FRASE:

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"Se deres um peixe a um homem, vais alimenta-lo por um dia; se o ensinares a pescar, vais alimenta-lo a vida toda."

(Lao-Tsé, filósofo chinês do séc. IV a.c.)

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quinta-feira, 14 de março de 2013

HABEMUS GRAMA!

A grande notícia internacional da semana deve ser a eleição do novo papa. O cardeal argentino Mario Jorge Bergoglio tornou-se o Papa Francisco, primeiro de sua linhagem, primeiro da ordem jesuíta e primeiro não-europeu.

Mario Jorge Bergoglio, o Papa Francisco: este jogo os hermanos venceram com olé...

Meio embaraçoso para alguns gaúchos da fronteira, para quem o único argentino na bíblia teria sido Judas Iscariotes, como consta na anedota sobre um padre que tinha implicância com nossos irmãos portenhos.
Que aliás, apesar de grandes rivais no futebol, adoram nossas praias e caipirinhas e são donos de metade de Búzios.
Mas, aqui, no Rio, o acontecimento local que mais gerou comentários foi a volta da grama ao estádio do Maracanã. Depois de virar um piscinão em decorrência dos dilúvios que caíram sobre a capital fluminense no início do mês, o estádio teve de volta seu tapete verde.
A grama trazida dos EUA, cultivada e preparada com muito carinho, foi plantada no seu local definitivo, formando o gramado do estádio mais importante do país.

 Grama importada dos EUA: o tapete do templo.
(Foto: Érica Ramalho)
E, como o estádio Mário Filho, popularmente conhecido como Maracanã, já foi apelidado "o templo do futebol", os cariocas amantes do esporte bretão bem que poderiam proclamar:
- Habemus grama!
Verdade que teria sido mais barato implodir o estádio  antigo antes de construir um novo, ao invés de tentar preservar a estrutura antiga para depois perceber que ela não suportaria a nova cobertura e construir uma nova, demolindo a antiga aos poucos, como foi feito, a um custo bem maior do que o previsto inicialmente... 
Não vou me prolongar comentando que na semana passada, crianças de uma escola da baixada fluminense fizeram uma manifestação pedindo apenas que consertem o prédio de sua escola, com o telhado danificado, para que possam voltar às aulas.
Ou que as condições de atendimento nos postos de saúde poderiam ser melhores do que o caos que vemos diariamente...
Questões de educação e saúde pública não recebem a mesma prioridade que eventos esportivos como olimpíadas e copa do mundo, mas ninguém parece se importar com isto!
Apesar de gostar de futebol como qualquer brasileiro comum, ainda acho difícil entender a vibração com a grama e a indiferença pelo telhado da escola... 
As questões de fé não foram feitas para serem entendidas, mas apenas aceitas... 
 

terça-feira, 20 de março de 2012

PARA ONDE VAI O DINHEIRO DA SAÚDE

Nos meus posts: CPMF: O ASSALTO QUER VOLTAR e AINDA O ASSALTO DA CPMF, eu falei das tentativas (felizmente frustradas) do governo atual para ressuscitar a CPMF, o chamado "imposto do cheque", um verdadeiro assalto em cascata ao bolso de todo o cidadão, por vias diretas ou indiretas. A justificativa para sua criação foi a saúde pública, que receberia os recursos arrecadados. 
Naquela matéria, foi mostrado que praticamente nada da imensa verba arrecadada foi aplicada na saúde.
Na tentativa da recriação da CPMF (com novo nome), um dos argumentos foi de que "agora as coisas seriam diferentes".
No programa Fantástico, da TV Globo, apresentado no domingo passado (18/03/2012), foi mostrado, com provas irrefutáveis, uma das causas da saúde pública ser este pesadelo que todos conhecem: Um repórter da TV foi infiltrado em um hospital público, com apoio do diretor, como se fosse o novo gestor responsável pelas licitações. E, em determinados momentos, gravou diversas reuniões com fornecedores e prestadores de serviços em potencial.
As gravações mostraram com bastante clareza para onde vai o dinheiro destinado a proporcionar aos brasileiros um serviço de saúde decente: para o pagamento superfaturado das fornecedoras e prestadoras de serviços e para os bolsos dos funcionários corruptos responsáveis pela contratação das empresas.


E aí está a explicação para os péssimos serviços prestados por algumas empresas terceirizadas, e para o fato de nunca haver verba que chegue para fazer as coisas funcionarem, com ou sem CPMF.
A tática usada é deixar as coisas ficarem em situação crítica, como estoque baixo de alguns gêneros de primeira necessidade. Isto cria uma suposta emergência, caindo numa exceção onde as licitações são feitas em caráter de urgência, sem maior fiscalização, e então se encena uma farsa, onde outras empresas se prestam para legitimar a fraude, enviando propostas acima do valor pedido pela empresa já escalada para vencer a licitação, num jogo de cartas marcadas.
Os produtos e serviços são superfaturados, e parte do excesso vai para os funcionários responsáveis, na forma de propina!
É claro que só foram mostradas algumas pessoas e quatro empresas envolvidas na fraude. Algumas delas já estão "queimando" os funcionários apanhados com a boca na botija, e os órgãos públicos estão congelando todos os contratos com as empresas citadas!
Porém, as conversas gravadas não deixam dúvida que esta prática é sistemática e generalizada, e já faz parte há muito tempo do modo de operar das empresas que lidam com órgãos do governo!


Portanto, o que foi mostrado é apenas a ponta de um gigantesco iceberg!
Mas, neste país, quando se descobrem esquemas assim, é tradição sacrificar os que foram apanhados em flagrante e fingir que não vê os que foram mais sutis.
Confira o vídeo completo em:

http://globotv.globo.com/rede-globo/fantastico/t/edicoes/v/reporter-trabalha-infiltrado-em-reparticao-publica-e-flagra-escandalo-de-corrupcao/1862952/

O que não dve ser feito agora é encarar o ocorrido como um "fato pontual" e só investigar os que foram filmados no ato de delinquir.
Uma vez que nas próprias gravações, os corruptores falam que o que estão fazendo ali é uma prática comum, inclusive citando outros órgãos públicos com os quais mantém relacionamento, precisam ser investigados todos os contratos feitos pelo menos nos últimos quatro anos envolvendo órgãos do governo e empresas, abrangendo todo o país, e mesmo empresas que não sejam parte do quarteto flagrado.
Será que farão isto antes que outro "escândalo da vez" tome o lugar deste, nas manchetes da imprensa?

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

AINDA O ASSALTO DA CPMF (TRANSCRIÇÃO)

Recebi o texto abaixo em uma mensagem de um amigo e lembrei que há pouco tempo abordei este assunto neste blog. Não resisti a tentação de transcrever, apesar desta abordagem ser politicamente mais agressiva.
Não sou adepto de nenhum partido político, pois não acredito em partidos, mas em pessoas. Só que ultimamente não tenho visto na política muitas pessoas em que eu possa acreditar...
 

 
Vamos criar a CCMEF?
(Ruth de Aquino)
Artigo de Ruth de Aquino, publicado com o título acima na revista 'Época'. A sugestão dela para a criação da CCMEF (Contribuição dos Corruptos Municipais, Estaduais e Federais) é muito criativa.
Vale a pena ler seu artigo: 
"Quem falar que resolve a saúde sem dinheiro é demagogo. Mente para o povo.”


Dilma está certa. É urgente. Em lugares remotos do Brasil, hospitais públicos são mais centros de morte que de cura. Não é possível “fazer mágica” para melhorar a saúde, afirmou Dilma. Verdade. De onde virá a injeção de recursos? A presidente insinuou que vai cobrar de nós, pelo redivivo “imposto do cheque”. Em vez de tirar a CPMF da tumba, sugiro criar a CCMEF: Contribuição dos Corruptos Municipais, Estaduais e Federais. 

A conta é básica. A Saúde perdeu R$ 40 bilhões por ano com o fim da CPMF, em 2007. As estimativas de desvio de verba pública no Brasil rondam os R$ 40 bilhões por ano. Empatou, presidente. É só ter peito para enfrentar as castas. Um país recordista em tributação não pode extrair, de cada cheque nosso, um pingo de sangue para fortalecer a Saúde. Não enquanto o governo não cortar supérfluos nem moralizar as contas. 

Uma cobrança de 0,38% por cheque é, segundo as autoridades, irrisória diante do descalabro da Saúde. A “contribuição provisória” foi adotada por Fernando Henrique Cardoso em 1996 e se tornou permanente. O Lula da oposição dizia que a CPMF era “um roubo”, uma usurpação dos direitos do trabalhador. Depois, o Lula presidente chamou a CPMF de “salvação da pátria”. Tentou prorrogar a taxação, mas foi derrotado no Congresso. 

A CPMF é um imposto indireto e pernicioso. Pagamos quando vamos ao mercado e mesmo quando pagamos impostos. É uma invasão do Estado nas trocas entre cidadãos. Poderíamos dizer que a aversão à CPMF é uma questão de princípio. 

Mas é princípio, meio e fim. Não é, presidente? 

“Não sou a favor daquela CPMF, por conta de que ela foi desviada. Por que o povo brasileiro tem essa bronca da CPMF? Porque o dinheiro não foi para a Saúde”, afirmou Dilma. E como crer que, agora, não haverá mais desvios? 

Como acreditar? O Ministério do Turismo deu, no fim do ano passado, R$ 13,8 milhões para uma ONG treinar 11.520 pessoas. A ONG foi criada por um sindicalista sem experiência nenhuma com turismo. Como acreditar? A Câmara dos Deputados absolveu na semana passada Jaqueline Roriz, apesar do vídeo provando que ela embolsou R$ 50 mil no mensalão do DEM. 

Como acreditar? Os ministros do STF exigem 14,7% de aumento para passar a ganhar mais de R$ 30 mil. Você terá reajuste parecido neste ano? O orçamento do STF também inclui obras e projetos, como a construção de um prédio monumental para abrigar a TV Justiça. É prioridade? 

O Congresso gasta, segundo a organização Transparência Brasil, R$ 11.545 por minuto. O site Congresso em Foco diz que cada um de nossos 513 deputados federais custa R$ 99 mil por mês. Cada um dos 81 senadores custa R$ 120 mil por mês. São os extras. E o Tiririca ainda não descobriu o que um deputado federal faz. 

“É sério. Vamos ter de discutir de onde o dinheiro vai sair (para a Saúde).” 

Tem razão, presidente. Mas, por favor, poupe-nos de seu aspirador seletivo. 

A senhora precisa mesmo de 39 ministérios consumindo bilhões? Aspire os bolsos gordos da turma do Novais, do Roriz, do Sarney. Apele à consciência cívica dos políticos e juí­zes que jamais precisaram do Sistema Único de Saúde. 

Vamos criar o mensalão da Saúde.

Um mensalão do bem, presidente. Corruptos que contribuírem serão anistiados. ONGs fantasmas, criadas com a ajuda de ministros & Cia., terão um guichê especial para suas doações.

O pessoal que já faturou por fora com a Copa está convocado a dar uns trocados para a Saúde. 

Enfiar goela abaixo dos brasileiros mais um imposto, nem com anestesia. Um dia nossos presidentes entenderão o que é crise de governabilidade. Não é a revolta dos engravatados em Brasília nem a indignação dos corredores e gabinetes.

A verdadeira crise de poder acontece quando o povo se cansa de ser iludido. 

Os árabes descobriram isso tarde demais.

Deitavam-se em sofás de sereias de ouro, cúmulo da cafonice.

Eles controlavam a mídia, da mesma forma que os companheiros do PT estão tentando fazer por aqui.

Não deu certo lá. Abre o olho, presidente.
OBS.: Veio da presidência da república a ordem expressa para a recriação do "imposto do cheque" ou assemelhado. Foi sugestão da nada confiável Dilma Rousseff. Ela diz uma coisa e faz outra, como aprendeu com seu guru, o Retirante Falastrão. Os "trabalhos" nas duas casas legislativas para ressuscitar esse assalto aos nossos bolsos estão de vento em popa. Virá como um petardo sobre os contribuintes extorquidos diariamente pelos impostos imorais que já pagamos. Se não houver mobilização por parte da sociedade seremos engolidos por essa imoralidade que nos desrespeita e agride como um chute em nosso traseiro. Temos de demonstrar à essa marionete que somos nós quem mandamos nela e  não o contrário.
Chega de roubalheira custeada com os nossos impostos.  

Nota: O comentário (OBS...) acima não faz parte do texto original da revista, e nem é meu. Recebi a mensagem com ele e não posso confirmar algumas dessas afirmações, mas concordo com algumas frases, como a que diz respeito à mobilização contra este assalto legalizado.

domingo, 25 de setembro de 2011

CPMF: O ASSALTO QUER VOLTAR

O fantasma do retorno da CPMF está no ar. Com um novo nome, e regras turbinadas pela experiência de quem passou 11 anos literalmente assaltando o bolso de todos os brasileiros! Alguns, inocente ou maldosamente, ainda a chamam "imposto sobre cheque". Uma pessoa humilde que me prestava serviços chegou a falar: "Pra mim não tem problema, eu nunca passo cheque!" Meu trabalho foi explicar como o efeito cascata de cobrar imposto sobre imposto afeta o bolso de todos, notadamente os mais pobres, que pagam preços inflados para compensar as perdas inevitáveis. E, se alguém me pagava por um serviço, a CPMF era debitada da conta desse alguém, entrava na minha conta e, quando eu precisava retirar este dinheiro, por exemplo, para pagar o IPTU (outro imposto), era garfado novamente por outra movimentação do mesmo dinheiro, e assim ad infinitum! As sondagens preliminares para o retorno deste produtivo assalto contra vítimas indefesas já foram feitas! Como de se esperar, ninguém quer assumir a paternidade do monstro, e tudo fica no nível das insinuações: "...alguém tem que dizer de onde virá o dinheiro para melhorar a saúde...". Se o problema da saúde fosse dinheiro, nossos postos e hospitais teriam que estar bem melhores, em função do rio de dinheiro que foi arrancado dos brasileiros de 1997 a 2007!
Em 22 de outubro de 1997, o ex-ministro Adib Jatene, o "pai" da CPMF, escreveu este artigo na seção "Ensaio" da revista VEJA, admitindo o erro e o desvio do dinheiro arrecadado pela CPMF:

Onde foi parar o dinheiro da saúde

"Constato hoje que a CPMF ajudou mais o governo do que a saúde dos brasileiros"

A regulamentação do mercado de planos e seguros de saúde é medida necessária, mas precisa ficar claro que a sua discussão interessa a apenas 25% da população - os que têm acesso à alternativa privada de atendimento quando adoecem. Estão excluídos dessa discussão 75% da população - os que dependem do sistema público de saúde. Aliás, saúde é muito mais que tratar pessoas doentes, pois inclui desde água, esgoto, habitação, alimentação, combate a endemias, imunizações, qualidade de alimentos e de medicamentos, até salário e lazer, e, evidentemente, tratamento de doentes. Enfrentar esse desafio é algo complexo, mas o Brasil tem uma proposta escrita em sua Constituição, que é o Sistema Único de Saúde, SUS.
Quando era ministro do atual governo, lutei muito para tornar o SUS realidade, porque sei que é por seu intermédio que vamos melhorar o padrão de saúde de todos os brasileiros, com ou sem plano privado. Tive oportunidade de dizer isso a colegas do ministério e ao presidente da República, que sempre se mostrou sensível ao tema. Para que o SUS deixe de ser um mero desejo dos constituintes, o país precisa investir em saúde o que os próprios constituintes indicaram nas disposições transitórias da Constituição, ou seja, 30% do orçamento da seguridade.
Como os recursos do orçamento eram flagrantemente insuficientes e o governo afirmava não poder agregar nada mais, sugeri a criação da CPMF, vinculada ao Fundo Nacional de Saúde, para complementar o financiamento do setor enquanto o governo reorganizava suas contas, fazendo inclusive a reforma tributária. O presidente me autorizou a defender a proposta entre os congressistas. Foi o que fiz pelejando sozinho, pois até os colegas meus do ministério se diziam céticos quanto à proposta. Conversei com parlamentares, empresários, comerciantes, médicos e, finalmente, após dezesseis meses de luta, conseguimos a aprovação.
Infelizmente, constato hoje que a CPMF ajudou muito mais o governo no equilíbrio de suas contas do que a saúde dos brasileiros. Fui um ministro de certa forma inconveniente para a área econômica porque, além de conhecer bastante a técnica orçamentária, fazia as contas de forma a não poder ser contestado. Neste ano, o orçamento deve fechar em 19,1 bilhões de reais. Como em 1995 gastamos 14,8 bilhões, pode-se argumentar que houve acréscimo de 4,3 bilhões. Acontece que, para manter o mesmo valor real do que foi gasto em 1995, deveríamos gastar em 1997 pouco mais de 22 bilhões. Gastaram-se, portanto, em valor real, 3 bilhões menos que em 1995. Como neste ano se incorporou a arrecadação da CPMF, verifica-se sua total esterilização como recurso complementar para melhorar o sistema de saúde.
Curioso que o orçamento da seguridade, que em 1995 era de 65 bilhões, em 1997 deve chegar a 103, portanto acima da correção da inflação do período, enquanto o orçamento da saúde, com o acréscimo da CPMF, ficou em 1997 com valor real bem abaixo da inflação. Como a arrecadação da CPMF ultrapassou a estimativa, ao contrário de agregá-la ao orçamento do ministério, minimizando o déficit, o governo se propõe a substituir fontes e a usar esse excesso de arrecadação para outras despesas que não as da saúde.
Enquanto isso, países como a França, com 58 milhões de habitantes, gastam mais de 100 bilhões de dólares, o que dá cerca de 1800 dólares por habitante/ano. O Canadá, que todos consideram padrão de assistência, gasta 1.900 dólares por habitante/ano, para não falar dos Estados Unidos, que gastam perto dos 3000. O Brasil, que já atingiu renda per capita de 5000 dólares, não consegue gastar para os 75% de sua população nem 200 dólares por habitante/ano.
Acho importante os congressistas e o governo regulamentarem os planos e seguros de saúde para 25% da população. Aliás, desde março de 1996, está no Congresso o projeto que preparamos de ressarcimento para o SUS pelos convênios, quando seus segurados forem atendidos pelo sistema público. O mais importante, porém, é que ninguém se esqueça -  e é possível - de dotar a saúde pública de recursos que ajudem a retirá-la da posição vexatória em que se encontra. É muito difícil modificar a situação enquanto gastarmos em valor real menos do que se gastou em anos anteriores.
O modelo do SUS, com descentralização em nível municipal, participação social, estímulo a consórcios, implantação do programa de agentes comunitários e saúde da família, com regionalização e hierarquização, é uma das melhores propostas existentes no mundo. Precisa urgentemente de financiamento adequado.
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O presidente do Instituto Nacional de Estudos Jurídicos e Empresariais, Luis Alberto Pereira Filho, revelou que estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo, mostrou números impressionantes sobre a arrecadação da CPMF no Brasil durante os anos de 2001 a 2006.  disse que foram arrecadados R$ 148 bilhões apenas nestes cinco anos. Lembrou que os números podem ser consultados no site www.sigabrasil.com.br e foram divulgados pela própria União.

Quem estiver interessado em refrescar a memória, ou entender melhor e saber de toda a história do assalto legalizado chamado CPMF, veja na Wikipédia: (Clique aqui).
Mais informações e estatísticas no interessante e bem elaborado texto VERDADES E MITOS SOBRE A CPMF, em: http://www.blogdoalon.com/ftp/cpmf_dem.pdf

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Notícia de 23-set-2011, publicada em diversos órgãos de imprensa:

A Câmara dos Deputados rejeitou ontem a criação de um imposto para a saúde, nos moldes da antiga CPMF. Apenas a bancada do PT, partido da presidente Dilma Rousseff, votou em prol da nova taxa, deixando claro que vai trabalhar pela criação do tributo.

O projeto que regulamenta a Emenda 29, no entanto, foi aprovado pela Casa e agora seguirá para o Senado. Na votação, o PT votou a favor da instituição da Contribuição Social para a Saúde (CSS), incluída na proposta pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A posição dos petistas converge com o desejo da presidente Dilma Rousseff de encontrar uma nova fonte de recursos voltada exclusivamente para custear ações do setor.
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 O que mudou neste país para nos fazer crer que agora seria diferente?

Assim, vemos os mesmos vampiros caras-de-pau, confiantes na tradicional falta de memória (e de consciência) dos brasileiros, voltarem a insinuar que, para melhorar a calamitosa situação da calamidade chamada saúde pública, é necessário o retorno desse assalto ao bolso do cidadão, turbinado com novo nome!
Como se a gente não soubesse que, durante os onze anos (1997-2007) em que o governo arrecadou através deste estupro aos direitos do cidadão a fantástica quantia de mais de R$ 284.000.000.000,00 ( duzentos e oitenta e quatro bilhões de reais!), não houve nenhuma mudança significativa no quadro caótico da saúde!
E a qualquer momento, em noticiários, estamos vendo os horrores das pobres pessoas que gemem sentadas (ou jogadas) nas calçadas e corredores dos hospitais e postos de atendimento de saúde pública, muitos sucumbindo antes de serem atendidos, por negligência no atendimento, falta de profissionais, falta de equipamentos, falta de leitos, resumindo, por falta de responsabilidade dos que deveriam mudar este quadro!
Recentemente, uma senhora que acompanhava sua mãe, internada em um hospital público, sentada na calçada defronte o prédio, morreu atropelada por uma ambulância sem freios, que manobrava para sair do hospital! 
E o que mudou nos diversos níveis da gestão da saúde pública para se afirmar ou se acreditar que agora vão fazer as coisas direito? 
Nunca se viu a direção de tantos órgãos públicos serem entregues nas mãos de tantos indicados político-partidários sem a mínima competência (para não falar na idoneidade) para exercerem tais funções!
Faltam verbas, dizem sempre!
Então, como se explica que existam ambulancias, carros de fumigação (fumacê) e UTIs móveis apodrecendo jogadas em pátios, por pura falta de interesse em viabilizar sua utilização? 
E equipamentos caríssimos para exames avançados encaixotados, há meses ou anos, por motivos burocráticos ou por birrinhas entre administrações municipais e estaduais ou federais?
E as salas de cirurgia e enfermarias inutilizáveis por infiltrações e mofo?
E as frequentes greves e ausência de profissionais de saúde, que já fugiam dos baixos salários oferecidos pela saúde pública, mesmo na vigência da CPMF?
Eu nada entendo desta área, mas não é preciso ser nenhum expert para ver o estado caótico em que se encontra a saúde pública! Basta tentar ajudar, levando alguém que dependa desses serviços a alguma unidade de atendimento! Eu já fiz isso!
E a TV mostra diariamente verdadeiros filmes de terror ao vivo: pessoas gemendo, pessoas revoltadas, gastando seus poucos reais em viagens de táxi, conduzindo seus familiares por dias a fio, sofrendo em sua busca desesperada por atendimento!
E tome escândalos, com milhões em despesas superfaturadas pagos indevidamente à firmas terceirizadas que cuidam de faxina, fornecimento de refeições, recolhimento de lixo, lavagem de roupas e outros serviços vinculados à atividade hospitalar !
Falta de verbas?
Não! Falta de vergonha na cara!
Falta de dar um basta e enfiar os responsáveis por esta roubalheira no xadrez!
Só no dia em que isto começar a acontecer, os candidatos a "esperto" botarão as barbas de molho!

NOTA:
O item do projeto que criava a nova CPMF, com o nome-fantasia de Contribuição Social para a Saúde (CSS) foi derrotado na camara federal, em 22 do corrente, não por consciência do legislativo, mas por motivos relacionados com barganhas políticas entre eles e o governo. Mas, a questão fica em aberto, aguardando a solução para resolver a suposta falta de dinheiro para melhorar a saúde pública. Enquanto isto, nada se faz, pois "não há dinheiro"!
Na realidade, estão aguardando o momento ideal para fazerem o acordo executivo-legislativo e aprovarem rapidamente a volta do assalto legalizado ao nosso bolso!
Aí vem: Olimpíadas, Copa do Mundo...Enquanto a galera torce diante das TVs, eles conspiram. Quando o povinho acordar do sonho, talvez já esteja tudo irremediavelmente sacramentado! É bom estar preparado!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O HERÓI CONTRA A IGNORÂNCIA

OSWALDO CRUZ
(05 de agosto de 1872 - 11 de fevereiro de 1917)
AS ORIGENS
Oswaldo Cruz  nasceu há exatamente 138 anos, em S. Luís do Paraitinga – SP, filho de Amália Taborda Bulhões e do médico Bento Gonçalves Cruz. Oswaldo foi o primogênito das seis crianças do casal. As outras cinco eram todas meninas.
Quando tinha 5 anos, sua família mudou-se para o Rio. Já era alfabetizado pela mãe, quando entrou para a escola. No colégio, não teve muito destaque, ficando na média.
A FORMAÇÃO
Em 1887, com apenas 14 anos(!), foi admitido na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Era no tempo do império e embora não houvesse ainda vestibulares, a condição exigida para a matrícula era uma prova de qualificação, que ele prestou no Colégio Pedro II, apesar de não haver cursado naquele estabelecimento.
No decorrer de seu curso, não pareceu se interessar pelo exercício da clínica médica, como seu pai. Ao invés disso, todas as suas atenções se voltavam para um novo universo, aberto por Pasteur e Koch para as ciências biológicas, afetando diretamente a medicina: a microbiologia.
Paralelamente com seu curso já passava as horas vagas trabalhando como ajudante no laboratório da faculdade.
Em 1892, aos 20 anos, se formou em medicina. Sua tese de doutorado foi um trabalho sobre a existência de micróbios nas águas não-tratadas.
Nesta mesma ocasião, perdeu seu pai, que contava 47 anos, vítima de nefrite, uma doença renal.
A VOCAÇÃO
No ano seguinte, após assumir o consultório e os negócios do pai, Oswaldo Cruz casou-se com Emília da Fonseca, filha de um abastado comerciante português, o Comendador Manuel José da Fonseca.
O presente de casamento de seu sogro foi um excelente laboratório de pesquisas e análises, montado no andar térreo da casa onde o casal foi residir, no bairro do Jardim Botânico.
Em 1894, Oswaldo foi trabalhar na Policlínica Geral do Rio de Janeiro, instituição fundada por médicos com finalidade assistencial. Durante este tempo, se dedicou a aprender a língua alemã, pois era neste idioma que se encontrava a maioria dos textos sobre medicina.
Mas, foi para a França que Oswaldo Cruz viajou, em 1897, beneficiado com uma bolsa de estudos no Instituto Pasteur, em Paris. Na França, além de ampliar seus estudos de microbiologia, fez contato com diversos cientistas renomados e aprendeu inclusive a fabricar instrumentos para utilizar nas suas pesquisas.
PRIMEIRAS MISSÕES
Em 1899, regressou ao Brasil. No mesmo ano, recebeu e aceitou um convite para integrar a uma comissão da Diretoria Geral de Saúde Pública que investigava relação de ratos com a peste bubônica em Santos, SP. Nesta comissão, conheceu Adolfo Lutz e Vital Brazil, outros cientistas também envolvidos nesta atividade.
Em 1900, assumiu a direção técnica do Instituto Soroterápico Federal, em Manguinhos, onde começou o desenvolvimento e produção de vacinas e soro contra a peste bubônica.
Em 1903, foi nomeado pelo presidente Rodrigues Alves para a Diretoria Geral de Saúde Pública, com a missão de combater as doenças que assolavam o Distrito Federal: febre amarela, cólera, peste bubônica e varíola.
Naquela época, o Rio de Janeiro tinha a triste fama de ser o “túmulo dos estrangeiros”, devido à sua insalubridade, a ponto de nos portos europeus, os navios procedentes do Rio terem que ficar em quarentena antes de aportar, por medo das doenças tropicais. Isto invalidava qualquer tentativa de atrair turistas, apesar das belezas naturais da cidade.
As pesquisas realizadas sob a direção de Oswaldo Cruz, concluíram que no caso da peste bubônica e da febre amarela o contágio se fazia através de vetores, no caso ratos e mosquitos, respectivamente, enquanto que a varíola e o cólera eram disseminados por contato direto e indireto. E, de um modo geral, o que contribuía para a disseminação dessas moléstias eram as péssimas condições sanitárias da cidade. A mortandade era grande e o povo costumava se reunir em vigílias para entoar preces, pedindo a proteção e a clemência divinas.
O prefeito Pereira Passos e o ministro da Viação e Obras Públicas Lauro Müller já começavam então a promover mudanças radicais na paisagem do Rio, com base em um plano diretor. Nos arredores do centro da cidade, houve o então chamado “bota abaixo”, quando foram derrubados prédios antigos e cortiços para a construção de praças e avenidas, inclusive a atual Av. Rio Branco. Foram implantadas as redes de água e esgotos e iluminação a gás nas ruas.
A FEBRE AMARELA
Oswaldo constatou que a disseminação da febre amarela era feita através das picadas do mosquito Stegomya Fasciata, hoje bem conhecido pelo nome de Aedes Aegypti, a exemplo do que já fora constatado em Havana, Cuba, alguns anos antes.
Assim, criou as famosas brigadas de mata-mosquitos, que percorriam as residências e terrenos da cidade, eliminando os focos de reprodução do temível mosquito. Ali começou o seu confronto com a ignorância da população e com a má vontade da imprensa. A campanha, o próprio Oswaldo Cruz e outras autoridades locais passaram a ser alvos de charges, comentários jocosos e até músicas que os ridicularizavam. Mas, suas medidas foram aprovadas pelos cientistas franceses da Missão Pasteur, instalada desde 1901 no Brasil. Finalmente, em 1907, Oswaldo comunicou oficialmente ao então presidente Afonso Pena que estava finda a epidemia de febre amarela.
Charge dos jornais da época: Oswaldo Cruz e seu exército de mata-mosquitos. A inscrição diz: HIGIENE À MUQUE (ou seja, à força). A intenção era ridicularizar a campanha.

A PESTE BUBÔNICA
Contra este mal, já havia também um consenso de que sua transmissão se fazia através das picadas de pulgas oriundas de ratos contaminados. Além de demolir casarões antigos e galpões abandonados que serviam de abrigo aos roedores, o combate se estendeu aos depósitos de lixo, esgotos e acabou por envolver a população, que neste caso colaborou, apesar de alguns fatos bem característicos terem ocorrido.
O governo federal passou a oferecer recompensas por ratos mortos que fossem levados por qualquer pessoa. O valor pago por animal era uma quantia ínfima, mas assim mesmo, incentivou o surgimento de uma nova atividade, a de “ratoeiro”, envolvendo pessoas engajadas na tarefa de caçar ratos por conta própria. Mas, aqui já era o Brasil, e isso também acabou virando um negócio, onde grandes ratoeiros recolhiam o produto de uma enorme massa de caçadores, pagavam-lhe preços ainda menores do que o governo, poupando-lhes o trabalho de irem até aos postos de coleta, e depois entregavam grandes lotes de ratos mortos, pegando a recompensa.
E, como não podiam faltar, haviam também os “espertos” que criavam ratos para negociar, e os que os traziam já mortos de outras cidades.
Mesmo com tudo isso, a doença, que no quinquênio 1900-1904 havia matado 1344 pessoas na cidade, só fez 399 vítimas no período seguinte.
A VARÍOLA
Logo ao assumir a Diretoria Geral de Saúde, Oswaldo Cruz constatou que havia atividades de saúde conflitantes entre órgãos da prefeitura do Rio de Janeiro (então Distrito Federal) e do próprio Governo Federal. Para sanar tais divergências, era preciso leis que determinassem as atribuições de cada órgão. E em 1904, após muita discussão e emendas, foi finalmente aprovada e publicada uma lei que dispunha sobre a saúde pública.
Chamada por seus opositores de “código de torturas”,  seu ponto mais polêmico era a reafirmação da obrigatoriedade da aplicação da vacina contra a varíola. Reafirmação, porque desde 1846 já havia uma lei que tornava a vacinação obrigatória para todos, mas como algumas vacinas, esta lei “não pegou”. E, a cada inverno havia nova epidemia da moléstia.
Mas, agora, o governo não pretendia deixar isto acontecer novamente. Oswaldo Cruz iria enfrentar sua maior batalha contra a ignorância e a maledicência.
A política alimentava a mobilização contra qualquer medida do governo. Com o apoio da imprensa, monarquistas, adversários políticos de Rodrigues Alves e pessoas que achavam indevida a interferência do estado nas decisões individuais, se uniram na mesma trincheira contra a vacina obrigatória.
Foi criada até uma entidade chamada Liga Contra a Vacina Obrigatória! Os jornais publicavam editoriais criticando “o ato de força” do governo, o que no entender de alguns, justificaria a adoção da força para combate-lo! Você já viu este filme? Pois é, naquele tempo, a conversa já era essa...
E por incrível que pareça, até o então senador Ruy Barbosa proferiu discursos contra a medida. Foi mal, hein, Ruy? Mas, anos depois da morte de Oswaldo, o “Águia de Haia” reconheceu o seu valor e o acerto das medidas sanitárias.
Mas, o trunvirato formado por Pereira Passos, Lauro Müller e Oswaldo Cruz recebeu uma “blindagem” adicional, ficando imunes a qualquer ação judicial que pudesse tolher suas medidas sanitárias.
Nesta sequência, nem tudo foi perfeito. A radicalização das medidas e a febre de urbanização acabou por desalojar uma grande parte da população pobre que morava em  cortiços e casarões na área central do Rio. Acossados, eles tentaram se alojar em outros cortiços mais afastados do centro, mas foram alcançados e novamente postos na rua.  Cerca de 1.600 prédios foram demolidos durante o "bota-abaixo". Aos desalojados não foi dada nenhuma assistência ou alternativa, e esta massa, composta em grande parte por ex-escravos e seus descendentes, passou a ocupar encostas nos morros dos arredores da cidade, construíndo barracos cobertos com chapas de folhas-de-flandres e latões de querosene abertos e desdobrados. Era o início da favelização do Rio, fato que escapou aos administradores da época, mais preocupados com a aparência da zona sul e da área urbana central, cartões de visitas do Distrito Federal para quem chegava pelo mar.
A REVOLTA POPULAR
Mas, a remoção da população marginalizada ajudou a aumentar ainda mais a revolta contra a vacinação, a ela associada. Em novembro de 1904, locais como o Largo de S. Francisco e a Lapa viraram palco de uma verdadeira guerrilha urbana, com depredações da iluminação pública, quebra-quebras, destruição de bondes e confrontos com a polícia onde houve até tiroteios.
O desfile comemorativo da proclamação da República previsto para 15 de novembro foi cancelado e o governo interveio com tropas do exército, vindas de S. Paulo e Minas, pois já havia tropas amotinadas na Escola Militar.
A situação já estava sendo explorada por golpistas que pretendiam destituir Rodrigues Alves, e houve finalmente o confronto armado entre um batalhão de cadetes e as tropas recém-chegadas, terminando com a morte do general Silvestrre Travassos, um dos líderes da revolta, e a posterior prisão do senador Lauro Sodré, que também apoiava o golpe de estado.
No meio dessa confusão, Oswaldo Cruz pediu demissão do cargo, pedido que foi indeferido pelo presidente da república.
Em 16 de novembro, foi decretado o estado de sítio, e tropas do exército e da polícia finalmente silenciaram o último foco da resistência, o Morro da Favela, hoje conhecido como Morro da Providência.
Mas, a saúde não saiu ilesa deste conflito. Rodrigues Alves, tentando aliviar as tensões, acabou por revogar a obrigatoriedade da vacina.
Como consequência, em 1908, se abateu sobre o Rio um novo surto de varíola, que fez 9 mil vítimas fatais!
A VITÓRIA E O RECONHECIMENTO
Porém, a essa altura, já eram visíveis as melhorias nas condições gerais de saúde no Distrito Federal, e muitos dos detratores das medidas sanitárias tiveram que reconhecer o seu acerto.
O Rio, livre da febre amarela, da peste bubônica e do cólera, com suas belezas naturais e sua área central renovada e saneada, já começava a receber turistas que sobreviviam à visita e descreviam o que tinham visto, atraindo ainda mais turistas.
Em setembro de 1907, seu trabalho de erradicação da febre amarela no Rio de Janeiro foi agraciado com o primeiro prêmio do 14° Congresso Internacional de Higiene e Demografia, realizado na Alemanha. Ao voltar em fevereiro de 1908, foi finalmente aclamado como herói nacional.
O presidente Afonso Pena sancionou uma lei que efetivava o Instituto Soroterápico Federal como órgão público, passando a chamar-se Instituto Oswaldo Cruz.
A MADEIRA-MAMORÉ E BELÉM DO PARÁ
Entre 1905-1906, Oswaldo Cruz percorreu cerca de trinta portos em diversos estados brasileiros, coordenando mudanças nos aspectos sanitários, de forma a prevenir a propagação de doenças.
Em 1910, ele visitou as obras da ferrovia Madeira-Mamoré, no atual estado de Rondônia, onde a malária atacava aproximadamente 85% dos trabalhadores. Ele recomendou a ingestão de quinino e a permanência dos operários em galpões com janelas cobertas por telas após o entardecer, hora de maior atividade dos mosquitos transmissores da doença.
Em Belém do Pará, no mesmo ano, ele orientou as autoridades locais na aplicação de medidas preventivas contra a febre amarela, como exterminar focos de mosquitos e isolar os doentes com mosquiteiros. Ao cabo de seis meses de uma intensa campanha, Belém erradicou o surto de febre amarela.
Homenagem: O Oswaldo Cruz, navio de assistência hospitalar da Marinha do Brasil, atracado no Rio Madeira, em Porto Velho-RO. O navio é equipado com um centro cirúrgico, uma farmácia, um laboratório, dois consultórios médicos e dois odontológicos. Possui ainda um helicóptero para resgate de pacientes. Navega continuamente, dando assistência à população amazônica.

O LEGADO
A luta de Oswaldo Cruz contra a ignorância e a desinformação transformou o quadro da saúde pública não só no Rio de Janeiro como em toda a nação.
Sua doutrina de medidas sanitárias e preventivas se tornou uma referência adotada pelos responsáveis por ações desta natureza em todo o país.
Hoje, a Fundação Oswaldo Cruz  também é uma referência em pesquisas e na fabricação de medicamentos, vacinas e reagentes para o Ministério da Saúde, sendo sua área de produção considerada estratégica para a Política Nacional de Saúde.
O site da Fundação pode ser acessado em:

http://www.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?tpl=home

O CASTELO
Em 1905, Oswaldo Cruz esboçou um prédio para sediar sua instituição, e encarregou o arquiteto português Luís Moraes Júnior da sua construção.
O castelinho, no estilo neomourisco, com quatro andares, foi erguido com materiais nobres e importados. A escadaria principal tem degraus em mármore de carrara. Azulejos portugueses revestem as varandas e o piso é de mosaicos franceses.
Tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1981, o castelo rosado de Manguinhos é para mim, a construção mais bela da cidade do Rio de Janeiro.
O lindo castelo da Fiocruz, em Manguinhos, Rio de Janeiro - RJ.
A DESPEDIDA
Por volta de 1916, o estado de saúde de Oswaldo Cruz  já não era satisfatório. Procurava-se uma forma de afasta-lo das suas atividades em Manguinhos sem melindra-lo. A solução encontrada pelo governador Nilo Peçanha foi nomea-lo para recém-criada prefeitura de Petrópolis. 
Porém, Oswaldo levava suas funções a sério e logo elaborou planos para a cidade, como a implantação da rede de esgotos, dos bondes elétricos, parques  para a prática de educação física, e a conversão do antigo palácio imperial num museu.
Infelizmente, a insuficiência renal herdada do pai o levou à morte em 11 de fevereiro de 1917, com apenas 44 anos. Faleceu em sua casa, em Petrópolis, cercado pela família e pelos amigos Carlos Chagas e Belisário Pena.