FRASE:

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"Se deres um peixe a um homem, vais alimenta-lo por um dia; se o ensinares a pescar, vais alimenta-lo a vida toda."

(Lao-Tsé, filósofo chinês do séc. IV a.c.)

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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

NÉVOA...


Aos poucos, começo a perceber formas meio indefinidas em meio a névoa. Eu me recordo quando ainda menino, nas manhãs do sul, andava os 3 ou 4 km até à escola envolvido na névoa. 
Só que nós a chamávamos “cerração”. Eu sentia uma sensação gostosa de estar escondido enquanto avançava sem ser visto em meio àquele manto úmido e envolvente. 
Às vezes, a gente só podia reconhecer as pessoas a uns cinco metros ou menos, de tão cerrada que era a névoa...
Tinha um ditado local: “cerração baixa, sol que racha”...
Isto quase sempre era verdade, pois quando, lá pelas 10, 11 horas, a cerração se dissipava, aparecia aquele céu de brigadeiro e um sol de torrar!
Mas, agora é diferente. Eu tenho alguma apreensão em relação ao que vou encontrar quando a névoa se dissipar...
Será que reencontrarei as mesmas coisas, ou essa cortina nevoenta oculta coisas inusitadas?
O quanto o mundo e as pessoas mudaram neste lapso de tempo em que estive envolvido na névoa?
Será que ainda lembrarão de mim?
Porque o tempo é relativo. Dizem que quem viaja com velocidades próximas à da luz pode perceber como minutos o tempo de muitos anos decorridos para quem ficou estacionado.
Mas, neste caso, parece ocorrer o inverso.
Algumas horas e dias vividos por quem estava fora da névoa, parecem meses e anos para mim...
Parece que tanta coisa aconteceu...
Será que o mundo mudou?
Será que eu mudei?
Meus olhos se apertam tentando vazar as sombras, furar esta capa difusa e desvendar o que ela encobre...
Quanto tempo levarei para descobrir?
Com que formas inusitadas vou me deparar quando se abrir o “sol que racha”?