Rio,
15:30 hs.
Após
enfrentar o calor infernal deste verão atipicamente seco (imaginem
que este ano nem choveu no carnaval!) chego em casa, após uma longa viagem à
Botafogo (muito longe para quem mora onde eu moro e saiu às 8:30 da manhã!). Claro que viajei
protegido pelo casulo gelado da cabine do meu carro, ou certamente
sucumbiria à desidratação na metade do caminho. Agradeço à FIAT
pelo isolamento e pela eficácia do ar condicionado que colocou num
modelo de carro popular como o Palio. Grazie mille!
Após um
banho de água morna (já que é impossível obter água fria, numa
casa onde a caixa d'água fica exposta ao calor!),
ligo a TV e como na cozinha não tem decodificador de TV a cabo, fico
assistindo ao canal de vendas, já que nos outros canais nesta hora nada há para ver.
E uma
graciosa vendedora exibe os dotes de uma toalha felpuda, que me
parece mesmo ser de boa qualidade. Espessa, com desenhos em alto
relevo, se dobra e desdobra nas mãos ágeis da moça falante.
“Você
já viu como fica todo mundo apertado na praia?” - Diz ela.
“Pois
veja, essa toalha tem 1,00m X 1,50m ! Você estende ela na areia e o
seu espaço está assegurado! Você fica com lugar para relaxar à
vontade!”
Fiquei
pensando que, geralmente eu jamais levaria uma toalha de tão boa
qualidade para a praia!
As
toalhas que eu costumava levar para a praia eram aquelas baratas,
fininhas e vagabundas, com cores e desenhos berrantes visíveis em
apenas um dos lados, que os camelôs da orla marítima vendiam,
juntamente com guarda-sóis, esteiras, cadeiras e outros acessórios
praianos.
No meio de tanta gente, é importante garantir o seu território...
Mas
agora, graças às artimanhas e à lábia de uma hábil e bonita
vendedora, a velha toalha de praia, um pouco mais refinada, passa a
figurar como mais uma arma de dominação territorial, para que cada
um possa assegurar a posse temporária de seu pedaço de areia, sob o
sol inclemente deste verão.
Clausewitz,
o grande estrategista prussiano, com suas teorias de que uma boa
defesa territorial seria uma arma para chegar à vitória, certamente
aprovaria a tática da nossa jovem promotora de vendas.
Enquanto
outros desenvolvem aviões invisíveis ao radar, helicópteros com
visão noturna, fuzis com miras a laser, bombas “inteligentes”
(*), e tanques com blindagens absorventes, uma jovem simpática e
sorridente apresenta aos telespectadores um “arma” que pode
assegurar a posse de 1,00 X 1,50 m de areia por uma manhã inteira,
mais do que o suficiente para curtir o sol, as garotas e pelo menos
uma dúzia de latinhas de cerveja!
Ah! Se os
americanos soubessem disso! Não teriam perdido tantos soldados no
Iraque e no Afeganistão! E areia lá é o que não falta! Garotas
bonitas também não!
(*) Nota: Pelo menos para mim, "bomba inteligente" é a que não explode!

