus de diversos partidos), mas as conclusões finais mostraram que havia fundamento, fossem quais fossem as motivações iniciais!
Mas, agora, serão estabelecidas as penas, de forma individual.
Dentro dos critérios da benevolente justiça brasileira, os que forem sentenciados a menos de 4 anos cumprirão penas alternativas em liberdade...
Se a pena for maior que 4 anos e menor do que 8, o detento terá apenas que dormir no xadrez, ficando livre durante o dia...
Somente recebendo pena superior a 8 anos será trancafiado na cadeia...
E existem diversos critérios para o estabelecimento de penas. Ao que parece, a tendência será adotar os menos rígidos.
Mesmo assim, a soma das penas de alguns dos réus deverá sem dúvida ultrapassar os 8 anos.
Porém (sempre tem um porém), os condenados ainda terão direito a recorrer contra as sentenças, e o STF terá que julgar estes recursos, antes de poder mandar encarcerar os réus!
Apesar de condenados, coloca-los de fato no xadrez é difícil...

Assim, ainda vai levar algum tempo até vermos alguns destes ratos segurando as barras de ferro de uma cela...
Só a partir deste possível evento é que poderemos dizer, sem medo de errar, que a coisa não acabou em pizza!
Em conjunto com a Lei da Ficha Limpa, o efeito deste julgamento pode ser melhor do que as expectativas...
Mas, como estamos num surreal patropi, é melhor aguardar o final da novela, para saber se, desta vez, o pizzaiolo vai ficar a ver navios...

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

SANTA BÁRBARA! SÃO JERÔNIMO!


Quando entrei para a escola, aprendi na disciplina ESTUDOS SOCIAIS E NATURAIS que Porto Alegre, sendo no Rio Grande do Sul, ficava numa zona climática de “clima temperado”.
E a classificação terminava por aí, pelo menos para mim. Entretanto, as descrições deste perfil pareciam bem defasadas durante os escaldantes verões porto-alegrenses. Nessas ocasiões, o calor sufocante demais para a latitude e os violentíssimos temporais com extraordinária atividade elétrica, ventos arrasadores e chuva torrencial, onde o granizo era frequente, lembravam mais o perfil de uma região tropical, pelas descrições que constavam nos mesmos livros-textos.

Esta foto, roubada descaradamente do blog da minha querida amiga Sandra (Link aqui), mostra a formação de um temporal sobre Porto Alegre, em 25-fev-2011, ao final da tarde. Pode-se ver parte da iluminação pública já ligada pela escuridão prematura. 
(Foto da autora do blog. )

Hoje, além desta classificação, que tem mais a ver com as latitudes, existem subdivisões mais adequadas ao nosso país, que colocam aquela região como uma área de clima subtropical, no meu entender mais compatível com as suas características reais.
Mas, naquela distante década de 1950, minha família morava em uma casinha de madeira situada numa pequena elevação, numa esquina meio desprotegida do vento, e meu pai cercara o quintal com cinamomos, eu pensava que fosse para amenizar o vento e dar sombra no verão, mas a verdadeira razão disto eu achei  ter descoberto quando vim morar no Rio, onde essas árvores são popularmente conhecidas como “para-raios”.
Meu pai tinha um verdadeiro terror de tempestades, e havia ocasiões em que, aos sinais do início de um temporal, pegava toda a família e saia de casa, íamos para qualquer lugar da cidade, sob um marquise ou outro local coberto, e só voltávamos depois da bonança. Ele receava que a velha casa de madeira desabasse sobre a gente, por força dos ventos ou atingida por algum raio. Bem, ela nunca desabou, a não ser quando foi derrubada anos mais tarde, para a construção de uma casa comercial.

 Os efeitos de um temporal de verão, nas ruas da zona sul de Porto Alegre. (foto do blog da Sandra).

Mas, o temor dos elementos parecia se transmitir para a maioria da família, exceto para mim, que desde pequeno, assistia ao costumeiro ritual “pré-temporal”: espelhos cobertos com panos e toalhas, talheres de aço ou lâminas em geral no fundo das gavetas, orações ressoando e janelas fechadas, tanto os vidros como as venezianas. Tudo para evitar atrair raios!
Lá fora, mesmo que anda fossem 16:00 hs, a escuridão tomava conta de tudo, antecipando o anoitecer...
E, a cada rimbombar, ouvia-se os murmúrios abafados pela casa: - “Santa Bárbara! São Jerônimo!”
Eu ignorava o que tais santidades tinham a ver com as descargas atmosféricas, mas ficava assistindo a tudo sem questionar, já que não tinha argumentos para tirar conclusões próprias.
Mas, quando começava o clarão dos raios, geralmente em meio a cascatas de água, eu sempre me esgueirava para uma janela em algum canto e dava um jeito de abrir uma fresta, para assistir à maravilha dos relâmpagos, iluminando o céu e a escuridão que se formara. Assim, eu me assustava menos com os estrondos que os seguiam, nos pontos de descarga dos raios, às vezes bem próximos da casa. Ficava ali, hipnotizado pela beleza da força da natureza...
Até sentir uma forte pegada e um puxão no braço: - “ Sai daí! Fecha essa janela, guri!”- Uma de minhas irmãs ralhava comigo...
E me privava daquele espetáculo maravilhoso, que eu adorava, inconsciente da noção de qualquer perigo.
Depois, quando tudo passava, às vezes o céu clareava porque ainda havia sol, e eu saía para ver a limpeza que a chuva deixava no quintal, com aqueles veios cheios de uma areia fina que vinha não sei de onde.
As formigas começavam seus trabalhos de reconstrução e as plantas pareciam sorrir, enfeitadas pelos colares feitos de pingos.

Nota:
Segundo o site UOL EDUCAÇÃO:
“Não existe uma única classificação para os climas. A classificação mais utilizada para os tipos de clima do Brasil é baseada no geógrafo Arthur Strahler, que considera a circulação das massas de ar como o fator mais importante para a caracterização climática.
A classificação de Arthur Strahler, adaptada ao Brasil, reconhece cinco regiões climáticas, definidas pela atuação de massas de ar equatorial, tropical e polar.
Basicamente, pode-se dizer que o Brasil tem seis domínios climáticos:
equatorial; tropical; tropical semi-árido; litorâneo; subtropical e tropical de altitude.”

Entretanto, o IBGE, um órgão oficial, apresenta um mapa que divide nosso país em climas zonais: Equatorial; Tropical Zona Equatorial; Tropical Nordeste Oriental; Tropical Brasil Central e Temperado.
E nesta divisão, o Rio Grande do Sul permanece no clima “Temperado”!
Podem conferir em:

E aí, que tal chegarem a um acordo?
Os temporais continuam a cair com toda a fúria na capital gaúcha, como provavelmente veremos neste próximo verão...