FRASE:

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"Se deres um peixe a um homem, vais alimenta-lo por um dia; se o ensinares a pescar, vais alimenta-lo a vida toda."

(Lao-Tsé, filósofo chinês do séc. IV a.c.)

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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

UM TREM NADA BÃO, UAI!

Este título homenageia aos mineiros, que gostam de incluir "trem" em  quase tudo que falam. Né, Rê?
Que bom se os governos brasileiros também tivessem incluido os trens para valer no nosso sistema de transportes terrestres, tempos atrás!
A primeira ferrovia brasileira foi implantada no século XIX, por iniciativa do Barão de Mauá, título dado ao empresário gaúcho (nascido em Arroio Grande) Irineu Evangelista de Sousa. Abrimos aqui um parêntese para dizer que este mesmo empresário foi também quem instalou no Brasil a primeira fundição, o primeiro estaleiro, o transporte por barcos a vapor no rio Amazonas, para não falar da iluminação pública da Cidade do Rio de Janeiro. Enquanto descansava, lançou um cabo submarino telegráfico ligando o Brasil à Europa e criou o Banco do Brasil!
Se alguns dos políticos e administradores públicos atuais tivessem um pingo de vergonha, iriam para debaixo do tapete!

 Malha ferroviária brasileira : alguns estados nunca viram um trem! 
Outros, raramente podem ver algum.

Segundo a Wikipédia:
"A rede ferroviária brasileira possui atualmente 29.706 km de extensão (1.121 eletrificados), espalhados por 22 dos 26 estados brasileiros, divididos em 4 tipos de bitolas:
  • Larga (irlandesa) - 1,600m: 4.057 km
  • Larga (internacional) -1,435m: 202,4 km
  • Métrica- 1,000m: 23.489 km
  • Mista - 1,600/1,435/1,000m : 336 km
Também existem bitolas 0,600 e 0,762m em trechos turísticos.
Chegou a possuir 34.207 km, porém crises econômicas e a falta de investimentos em modernização, tanto por parte da iniciativa privada como do poder público, aliados ao crescimento do transporte rodoviário fizeram com que parte da rede fosse erradicada!"
O trecho acima já fala por si só! Nossa malha ferroviária encolheu, ao invés de crescer!
Desses  29.706 km, mais de um terço foram construídos no século XIX, quase todas no governo de D. Pedro II! Isto mostra que o descaso e a desorientação que ocorreu no século XX (e continua até hoje) com a administração pública deste país não se resumiu à educação e à saúde! A falta de padronização das dimensões, isolando cada trecho e impedindo uma integração eficaz e econômica, dá uma idéia da ausência de uma política definida e consciente de implantação! 
Washington Luís, que assumiu a presidência em 1926 e foi deposto pela revolução de 30, dizia que "governar é construir estradas". Esqueceu-se das ferrovias. E assim o fizeram seus sucessores.
A partir dos anos 50, as rodovias aumentaram em detrimento das ferrovias e a partir dos anos 80, as ferrovias foram sucateadas.  As rodovias são necessárias em qualquer país, mas não podem ser responsáveis por quase 70% do transporte de cargas, enquanto a rede ferroviária fica com apenas 20%, como acontece no Brasil! A consequência disto é o excesso de caminhões sobrecarregados nas estradas, destruindo a pavimentação, que já não é das melhores, e entupindo as vias de acesso das grandes cidades, devido à ausência de terminais adequados para carga rodoviária. As mesmas e gigantescas carretas que trazem as cargas interestaduais as entregam literalmente na porta dos destinatários, causando embaraços no trânsito, até em ruas secundárias. Isto deveria ser feito por viaturas menores e mais ágeis, fazendo o serviço de ligação entre os terminais de carga/descarga e o destino final da mercadoria.
Os danos causados na pavimentação das estradas pelo excesso de tráfego pesado  aumentam o tempo das viagens e resultam em mais avarias em todos os veículos que as utilizam, além de causarem muitos acidentes, multiplicando os prejuízos, que são repassados para o custo dos fretes, aumentando o preço final dos produtos transportados.
Uma carreta pode levar aprox. 30 toneladas de carga, enquanto uma composição ferroviária pode levar 3.000 toneladas! Mesmo com um ônus maior na sua implantação, os custos do transporte ferroviário são em média 20% mais baratos do que o rodoviário.

 A malha ferroviária dos EUA: lá ninguém estava de brincadeira! 
(Mapa: OpenStreetMap)

Para que se tenha uma referência, listamos alguns países de grande porte, com sua área territorial e a extensão de suas linhas ferroviárias, comparados com o Brasil:

País                      Área                 Extensão de
                        Territorial             Linhas férreas

Brasil             8.511.965 Km²           29.706 km
EUA (1)         9.372.610 Km²         226.612 km                (dados de 2005)
Rússia (2)    17.075.400 Km²           85.500 km
China             9.596.960 Km²           86.000 km

(1) Incluindo Alaska e Havaí.
(2) Grande parte da Rússia fica na Sibéria e dentro do círculo polar, onde as condições são extremas.

Segundo o ministro chinês das Ferrovias, Liu Zhijun, a China tem atualmente 7.531 km de linhas de alta velocidade, a maior extensão deste tipo no mundo. As metas atuais são de até 2020 expandir a malha ferroviária total para 120.000 km! Em um teste realizado no final do ano passado, o novo trem-bala chinês CRH-308A alcançou a velocidade de 486 km/h.
No Brasil, só existe atualmente uma linha de trem de passageiros de longo curso com saídas diárias: é o trajeto Vitória-Belo Horizonte, de 664 quilômetros.

 Interior do trem Vitória - B. Horizonte: Café no vagão-restaurante, classe executiva e classe econômica.(Fotos do site: THE MAN IN SEAT SIXTY-ONE)
Estação de trem chinesa; trem-bala chinês e seu vagão-dormitório. A China tem a maior extensão mundial instalada de linhas de alta velocidade.(Fotos do site: THE MAN IN SEAT SIXTY-ONE)
 O Eurostar europeu; cabines de primeira e segunda classe. (Fotos do site: THE MAN IN SEAT SIXTY-ONE)
O excelente site THE MAN IN SEAT SIXTY-ONE: http://www.seat61.com/index.html , tem informações interessantes, dicas e fotos de linhas ferroviárias de todo o mundo,  e até venda de passagens e reservas em hotéis europeus online. Ali, pode-se ter uma ideia de como são as linhas de passageiros em diversos locais do mundo.
Até quando as rodovias brasileiras aguentarão a sobrecarga? Quando os responsáveis pelos destinos do país perceberão essa lacuna e suas consequências?
Quando sairão da apatia para uma ação coordenada e bem conduzida?