Alô,
minha gente, volto cheio de saudade, reunindo as forças que começam
a retornar, qual Superman afastado da kryptonita.
Nesta
manhã de domingo, leio nas páginas de uma revista a interessante
entrevista com a cientista italiana Fabiola Gianotti, líder da
equipe que, através de experimentos no LHC (Large Hadron Collider - Grande Colisor de Hádrons ou "Trapizonga" como prefere meu amigo Jair), se acredita ter descoberto o tão procurado Bóson de Higgs, em julho de 2012.
Fabiola Gianotti, no túnel do LHC: para ela, o Nobel deveria ser compartilhado por todos os que participaram da pesquisa.
Como
costuma acontecer no campo da ciência, novas descobertas geralmente
trazem muito mais perguntas do que respostas.
Quanto
mais avançou a ciência no século XX, mais questões surgiram, e as
soluções às vezes custam muito a aparecer. Muita coisa que “não
batia” com as equações da física colocava os cientistas num
dilema: ou existem alguns fatores ainda não detectados atuando sobre
o universo, ou as equações estão simplesmente erradas!
E, nesta
última hipótese, teríamos que jogar no lixo todas as teorias
formuladas até aqui, pois todas estariam baseadas em equações sem
fundamento ou incompletas!
Recentemente,
se chegou a surpreendente conclusão de que o somatório das massas
dos corpos celestes observáveis e mesmo presumíveis no universo não
explicaria certos eventos ligados à sua formação e comportamento.
Entretanto, para alívio da ciência, novas técnicas de observação
detectaram uma nova entidade, a tal “matéria escura”, que
constituiria nada menos de 95% da massa universal, e assim
justificaria certos efeitos já observados.
Mas,
outras incompatibilidades entre diversos campos da ciência careciam
de um fator de relacionamento, cuja influência podia ser observada
mas dificilmente medida. Daí veio a ideia de que deveria existir uma
partícula subatômica ainda desconhecida que explicasse determinadas
interações e efeitos.
E a essa
esperada partícula foi dado o nome de Bóson de Higgs, em homenagem
ao cientista Peter Higgs, que propôs a sua existência. Partículas
subatômicas podem ser difíceis de ser detectadas, daí a
necessidade de engenhocas incrivelmente gigantescas e caras como o
LHC (Trapizonga), um acelerador de partículas que se extende por uma circunferência de 27 km.
O LHC: um tunel circular de 27 km, na fronteira franco-suiça.
As partículas são aceleradas a velocidades incríveis através do túnel
do LHC, até colidirem com um obstáculo colocado no seu caminho.
Esta colisão gera determinados efeitos, como o surgimento de
novas partículas, algumas das quais duram apenas frações de segundo, mas
são registradas por equipamentos ultra-sensíveis acoplados ao LHC.
Perguntada
sobre uma provável indicação para o premio Nobel da Física, por
ter chefiado a equipe de mais de 3.000 cientistas empenhados nos
experimentos dirigidos para a busca do bóson, Fabiola Gianotti disse
ser mais importante enfatizar a união de cientistas de 38 países,
inclusive parcerias improváveis, como Israel e Palestina, em torno
de um único objetivo. Para ela, seria mais adequado que mudassem as
regras do premio Nobel e que os agraciados fossem todos os cientistas
que se envolveram nesta causa comum, começando por Peter Higgs.
Apenas mais um degrau na imensa escadaria...
Segundo a
cientista italiana, esta porta que se abre já projeta outras novas
questões, como uma teoria já batizada de “supersimetria”, que
estabeleceria que a partícula descoberta não foi “o” Bóson de
Higgs, mas “um” dos Bósons de Higgs, e pressupõe que haveriam
pelo menos cinco diferentes tipos de bósons! Lá vamos nós outra
vez!
Como se
vê, quanto mais descobrimos compartimentos secretos deixados pelos
cantos do universo, mais possibilidades e dúvidas encontramos para
pesquisar e esclarecer.
Enfim,
acabamos de galgar mais um degrau nessa imensa escadaria que se
estende para o infinito.