FRASE:

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"Se deres um peixe a um homem, vais alimenta-lo por um dia; se o ensinares a pescar, vais alimenta-lo a vida toda."

(Lao-Tsé, filósofo chinês do séc. IV a.c.)

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sexta-feira, 6 de abril de 2012

MAIS UMA QUE NÃO VAI "PEGAR"?


No Brasil, uma das maiores dificuldades que existem para que as coisas funcionem devidamente é a natureza e o conteúdo das leis.
Conforme eu aprendi no colégio (será que ainda ensinam isto?), o poder responsável pela elaboração e aprovação das leis é o LEGISLATIVO.
Por Legislativo entenda-se: os parlamentares que nós elegemos, e a quem passamos procuração para elaborar leis de acordo com as necessidades do povo, garantindo também a governabilidade do país.
Mas quem interpreta e julga sobre as questões decorrentes da aplicação destas leis é outro poder, o JUDICIÁRIO.

 Legislativo e Judiciário: que bom se houvesse mais entrosamento...

Assim, por falta de cuidado ou de competência de quem elabora essas leis, às vezes elas se tornam inócuas, e no vocabulário dos brasileiros, algumas ganham a classificação de “leis que não pegaram”.
Nesta categoria estão certas leis que, por má redação, possibilitando interpretações diversas, ou por inviabilidade de aplicação prática, ou até mesmo por contrariarem princípios básicos da Constituição Federal, existem apenas no papel. E deixam de cumprir sua finalidade.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ), abordando controvérsias sobre a chamada Lei Seca, decidiu na semana passada que somente o etilômetro (bafômetro) e o exame de sangue são válidos para comprovar a influência do álcool no organismo do motorista. A Constituição, porém, garante ao condutor o direito de não produzir provas contra si mesmo e se recusar a fazer os testes.
O que equivale a dizer que, se esta decisão servir como referência para os casos que surgirem envolvendo esta questão, a Lei Seca vira letra de samba, e só vai valer para otários, pois basta o motorista suspeito de embriaguez se recusar a fazer o teste do bafômetro, e depois alegar na justiça que não estava embriagado, e a acusação não terá nenhuma prova do fato, apesar das evidências.
(Para mim, que sou leigo em questões de direito, me ocorre que o ato de recusa em fazer um teste que o pode inocentar só pode ser motivado pela certeza de culpa, e portanto por si mesma serviria como uma prova incriminatória. Mas, parece que nenhum dos meritíssimos juízes do STJ tocou neste assunto.)
Desta forma, o impacto inicial da Lei Seca na diminuição dos acidentes com vítimas poderá ser reduzido gradativamente, na medida que os brasileiros assimilarem os recursos legais disponíveis para burlar as rondas repressivas.
Conforme noticia a AGENCIA ESTADO: “Em uma reação à decisão do STJ que esvazia a Lei Seca, o governo federal e lideranças da Câmara dos Deputados fecharam um acordo para votar na próxima semana um projeto que inclui imagens, vídeos e testemunhos entre as possibilidades de prova de condução de veículo sob influência de álcool”.
Melhor seria para os contribuintes se houvesse um entrosamento maior dos parlamentares do legislativo com os membros do judiciário, talvez submetendo previamente ao mesmo os textos das leis propostas, para evitar criar e aprovar leis que, depois de muita expectativa sobre sua efetividade, acabam se tornando inócuas.
Eu não alimento ilusões: mesmo com imagens, vídeos e testemunhas, pouco se poderá fazer de efetivo no sentido de punir os transgressores da lei.
Aqui é o país onde se deixa de prender 10.000 malfeitores só pelo receio que entre eles haja algum inocente! E onde essa tolerância mais se manifesta é no julgamento de crimes cometidos no trânsito.

 Muitos acidentes de trânsito são causados pela irresponsabilidade de dirigir sob os efeitos do álcool ou de outras drogas...
Mas, poucos são punidos por isto.

A própria questão da embriaguez não é uma coisa exata: a influência da concentração do álcool no sangue sobre a coordenação das pessoas varia de indivíduo para indivíduo, em decorrência do peso, do sexo e de outros fatores ainda não totalmente determinados, que fazem alguns ficarem de pernas vacilantes logo na primeiras doses, enquanto outros parecem ser menos afetados.
Assim, pelo menos a julgar pelo que foi noticiado, as providências do legislativo tem bastante chance de serem tão inócuas como a elaboração inicial da lei.
Lamentável para quem tem que andar ou dirigir, ficando sujeito às incertezas quânticas das inevitáveis trombadas de fim de semana: sabe-se que tantos por cento sofrerão acidentes; apenas não sabemos quem serão os infortunados escolhidos!
Espero que não seja eu e nem tampouco nenhum de vocês!
Feliz Páscoa para todos!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A PROVA DO QUE SOMOS

Antes da eleição, comentários de pessoas mais conscientes, criticando candidaturas baseadas em piadas e palhaçadas, "plataformas" ancoradas no deboche, candidatos-arapuca para ganhar votos para outros menos cotados, candidatos com mandado de prisão em andamento, enquanto a lei da "ficha limpa" ficava convenientemente encalhada no STF.
Eu particularmente acho que seria desnecessária uma lei para impedir que se votasse em candidatos de procedência duvidosa. Os próprios eleitores é que deviam fazer a exclusão de tais candidatos, negando a eles seus votos.
Mas eis que começaram a aparecer os resultados e a emergir das trevas a verdadeira face do povo deste país...
Alguém já me disse que os políticos do Brasil não vieram de Marte nem de Gliese 381, mas desse mesmo povo do qual fazemos parte. São uma amostragem do nosso povo e estão onde estão por escolha desse mesmo povo!
Tirando fora  o fato do voto ser obrigatório e não opcional, no restante dos aspectos do nosso país, apesar de nossos governantes flertarem com caudilhos e ditaduras cinquentenárias, ainda estamos num regime democrático.
Portanto, não posso crer que tantas pessoas tenham sido obrigadas ou pressionadas a fazer as escolhas que fizeram, ao determinar quem vai representa-las por um mandato no legislativo. São esses eleitos que moldarão a cara do nosso país, propondo e aprovando as leis que regerão os destinos de todos!
Mas, voltando aos resultados, vimos a eleição já confirmada de candidaturas-piada, de candidatos ficha sujíssima e de candidatos-piso-de-galinheiro!
É verdade que não haviam muitas opções, mas mesmo o voto sendo obrigatório, a abstenção não é proibida! Nos campos da cédula eletrônica onde não havia ninguém que me convencesse, eu deixei em branco! Esse é  direito que eu tenho!
Assim, a eleição de alguns candidatos para o legislativo é uma prova significativa do tipo de eleitor que temos no Brasil. Foi uma escolha livre e uma manifestação da vontade do nosso povo.
É a prova do que somos...