FRASE:

FRASE:

"Se deres um peixe a um homem, vais alimenta-lo por um dia; se o ensinares a pescar, vais alimenta-lo a vida toda."

(Lao-Tsé, filósofo chinês do séc. IV a.c.)

segunda-feira, 10 de março de 2014

HISTÓRIA: A BATALHA DO RIO DA PRATA - I

No período de recuperação da economia alemã, após a I Guerra Mundial, quando começaram a reconstruir sua esquadra, os projetistas navais alemães conceberam uma nova classe de belonave que não se enquadrava em nenhum dos conceitos até então existentes. Eles a denominaram panzerschiff (navio-blindado).
Os navios desta classe foram mais tarde classificados como cruzadores pesados, com tonelagem máxima de 14.000 a 16.000 toneladas e armamento principal de 6 canhões de 11 polegadas (280 mm) em duas torres triplas, uma dianteira e outra à ré, e um armamento secundário de 8 canhões de 5.9 polegadas (150 mm) em torres individuais, 4 em cada costado. Sua blindagem lateral era de 80 mm e alcançava uma velocidade máxima de 28 nós (52 km/h) em condições de combate.
Assim, era mais veloz do que qualquer navio com artilharia superior e possuia artilharia mais pesada do que qualquer navio mais rápido.
Teoricamente, poderia fugir ao confronto com encouraçados e cruzadores-de-batalha e arrasar qualquer cruzador isolado que ousasse enfrenta-lo.
Além disso, possuia uma autonomia de 17.460 milhas náuticas (32.336 km) a 14 nós (26 km/h).
Três navios dessa classe foram construídos: o Deutschland (mais tarde rebatizado Lützow), o Admiral Scheer e o Admiral Graf Spee.
A imprensa os chamava “tigres dos mares”. Os ingleses preferiram apelida-los “encouraçados-de-bolso”.
Antes do início da guerra, a marinha alemã enviou para o mar dois destes navios, o Deutschland e o Admiral Graf Spee. O Deutschland se posicionou no Atlântico Norte, enquanto o Graf Spee se dirigiu para o Atlântico Sul.
Em outra rota, seguiu para o sul também o petroleiro Altmark, que daria apoio ao Graf Spee, fornecendo combustível e provisões, em encontros no meio do Atlântico Sul.
Após o início da guerra, em 1º de setembro de 1939, ambos os navios receberam ordens para iniciarem hostilidades contra a marinha mercante inimiga, como corsários, evitando entrar em combate com navios de guerra.
Em 28 de setembro, o Graf Spee fez sua primeira vítima, o mercante inglês Clement, ao largo da costa de Pernambuco.
A partir daí, a belonave alemã vagou entre a costa africana e o continente sulamericano, afundando mais 4 navios e chegando a contornar a África e aventurar-se até ao Oceano Indico, onde fez uma única vítima, o petroleiro Africa Shell, ao largo de Madagascar.

Mapa mostrando o raid do Graf Spee e os locais onde mercantes foram afundados.(Clique para ampliar)
 
Retornando ao Atlântico, já em dezembro, ainda fez mais três vítimas, totalizando um total de 50.000 toneladas em navios afundados. Para se ter uma idéia do transtorno causado, isto forçou a mobilização de uma força de nada menos que 4 porta-aviões, 3 couraçados, 12 cruzadores pesados e 2 cruzadores ligeiros, divididos em oito grupos espalhados pelo Atlântico na caça ao corsário.
Porém, um dos navios atacados, o Tairoa, tivera tempo de transmitir sua posição, informando que fora atacado. Esta mensagem chegou ao almirantado britânico.
O Comodoro Henry Harwood comandava um grupo chamado força G, composto pelos cruzadores pesados HMS Exeter (6 canhões de 8”) e HMS Cumberland (8 canhões de 8”) e pelos dois cruzadores ligeiros  HMS Ajax e HMNZS Achilles (ambos c/ 8 canhões de 6”). Entretanto, o Cumberland teve que dirigir-se às Ilhas Falklands (Malvinas) para uma revisão. No seu capitânea Ajax, Harwood reuniu os capitães dos navios restantes e traçou uma estratégia de busca.

O cruzador ligeiro HMS Ajax era o navio-capitânea do destacamento comandado pelo comodoro Harwood. O HMNZS Achiles, da Nova Zelândia, era idêntico a ele.
Aqui cabe um parêntese para esclarecer que os ingleses julgavam estar caçando o Admiral Scheer, navio idêntico ao Graf Spee.
Acertadamente, reconstruindo os movimentos anteriores do corsário, Harwood teria deduzido que ele não resistiria à tentação de se dirigir para a embocadura do Estuário do Prata, onde havia um grande fluxo de navios partindo abarrotados de suprimentos para a Inglaterra. E para lá rumou com seus 3 cruzadores. Existam versões de que o comandante britânico dispunha de informações privilegiadas, pois o almirantado teria interceptado e decifrado mensagens em código do Graf Spee para o Altmark e para Berlim.
Se tivesse marcado um encontro, não teria tido maior precisão, pois ao amanhecer de 13 de dezembro, o Spee e os três cruzadores ingleses avistaram-se, quase que simultaneamente, aproximadamente às 6:20 h.
Até hoje não ficou claro porque o Graf Spee, que já estava prestes a regressar para a Alemanha vitorioso, não procurou escapar dos inglêses. Existem informes de que, a princípio, o capitão Hans Langsdorff julgou que se tratasse de apenas um cruzador e dois destróieres, possivelmente escoltando um comboio ainda encoberto pelo horizonte.
Harwood ordenou que o Exeter se aproximasse para uma identificação mais positiva do navio avistado. Convém esclarecer que o Spee utilizava uma série de camuflagens durante a sua caçada, falsificando chaminés, torres e as vezes se fazendo passar por navios de países neutros.
Enquanto o Exeter se aproximava, o Ajax e o Achilles rapidamente contornavam a rota do Spee, flanqueando o alemão pelo outro lado.
Assim que teve o Exeter ao seu alcance, o Spee abriu fogo sobre o cruzador inglês. Dois minutos depois, o Exeter respondeu ao fogo, acertando o Spee e danificando seu sistema diretor de tiro.
Outra salva do Exeter danificou uma torre secundária e estilhaços atingiram a ponte, ferindo o comandante alemão no rosto e no braço.
Langsdorff, a princípio, tentara dividir sua artilharia principal de 11”, atirando com apenas uma torre contra o Exeter e usando a outra contra o Ajax e o Achilles. Mas, logo percebeu a precisão e o peso das granadas do seu maior inimigo e desviou toda sua artilharia principal contra o Exeter, mantendo apenas as peças secundárias do outro costado atirando contra os cruzadores ligeiros.
Com isto, o Exeter passou a receber todo o peso da artilharia principal do Spee, e foi alvejado diversas vezes. Sua ponte de comando foi atingida por uma granada de 11” que matou todos os oficiais presentes, exceto o comandante. Suas torres foram sendo silenciadas uma após outra e diversos incêndios irromperam por todo o navio.

A destruição nos conveses do Exeter, após receber vários impactos de granadas de 11". A ponte de comando foi destroçada por estilhaços.

Finalmente, com seu sistema de interfone destruído, apenas um dos canhões atirando manualmente, e, com 61 mortos e 23 feridos a bordo, o bravo Exeter, coberto de fumaça, começou a afastar-se, não sem antes disparar uma salva de torpedos contra o couraçado alemão.
O Spee tentou encurtar a distância para destrui-lo, mas os velozes Ajax e Achilles aproximaram-se corajosamente, atirando sem cessar com seus 16 canhões de 6”, causando diversos danos no Spee, que foi obrigado a voltar contra eles sua artilharia principal.



Em homenagem ao HMS Exeter e sua corajosa tripulação, o autor desta matéria montou esta maquete(inacabada) do navio, na escala 1/400, usando balsa, plástico, clips e diversos materiais catados na sucata.
(Clique para ampliar)
 
Os cruzadores, tirando proveito de sua velocidade superior, se afastaram novamente, sempre castigando o Spee com seus canhões, enquanto manobravam para tentar evitar os tiros do alemão.
Isto não impediu que o Spee acertasse o Ajax, pondo fora de ação suas duas torres de ré e decepando seu mastro traseiro.
Então, estranhamente, o couraçado alemão soltou uma cortina de fumaça para ocultar seus movimentos e virou em direção ao Estuário do Prata, rumando para Montevidéo, sempre acompanhado pelos dois cruzadores ingleses.

(Na sequência: A BATALHA DO RIO DA PRATA - II)
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Siglas:

HMS = His Majesty Ship (usada por todos os navios de guerra britânicos)
HMNZS = His Majesty New Zealand Ship (por se tratar de um navio neozelandês)

quinta-feira, 6 de março de 2014

HISTÓRIA: 1939 - A GUERRA NO NOSSO QUINTAL

No ano de 1939, as atribulações pelas quais passava a Europa pareciam distantes demais para preocupar o cidadão comum que habitava o cone sul do continente americano.
No Brasil, só os imigrantes alemães e seus descendentes concentrados no sul do país acompanhavam (muitos torcendo a favor) a escalada do seu país de origem.
Imigrantes judeus, que já sabiam que tipo de coisas estavam acontecendo na Alemanha, torciam contra e tentavam inutilmente alertar os paisanos...
A Alemanha emergiu da fome, da humilhação e da crise em que fora mergulhada pelos tratados impostos pelos vencedores da I Guerra Mundial para despontar como uma das nações mais prósperas e poderosas da Europa. Depois de usar diversos expedientes para esconder da fiscalização da Liga das Nações a reconstrução do seu aparato bélico, a nação se sentiu forte o suficiente para renegar publicamente as limitações dos tratados.
A voz irada de Adolf Hitler, em discursos inflamados, proclamava que a Alemanha não mais abriria mão de se armar e partir atrás do que considerava seu. Os líderes das outras nações vizinhas se limitavam a declarações tímidas, que só revelavam cada vez mais seu medo de confrontar o falastrão líder nazista do Reich Alemão.

12 de março de 1938 - Guardas alemães e austríacos removem alegremente as barreiras de um posto de fronteira: a Áustria foi anexada, e agora faz parte da grande Reich alemão, sob a liderança de um austríaco.

Em 1938, já ocorrera a consentida anexação da Áustria, e o regime nazista bradava ameaças contra as nações vizinhas. Não demorou para que, em 1º de setembro de 1939, as tropas alemãs cruzassem a fronteira da Polônia, reclamando terras que eles sempre consideraram suas e onde já havia uma comunidade alemã residente. O que a princípio parecia um incidente de fronteira seria, na verdade, o estopim da 2ª Guerra Mundial.
Mesmo assim, as notícias ainda pareciam distantes, até que, inesperadamente, a guerra passou rente à nossa porta, mostrando que o mundo estava ficando pequeno para os guerreiros europeus!
Subitamente, os brasileiros, argentinos e uruguaios ficaram surpresos ao saber que a primeira batalha naval da guerra estava acontecendo diante da costa sul-americana!
Nos dias que se seguiram, a população destes países acompanhou uma série de disputas e negociações envolvendo um navio de guerra alemão, encurralado nas águas territoriais do neutro Uruguai, diante do porto de Montevidéo, enquanto dois cruzadores ingleses aguardavam sua saída, como cães de caça postados na foz do estuário do Prata.
Os navios em questão eram o encouraçado alemão Admiral Graf Spee, comandado pelo capitão de mar-e-guerra Hans Langsdorff, e os cruzadores britânicos HMS Ajax e HMNZS Achiles, sob o comando do comodoro Henry Harwood. No decorrer da batalha, um terceiro cruzador, o HMS Exeter, se retirara do combate devido aos danos e baixas sofridas.
Entretanto, diversos outros navios britânicos já se aproximavam para fechar o cerco.

Admiral Graf Spee, "o tigre dos mares": como um tubarão vagando pelo Atlântico Sul, causou estragos na frota mercante inglesa e mobilizou grande parte da esquadra britânica somente para caça-lo.

Quando eu tinha seis ou sete anos, meu pai leu para mim e para minha mãe a reportagem de uma revista com uma narrativa detalhada daquele fato que eles (meus pais) e meus irmãos mais velhos tinham ouvido falar durante a guerra (eu nasci depois do fim do conflito).
Mas fiquei sabendo que na época, a batalha provocara apreensão no sul do país, pois se os alemães podiam chegar tão perto, talvez também pudessem desembarcar tropas em nosso país (apesar de que o Brasil ainda era neutro)!
Da mesma forma que fiz com a guerra submarina envolvendo navios e aviões brasileiros, pretendo resgatar os acontecimentos que marcaram esta batalha, ocorrida em um cenário inusitado do Atlântico Sul e que teve seu dramático desfecho diante da emocionada cidade de Montevidéo.
Nos próximos dois posts, eu pretendo contar um resumo em duas etapas da história da Batalha do Rio da Prata (Battle of River Plate), como ficou conhecido o confronto nos anais da marinha inglesa.

sábado, 1 de março de 2014

REFLEXÕES IRREFLETIDAS


Desde seu início, este blog teve a proposta de abordar com mais frequência determinados temas, e entre estes, história, cinema, ciências e saudosismo. Mas, os desvios, ou melhor, os ajustes acontecem e a gente vai se adaptando, abordando também assuntos atuais que não podem ser ignorados, divagações sobre questões abstratas que nos chegam à mente, humor, e até versos, tentativas meio desajeitadas de ser poético (como um goleiro fazendo embaixadas), incentivadas pelos amigos sempre prontos a dar uma força.
Infelizmente, há também acontecimentos que aborrecem a ponto de me fazer abordar assuntos relacionados com política, coisa que eu detesto, a não ser quando há conotação histórica.
E ainda tem aqueles textos “para encher linguiça”, formas de manter o blog ativo em momentos menos inspirados (às vezes com aceitação surpreendente!).
Alguns ajustes são motivados por problemas essencialmente técnicos, como uma onda de spams que se abateu sobre os comentários da minha página, me obrigando a adotar a verificação de palavras, fato que gerou reclamações de diversos leitores e até afastou alguns.


Quando criança, eu adorava quando minha mãe fazia spam (no Brasil, chamava-se viandada ou presuntada) com molho de tomates. Era a única opção de carne barata e macia. Hoje, por causa do excesso de "spam" sabotando os comentários, tive que adotar a chatíssima verificação de palavras, que os leitores detestam!

Provas de que a blogsfera é um território livre (ainda) para assumirmos o avatar que escolhermos representar: poeta, escritor, guerreiro, pensador, apaixonado, devoto, militante ou professor.
Não raro vemos pessoas que usam seus blogs para externar seus desabafos e acabam agradando muito aos leitores que se identificam com seus anseios, frustrações e broncas.

Tem outra regra: por mais óbvia e fundamentada que seja uma tomada de posição, sempre haverá quem não concorde!
Aliás, se não fosse assim, a blogsfera seria uma desanimadora mesmice, insossas reuniões de grupos com opiniões unânimes em cada um.
Mas, isto não seria o ideal? Pessoas com mesma opinião não se reúnem? A princípio sim, mas nas primeiras conversas, as diferenças surgem nos detalhes sobre o que fazer, como fazer e porque fazer (ou não fazer) alguma coisa.

No momento, estou tentando voltar às origens, e postar alguns assuntos que sigam minhas propostas iniciais. Nem por isto deixarão de surgir, de vez em quando, divagações e quem sabe até alguns versinhos de pé-quebrado, induzido pela convivência com tantos poetas e poetisas...mais ou menos como o porquinho do filme BABE, que pensava ser um cão-pastor. Bom se eu fosse bem-sucedido como ele!

 Babe, o porquinho, conviveu tanto com cães-pastores em uma fazenda que passou a agir como um deles. Talvez algum dia eu seja capaz até de fazer poemas e crônicas como alguns amigos desta blogsfera...


Não pretendo reformular nem inovar muita coisa, a não ser em doses homeopáticas, isto porque a evolução é um processo que não pode ser contido.

A cada dia, nascemos como um novo ser, modificado por novas experiências recentes, e o resultado poderá ser o de assumirmos reações diferentes diante de fatos que porventura se repetirem.

A mesmice só ocorre se ignorarmos o valor das experiências, coisa que às vezes também acontece!

Fui!
Um bom feriadão para todos!

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

OS GATOS

Há 14 anos compartilho minha casa com uma gatinha vira-lata que apareceu do nada e se instalou com a maior sem-cerimônia, me adotando como seu mordomo.
Os gatos tem tido uma quase sempre bem sucedida parceria com os seres humanos, desde há séculos.
Consta que teriam sido os egípcios os responsáveis por esta aproximação, e, incrivelmente, os maiores beneficiados foram os humanos!
Não pretendo dar uma aula de história, mesmo porque outros blogs apresentam de forma bem mais didática os fatores que envolveram o início deste relacionamento. Apenas narro os fatos de maneira informal, como num bate-papo. Os egípcios viviam em uma região onde o ciclo climático limitava as atividades agrícolas, que forneciam a base alimentar para a população. O plantio, cultivo e colheita seguiam calendários bastante definidos, e por isto os egípcios desenvolveram seus estudos sobre astronomia, e aprenderam a interpretar o efeito dos movimentos da Terra sobre as estações do ano e o clima. Tudo para ter uma colheita bem-sucedida. Quando tinham sucesso, geralmente as safras eram maiores do que as requeridas para consumo nas entressafras, e o excedente ficava armazenado em celeiros, para suprir as necessidades, no caso das próximas safras não serem tão abundantes.

Esta moça entrou lá em casa e se instalou com ares de dona do pedaço...
 
Porém, mesmo com tais precauções, em determinados momentos eles se viram ameaçados pela fome, devido a uma praga difícil de combater: ratos!
Os ratos também desenvolveram uma associação com os humanos, mas de uma forma que só beneficiava a eles: invadiam os celeiros e devoravam o que podiam dos grãos armazenados. Além disto, grande parte do que não era devorado ficava contaminado pelos seus dejetos, ficando inadequado para o consumo.
Entretanto, as regiões desérticas em torno das povoações egípcias eram abundantes em gatos, em seu estado selvagem.
Em situação normal, os felinos viviam em tocas apertadas e bem escondidas, e sendo animais de pequeno porte, eram presas de diversos animais maiores, como chacais, raposas e linces. Mas, sendo eles também predadores, tinham a difícil rotina de ficarem escondidos na maior parte do dia, saindo de suas tocas apenas à noite, para descobrir, caçar e trazer para seus filhotes insetos e animais menores, como pequenos répteis, pássaros e... ratos!
Mas, suas saídas precisavam ser muito breves e eficazes, para que ficassem expostos o menor tempo possível, evitando que, de predadores, se tornassem presas. Os gatos são caçadores rápidos, silenciosos e certeiros!
Especialistas em comportamento animal de um canal de TV a cabo especializado em fauna estabeleceram um ranking de animais predadores, baseados no percentual de sucesso de suas investidas. O vencedor foi o gato, superando tubarões, orcas, lobos outros menos votados.
Mas, voltando ao Egito antigo, os egípcios viram com esperança que à noite, os gatos venciam a timidez, se aproximavam dos povoados e partiam com sua habitual agressividade e eficácia contra os ratos, depois de verificarem que os humanos não representavam ameaça para eles. Pelo contrário, os egípcios logo perceberam que a presença dos felinos era uma dádiva dos céus, e dentro de sua religiosidade, atribuíram isto a uma intervenção divina!
Assim, os gatos passaram a ser bem tratados e bem vindos nas casas e povoações, com status de enviados dos deuses, e portanto sagrados.
A partir da segunda dinastia egípcia, foi incorporada às divindades uma deusa gata, chamada Bast ou Bastet.
Imagem egípcia de Bast. Existem outras representações em que ela é uma mulher com cabeça de gata.

Bast era considerada como os olhos do deus-sol Rá e protetora da maternidade, da família e da cura. Os médicos egípcios a adotavam como símbolo.
Os templos consagrados à deusa abrigavam diversos gatos que, quando morriam, eram mumificados, como os nobres e faraós.
No Egito, quando um gato da casa morria, as pessoas da família raspavam as sobrancelhas em sinal de luto. Quem matasse um gato poderia ser condenado à morte.
Depois de ter salvo o povo egípcio da fome, os gatos, sempre cumprindo sua finalidade protetora, passaram a ser adotadas como animais domésticos, desfrutando de todos os direitos da casa.
Por isto, não estranhe o jeito folgado e a postura exigente dos gatos...eles um dia evitaram que os homens morressem de fome!

domingo, 2 de fevereiro de 2014

ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ!

Oceis pensaram qui nóis ia embora...
Nóis enganemos oceis...
Fingimus qui fumus e vortemus...
Ói nóis aqui travêis!

Calma, gente! Não fiquei fora do mundo, não. Apesar de não ter publicado nada neste ano até agora, estive antenado todo o tempo, acompanhando as mudanças constantes na Terra, no espaço e em todos os astros visíveis.
Já sei que as manifestações populares em protesto contra as mazelas nacionais foram desvirtuadas por desordeiros infiltrados que promovem quebra-quebras com objetivo de desacreditar e tirar a legitimidade dos manifestantes.
E que a polícia não pode tocar nem manter presos os baderneiros, já que os mesmos contam com uma misteriosa rede de apoio, vinda, ao que parece, das divindades celestes...
Também percebi que, apesar de abandonarmos a transposição do rio S. Francisco (depois de ter enterrado bilhões do dinheiro público), de termos postos de saúde e hospitais inaugurados completamente inoperantes e escolas sem teto nem carteiras (com os professores sempre em greve), fomos capazes de financiar um porto em Cuba, como prova da amizade e do apreço do governo brasileiro pela ditadura de 54 anos dos irmãos Castro, baluartes da democracia.
Epa! Política não! Preciso me conter, mesmo porque é um assunto que fede e só dá raiva!
Vamos falar do tempo: enquanto a América do Norte enfrenta um dos invernos mais rigorosos de sua história, com sensações de até 50 graus C abaixo de zero, aqui no Brasil ocorre exatamente o inverso, com sensações de calor alcançando os 50 graus...acima de zero!

Uma diferença de 100º C entre as sensações térmicas nos hemisférios sul e norte...

Ao contrário da maioria dos brasileiros, principalmente dos cariocas, eu suporto melhor o frio do que o calor. Acho até confortável as temperaturas em torno de 20 graus positivos, como no inverno na serra fluminense (ou no meu quarto, com o condicionador de ar ligado).
Os passarinhos estão decididamente agitados, talvez em função do calor, ou talvez por receio dos gaviões, que parecem famintos, pousados no topo das árvores, soltando seus aterrorizantes e longos piados.
Nas ruas da metrópole, nada mudou: semana passada, um caminhão entrou a linha amarela, via expressa de tráfego, num horário proibido para caminhões. Rodando em velocidade acima da permitida, não percebeu que a caçamba se ergueu, por uma pane mecânica ou comando errado, excedendo a altura máxima para a pista. Colidiu contra uma passarela, que desabou sobre a via expressa, destruindo automóveis e motos, matando 5 pessoas e ferindo outras tantas...
Mas, apresentou uma boa justificativa para não ter percebido que a caçamba estava erguida: estava falando no celular!
É mole?
Estamos em um ano que vai ser difícil de começar: normalmente, por aqui o ano só começa depois do carnaval, mas, aí vem o aquecimento para a Copa do Mundo...E depois? Aí, vêm a campanha eleitoral e as eleições...No mês seguinte, já começa a época pré Natal, e assim, é bem provável que o ano termine antes de começar...
Mas, pelo menos, recomecei a escrever nesta página...

Abraços a todos!  

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

É NATAL!


  



Época de Natal novamente...

Desta vez não vou entrar em considerações sobre as distorções que a exploração comercial introduziu para esta data e para o seu verdadeiro significado.

Desejo apenas que este evento tradicional sirva para:

Estreitar ainda mais os laços familiares...

Estreitar ainda mais os laços de amizade...

Despertar nas pessoas o sentimento de solidariedade para com os menos favorecidos...

Reduzir a relevância das coisas desagradáveis...

Aumentar o peso dos momentos felizes...

Um natal de paz para todos!
 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

ADEUS, MADIBA

Nelson Rolihlahla Mandela
(Mvezo, 18-jul-1918 – Joanesburgo, 5-dez-2013)


Anos atrás, quando ainda vigorava na África do Sul o regime do apartheid, e o país se encontrava sob boicote político, econômico e até esportivo de diversas nações, eu costumava repetir uma profecia sinistra: “no momento em que a maioria negra assumir o poder, seja de que forma for, haverá um banho de sangue!”
Eu tomava como base os fatos já ocorridos após a independência em antigas colônias e redutos europeus na África, até mesmo pelas rivalidades radicais entre tribos e facções que até então dividiam o território africano.
Então, em 1990, pressionado por muitas nações, o governo de Pretória acabou por libertar Nelson Mandela, condenado à prisão perpétua e mantido prisioneiro desde 1964, sob acusações de terrorismo e sabotagem. Acenderam o estopim de um barril de pólvora, pensei eu. E logo começaram as manifestações que levaram o Congresso Nacional Africano (CNA) a apresentar a candidatura de Mandela ao governo. Convém lembrar que o CNA, apesar de estar direcionado para uma causa comum, era formado por diversas facções, cada uma com suas próprias lideranças e algumas delas bastante radicais e inclinadas a ações violentas.
O próprio Mandela não tinha um retrospecto exatamente pacifista. Em determinada fase de suas atividades, chegara a defender métodos violentos em resposta às ações também violentas que eram empregadas pelo governo da minoria branca contra a população negra.
Porém, quando se viu como quase uma unanimidade na preferência da população, conseguiu estabelecer uma política de transição com o governo de De Klerk, menos radical que seu antecessor Botha, ao mesmo tempo em que teve habilidade e firmeza para conter os líderes mais radicais, obter o seu apoio e convence-los a construir uma nova nação, ao invés de simplesmente destruir a antiga, substituindo-a pelo caos de uma guerra civil que nunca teria fim.
Assim, nas primeiras eleições gerais e livres da África do Sul, elegeu-se presidente em 1994 com grande maioria de votos.
Sem revanchismo, mesmo sendo visto sem muita simpatia pelos funcionários do antigo regime, manteve diversos deles nos seus postos, em função de sua experiência, inestimável na organização de seu próprio governo. O que mudou, e muito, foi a atitude da polícia nas ações de repressão em relação à população negra.
O sucesso de Mandela já fora reconhecido em 1993, quando ele foi agraciado com o premio Nobel de Paz, juntamente com De Klerk , por terem ambos efetuado com sucesso as negociações para a difícil transição do regime.
Entretanto, Mandela também foi muito criticado por não haver promovido mudanças mais radicais em algumas políticas do antigo regime.
Pelo que sofreu durante o período de encarceramento, teria motivos de sobra para guardar rancor de seus antigos captores, mas nenhum ato de revanchismo foi incentivado por ele, o que lhe concedeu o status de um verdadeiro estadista!
Me fez queimar a língua e o meu pessimismo!
Descanse em paz, Mandela!
Não foi um santo, nem foi perfeito, mas seu nome ficará na história!


Nota: entre seus seguidores, Mandela era chamado pelo apelido carinhoso de “Madiba”.