FRASE:

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"Se deres um peixe a um homem, vais alimenta-lo por um dia; se o ensinares a pescar, vais alimenta-lo a vida toda."

(Lao-Tsé, filósofo chinês do séc. IV a.c.)

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

DE CARONA NO COMETA

Hoje, às 14:14 (hora de Brasília) a sonda espacial Philae marcou mais uma etapa na ciência, ao pousar na superfície do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. É a primeira vez que um artefato fabricado na Terra pousa suavemente em um cometa. A sonda foi liberada pela nave espacial não-tripulada Rosetta, lançada em 02 de março de 2004 pela Agência Espacial Européia para esta expedição pioneira.

A nave Rosetta, com seus coletores solares.
(Imagem: Wikipedia)

A Rosetta alcançou e passou a orbitar o Churyumov-Gerasimenko em 05 de agosto deste ano, e liberou a sonda hoje, a 22,5 km do cometa, naquele momento a 510 milhões de km da Terra. A Philae levou mais sete horas até o pouso. Houve uma falha no funcionamento dos ejetores a gás que deveriam evitar flutuações da sonda após o pouso, mas foram utilizados arpões, que fixaram a sonda no solo.

Representação artística do Philae pousado.
(Imagem: ESA/ATG medialab)



Os cometas geralmente tem órbitas mais longas do que os planetas e elas também são mais excêntricas em relação ao Sol.
A Philae deverá enviar para a Terra as análises de diversas sondagens e pesquisas, como substâncias presentes na sua constituição e a natureza do seu núcleo. A carona deve durar até dezembro de 2015.
O órbita do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko deverá chegar ao ponto mais próximo do Sol em agosto de 2015.

O cometa Churyumov-Gerasimenko mede 4 X 3,5 km. Esta foto foi tirada pela Rosetta, quando se encontrava a 81 km de distância.












segunda-feira, 3 de novembro de 2014

PASSEIO ESPACIAL ADIADO!

A nave espacial Spaceship Two (assunto do post UM PORTAL PARA O TURISMO ESPACIAL, 18/10/2011), da empresa Virgin Galactic, projetada para levar passageiros em passeios espaciais suborbitais, sofreu um acidente durante um voo de testes sobre o deserto de Mojave, na Califórnia, EUA, na sexta-feira passada (31/10). As únicas pessoas a bordo eram os pilotos Michael Alsbury, de 39 anos, morto no acidente, e Peter Siebold, de 43 anos, que ficou gravemente ferido, mesmo tendo se ejetado da nave.
O dono do empreendimento, o bilionário britânico Richard Branson, viajou no dia seguinte para os EUA, para acompanhar as investigações sobre as causas do acidente.

Foto promocional da empresa, mostrando o Spaceship Two ao centro, suspenso no  lançador WhiteKnight Two.

Ken Brown, um fotógrafo que assistiu ao acidente, contou que a nave explodiu logo após ser liberada do veículo lançador que a transportou até a uma grande altitude.
A queda afetou apenas o módulo espacial Spaceship Two, pois o veículo lançador já se encontrava separado no momento da explosão.

O magnata Branson fala à imprensa, após o acidente. Ele afirmou que o projeto continua.
(Foto: Associated Press)

Carolynne Campbell, uma especialista em propulsão por foguetes, da Associação Internacional para o Avanço da Segurança Espacial, órgão independente, com sede na Holanda, declarou à agencia de notícias Associated Press não poder especular sobre as causas do sinistro. Contudo, relatou ter advertido a Virgin desde 2007 sobre os riscos envolvidos na operação de foguetes como os utilizados pela empresa. Naquele ano, um acidente no solo causou a morte de três engenheiros que testavam o foguete propulsor da nave. Segundo ela, seus avisos foram ignorados.

Destroços da Spaceship Two no deserto de Mojave, a 150 km de Los Angeles.
(Foto: Reuters/Lucy Nicholson)

A National Transportation Safety Board (NTSB), agência que regulamenta a segurança nos transportes nos EUA, já está investigando o acidente.
A Virgin Galactic se comprometeu a devolver os depósitos feitos para reserva das passagens, aos que assim desejarem. Os primeiros voos turísticos estavam programados para 2015. Agora, certamente estão sem previsão, enquanto se investiga as causas do desastre.
Assim, fica adiado mais um degrau na utilização comercial da tecnologia espacial. Ainda não se sabe como isto afetará a comercialização de passagens para os futuros passeios suborbitais.
Entre as mais de 500 pessoas que já reservaram assentos para o passeio suborbital estão celebridades como Angelina Jolie, Brad Pitt, Leonardo Di Caprio, o cientista Stephen Hawking, Justin Bibier, Katy Perry e Kate Winslet.
O passeio tem duração prevista de duas horas e meia, com direito a seis minutos de ausência de gravidade.
Cada passagem custou US$ 200.000,00 para os primeiros 100 candidatos da fila. Depois, gradativamente um pouco mais barato, até a bagatela de US$100.000,00 para os últimos da fila!
A semana não foi boa para a iniciativa privada no espaço: na quinta-feira, o foguete lançador Antares, da Orbital Sciences Corporation, foi destruído deliberadamente pela equipe, para evitar danos maiores, depois que algo saiu errado com o lançamento. O foguete foi lançado de uma base da NASA na Virgínia, EUA, e transportava uma nave  não-tripulada Cygnus com suprimentos para a Estação Espacial Internacional (ISS).

Uma história triste...
Há 57 anos, precisamente em 3 de novembro de 1957, era lançado ao espaço o primeiro ser vivo a sair da Terra por ação consciente do homem, a cadelinha Laika, lançada a bordo da nave soviética Sputnik 2, que entrou em órbita terrestre. Infelizmente, o animalzinho não seria recuperado, e segundo dados revelados somente em 2002 pelos russos, morreu em consequência de superaquecimento da cápsula, após falha no sistema de arrefecimento. Assim, foi também a primeira mártir do espaço. Nossa homenagem a este pequeno ser inocente, cujos últimos ganidos se perderam no confinamento de sua cabine, imersa na imensidão do espaço.

Laika, a primeira astronauta: deve haver um céu só para os animais.

sábado, 9 de agosto de 2014

O JOGO DA VIDA

Em nossa existência neste mundo de quatro dimensões, a cada instante surgem novas alternativas, onde às vezes temos opções de escolha. Outras vezes, a alternativa seguinte é decorrência de outros fatores, que estão fora do nosso controle. Nesta sequência infinita de possibilidades, parece que nossa vida percorre um caminho tortuoso, determinado pela combinação das escolhas que fazemos + fatores imponderáveis.
Não se trata de uma simples árvore binária, onde cada escolha se resume a “sim/não”, “direita/esquerda”, “acima/abaixo” ou “falso/verdadeiro”.
Na realidade, quase sempre existem graus intermediários, transformando cada instante em uma múltipla escolha.
 

A banca está aberta! Façam suas apostas!

Mas, o inconformado ser humano nunca está satisfeito com seus atributos e quer mais: além de descobrir o que aconteceu como decorrência da sua escolha, quer saber também qual teria sido o resultante de uma escolha diferente.
E se eu não tivesse feito aquela viagem?
E se eu tivesse aplicado em tal fundo?
E se eu tivesse escolhido outro caminho?
E se eu não tivesse falado aquilo?
Fred Hoyle, em seu livro Ten Faces of Universe levanta a questão: existirá um universo paralelo criado a partir de cada possibilidade? Existirão incontáveis duplicatas de mim vivendo cada hipótese que eu não escolhi?
O mínimo que se pode ponderar é que se fosse assim, a cada infinitésimo de segundo se criariam incontáveis versões do universo, cada uma delas se multiplicando novamente a cada passo.
Isto nos leva a um número catastrófico cujo propósito, pelo menos ao senso comum, parece não fazer sentido. Mas, de que vale o senso comum diante da complexidade do universo?
Hoyle, em suas ponderações, se inclina para a hipótese mais simples: existe apenas a trajetória escolhida, e as desprezadas simplesmente não aconteceram, nem podem mais acontecer, pois ficaram para trás, sumiram no momento exato em que foram rejeitadas.
Isto me recorda um fato que ocorreu há alguns anos, quando eu vivia no Nordeste: um avião militar de passageiros saiu da base aérea de Fortaleza, no Ceará, numa rota que descia pelo litoral brasileiro. Era época de férias, e diversos candidatos disputavam vagas com suas famílias.
Um militar, com sua esposa e a filhinha de uns três anos, conseguiu passagem até Recife, Pernambuco. Durante o voo, a menina pareceu estranhar o interior apertado do pequeno avião, e chorava e reclamava o tempo todo.
Quando o avião fez escala em Natal, Rio Grande do Norte, a família desceu do avião para relaxar um pouco e na volta, a menininha se recusou a entrar no avião. Protestou tanto que os pais decidiram ficar ali mesmo e fazer o resto da viagem de ônibus.
Outras pessoas que estavam na vez ocuparam os lugares deixados pela família e o avião seguiu, superlotado.
Decolou sem dificuldade, mas, logo após sair do solo, teve falha em uma turbina, que parou de funcionar. O motor restante não suportou o peso excessivo e durante a tentativa de fazer o contorno e voltar para a pista, perdeu altitude rapidamente.
Espatifou-se a pouco mais de um quilômetro da pista. Todos a bordo morreram.
Não vou entrar em polêmica sobre a possibilidade de alguma premonição por parte da criança, mas o que chama a atenção é que foi um dos raros momentos em que se vê o quanto diferente seria tudo se os pais não tivessem optado por desistir: alguns minutos depois, estariam todos mortos!
E quem entrou na vaga deles assistiria a tudo da estação de embarque!
Mas foi assim que ocorreu, e os que escaparam só tiveram que respirar aliviados. A morte passou bem mais perto do que eles jamais imaginariam!
Este é o jogo onde estamos empenhados e do qual não podemos sair...
A cada instante, às vezes inconscientemente, estamos fazendo uma nova aposta!
Boa sorte!

quarta-feira, 9 de julho de 2014

A HIROSHIMA DO FUTEBOL

Os inusitados acontecimentos esportivos de ontem tiveram pelo menos o efeito de me tirar das minhas férias prolongadas  para comentar também.

No dia 6 de agosto de 1945, uma bomba de potência inusitada foi lançada sobre a cidade japonesa de Hiroshima, destruindo praticamente a cidade e matando mais de cem mil pessoas. Foi seguida por outra, três dias depois, desta vez em Nagasaki, elevando o total de vítimas para mais de duzentas mil.
Embora tenha sido um ato discutível, pois alguns historiadores alegam que a rendição do Japão seria só questão de mais uns dias, com ou sem bombas atômicas, este evento é considerado o marco que determinou o fim da II Guerra Mundial.
A história mostrou que, mais do que isto, a bomba estabeleceu um divisor de águas na imagem do Japão e nas atitudes da própria nação em relação ao resto do mundo. Apesar da figura simbólica existente até hoje do imperador, o Japão da primeira metade do século passado era na verdade dirigido por um regime militarista e belicoso, que acabou por lança-lo em campanhas de conquista sobre seus vizinhos continentais e até mais além, envolvendo os EUA.
Após a bomba, veio a rendição e uma reformulação que atingiu o regime de governo e a política interna e externa, tornando o Japão no que é hoje, a terceira maior economia mundial e o décimo país em Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Seus maiores investimentos revertem em benefício do bem-estar do seu povo, e sua política externa é voltada para as soluções pacíficas.
Mas, porque esta aulinha de história?

O Brasil de joelhos diante da Alemanha...
(foto: sportv.globo.com)

Bem...No Brasil, parece que há momentos em que a coisa mais séria é o futebol.
Entenda-se: num país onde as coisas públicas básicas, como a educação, a saúde, o abastecimento, o transporte e a segurança costumam estar sempre abaixo da crítica, e para aumentar a desesperança, sabe-se que há recursos em quantidade sendo desperdiçados, mal empregados e até roubados, uma das poucas coisas que dá satisfação a um brasileiro de qualquer camada social é o futebol.
É ali, na arquibancada de um estádio ou na frente da TV que o cidadão se realiza, principalmente quando vê sua seleção recordista de títulos reafirmar seu domínio sobre as equipes de nações bem mais desenvolvidas, com vitórias emblemáticas.
Pois bem! O dia 08 de julho de 2014 bem que poderia ser a Hiroshima do futebol e talvez até mais além!
Neste dia, foi arrancada, pisoteada e esmagada a única paixão e consolo do brasileiro comum.
Quando uma nação que se intitula "o país do futebol" patrocina a mais dispendiosa competição mundial da história e sofre em sua própria casa uma derrota tão humilhante quanto indiscutível, não há dúvida de que alguma coisa está muito errada!
Má notícia para o Brasil: o desenvolvimento econômico e social influencia cada vez mais todas as atividades, inclusive as esportivas.
Isto é claramente visível quando vemos que quase a totalidade dos atletas da seleção vem de clubes do exterior, até mesmo de países sem tanta expressão futebolística.
Não vou enumerar as coisas erradas que existem na estrutura do futebol brasileiro. Creio que são apenas extensão das coisas incoerentes e absurdas que acontecem em áreas mais relevantes da nossa Pindorama.
Oremos para que pelo menos esta humilhação futebolística sirva para ajudar um pouco o processo de despertar a consciência do cidadão brasileiro para o fato de que tudo tem interações, e que, para nosso desconforto, será cada vez mais difícil se manter na vanguarda de qualquer atividade sem ter uma conduta acertada em outras coisas básicas.
A Alemanha em campo foi uma projeção da Alemanha como nação: coletiva, organizada, disciplinada, séria e dedicada.
O Brasil também: passional, cheio de garra, individualismo e pouca inteligência.
Mas, claro que agora, ao invés de ir fundo na ferida, será mais fácil culpar Felipão, Fred ou David Luiz...

quinta-feira, 5 de junho de 2014

UM VISITANTE DO BARULHO

Para não ter que falar de coisas detestáveis que estão acontecendo, destaco um visitante que chegou bem cedo nesta manhã e me acordou com muito barulho...

 Seja sempre bem vindo (não dentro de casa, é claro!)...

terça-feira, 20 de maio de 2014

A QUEM INTERESSA?

Fico em dúvida sobre o motivo de ficar tanto tempo sem postar nada...
Falta de assunto não deveria ser. Talvez assuntos demais! Já comecei a desenvolver diversos temas, principalmente os atuais, mas em determinado ponto, o resultado não me agrada, as conclusões me parecem óbvias demais e eu acabo deletando tudo. Ainda bem que, nesta era das maravilhas tecnológicas, lidamos com coisas virtuais, inclusive os textos. Se fosse em meados do século passado, seriam muitas folhas de papel arrancadas do rolo da máquina de escrever e jogadas na cesta do lixo! Mas, hoje, bastam duas clicadas e tudo se vai para o infinito!
Talvez a minha insatisfação seja por me sentir na obrigação de falar sobre as coisas que tem ocorrido nesta terrinha, no país que eu costumava chamar de meu. Agora, vejo como o país "deles"!
Impressiona ver como a desordem tomou conta de tudo!
Os baderneiros parecem se multiplicar, e tudo que for evento público, como um jogo de futebol, uma apresentação de bandas, um protesto sindical ou uma passeata popular serve de palco para agressões ao patrimônio público e privado, saques, arrastões e provocações contra quem tenta manter a ordem.
Meios de transporte e vias públicas são interrompidas sob qualquer pretexto, ferindo o sagrado direito de ir e vir dos cidadãos de bem e impedindo trabalhadores de irem para seus destinos!

Na hora de voltar para casa, vias públicas interrompidas! Quem tem o direito de cercear os meus direitos? 
 
Com um eficiente sistema de convocação usando redes sociais, os facínoras mascarados comparecem com pontualidade britânica e aguardam o melhor momento para começar a bagunça.
A polícia, acuada por todos os lados e rotulada de "truculenta", hesita em reprimir desde o início as agressões, que já resultaram na morte de um profissional da imprensa, além de policiais e manifestantes feridos.
Quem se beneficia disto? Certamente não são as entidades que esperam lucrar bilhões com eventos como a Copa e as Olimpíadas!
A imagem do Brasil tem sido pintada no exterior com cores cada vez mais sombrias! Qualquer fato que envolver o público que vier ao país ganhará grande destaque, não tenham dúvida!
Ninguém é capaz de avaliar de forma confiável o quanto o sucesso ou o insucesso da equipe brasileira na competição vai influenciar no resultado das eleições. Talvez nem tanto o quanto alguns pensam.
Mas, os insucessos na organização do evento em si com certeza vão afetar a imagem do país como um todo, aos olhos da mídia internacional.
Qualquer facção política ou ideológica que esteja ligada à promoção da desordem como forma de se beneficiar disto não merece o apoio de ninguém!

quinta-feira, 27 de março de 2014

SERÁ PRECISO UMA GUERRA?

Quando criança, eu às vezes ouvia pessoas dizerem: “Se houvesse uma guerra, dava jeito em muita coisa neste país!”
Eu ficava imaginando como uma guerra poderia melhorar alguma coisa...
A guerra só pode ser definida como uma coisa a ser evitada. Ela faz tanto mal a tanta gente, de forma injusta e inevitável, que dificilmente compensa envolver-se em uma.
Geralmente, isto só ocorre quando aceitar passivamente uma situação pode significar um destino pior que a morte para uma coletividade. Lutar para não ser escravizado é uma das situações aceitas universalmente como justificativa para uma guerra.
Mas, para cada cultura, as justificativas variam em importância relativa, de acordo com os valores locais. Houve guerras que começaram supostamente em decorrência de acontecimentos pontuais, embora tais eventos tenham sido o efeito gota d'água, transbordando um cálice já lotado até a boca.
Já houve um conflito entre duas nações centroamericanas por causa de...um jogo de futebol! Na chamada Guerra do Futebol ou Guerra das 100 horas, em 1969, El Salvador e Honduras combateram durante 4 dias num conflito que começou por causa de hostilidades entre torcedores, numa série de 3 jogos que decidiriam uma vaga para a copa de 1970! 
(El Salvador venceu o jogo decisivo, realizado no México, e se classificou.)
Finalmente, houve a intervenção da Organização dos Estados Americanos, que intermediou um cessar-fogo!
Os EUA se envolveram na Guerra do Vietnam em função dum incidente envolvendo um suposto ataque de barcos-patrulha do Vietnam do Norte contra um contratorpedeiro americano. Acontece que, anos depois, não se conseguiu encontrar uma só testemunha deste incidente, negado até pelo comandante do navio americano!
Entretanto, a guerra, em algumas nações, parece ter um efeito de amadurecimento, fazendo com que a população faça uma reordenação de valores e prioridades dentro de uma ordem mais realista, se conscientizando da verdadeira importância de cada coisa, no contexto geral.
Recentemente, um órgão de impressa de um país da Europa, criticando a realização da copa do mundo no Brasil, país cheio de problemas básicos a serem resolvidos, teria declarado que a maioria dos brasileiros se preocupa mais com futebol, espetáculos e festas como o carnaval do que com as eleições, a política, a economia, a saúde e a educação do seu país.
(Eu realmente prefiro mais assistir a um jogo de futebol do que a um debate político.)
Uma vez, enquanto eu assistia a um jogo de futebol na TV, uma pessoa comentou que odiava o futebol (e esportes em geral), e disse que isso era “coisa de país atrasado”.
Eu lhe respondi que então devia ir para um país onde as pessoas não dessem tanta importância aos esportes, e onde, ao invés de jogar ou assistir a futebol, se fazia guerrilha, explodiam carros e homens-bomba ou apedrejavam, chicoteavam e até baleavam mulheres que queriam estudar!
Falei isto num momento de irritação, mas gostar de esportes não é “coisa de país atrasado”!

Construir estádios modernos e confortáveis é aceitável, em países onde as primeiras necessidades da população já foram atendidas...

Agora, “coisa de país atrasado” é gastar dinheiro público em estádios e instalações de apoio para sediar uma copa do mundo, que será a mais cara da história, com gastos que podem alcançar 30 bilhões de reais, segundo o site R7 ESPORTES, em um país onde não se investe com seriedade na educação, onde a saúde pública é um terror, e onde a segunda maior cidade do país vive uma guerra civil, com áreas onde nem a polícia pode passar com segurança.


Cena usual no corredor de um hospital público brasileiro. Estes tiveram sorte, pois diversos pacientes ficam lá fora...

Para que 12 sedes com estádios monumentais para a competição, alguns dos quais vão sem dúvida virar elefantes brancos, com manutenção caríssima, em cidades onde a média de público em jogos é bem menor que a sua capacidade? Não vai dar para viver só de shows...
E aí, os críticos de além-mar acabam tendo razão, embora seja difícil para um brasileiro engolir!

Difícil obter bom rendimento dos alunos, com salas de aula sem nenhum conforto, sem transporte escolar e com greves de professores todos os anos, prejudicando o ensino...

Muito tem sido lembrada a figura do imperador romano Vespasiano, que iniciou a construção do coliseu de Roma, assumidamente para manter a política do “pão e circo”, dando ao povo o essencial para a subsistência e mais a diversão, para garantir o apoio das massas populares.
Da mesma forma, quem já deu aos pobres as esmolas do assistencialismo, proporciona também o circo da copa do mundo, num ano de eleições, que sem dúvida, serão influenciadas pelo sucesso (ou fracasso) da equipe brasileira na competição.
Será mesmo preciso uma guerra para que as pessoas deste país aprendam a colocar as coisas no seu devido lugar?