FRASE:

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"Se deres um peixe a um homem, vais alimenta-lo por um dia; se o ensinares a pescar, vais alimenta-lo a vida toda."

(Lao-Tsé, filósofo chinês do séc. IV a.c.)

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quarta-feira, 16 de maio de 2012

DIVAGAÇÕES SOBRE O TEMPO



Estive pensando sobre o tempo...
Mas como se pode pensar numa coisa que não se vê, não se ouve, nem se pode tocar ou sentir?
O tempo não se percebe, ele só passa...
Mas, ele passa mesmo, ou somos nós que passamos por ele?
Afinal o que é o tempo?
Serão os intervalos entre os marcos que deixamos pelo caminho?
Ou será o tempo um enorme e infinito caminho que percorremos geração após geração...
Um caminho que já estava aí antes da primeira geração e que vai permanecer aqui depois da última?
Os seres humanos, tentando aprisionar ou rastrear o tempo, criaram os relógios...
E acabaram prisioneiros e reféns dos relógios, meros marcadores de intervalos...
O passar do tempo é relativo, um mesmo período medido por um relógio pode nos parecer muito longo ou muito curto, dependendo da nossa situação...
Para quem está numa fila de transplante de órgãos, cada dia pode parecer uma eternidade...
Para quem tem muitas coisas para fazer, as horas parecem passar com velocidade alucinante!
Nunca ouvi a narrativa de um condenado à morte sobre como foi seu último dia neste mundo.
Será que o dia passou como num instante?
Ou levou uma eternidade até a hora de receber a agulhada fatal, ou sentir o chão fugir sob seus pés, num cadafalso?
E, para um militar que foi fuzilado, quanto tempo se passou entre ouvir a ordem de “fogo!” e receber a mortal descarga de chumbo no peito?
Quem sabe a resposta não está mais nesta dimensão...
Não importa o que esteja acontecendo, cada evento ocupa seu quadro sequencial na linha do tempo...
Uma infinidade de eventos ocorrem simultaneamente, embora separados por outra dimensão, a do espaço...
Consta que quem está numa determinada dimensão pode ver inteiramente as dimensões inferiores...
Nós vivemos num universo de quatro dimensões: o espaço tridimensional, mais a quarta dimensão que é o tempo...
Podemos ver o universo unidimensional e simplificado de uma linha...
E descortinar o que é projetado nas duas dimensões que determinam um plano...
Sem dificuldade podemos projetar as formas de um objeto no espaço tridimensional...
Podemos até mesmo situar onde estará a cada variação de unidade arbitrária de tempo...
E isto me leva a pensar: já ouvi especulações científicas sérias sobre o número de dimensões que existem além da quarta...
Não posso imaginar como, alguém construiu fórmulas matemáticas que o levaram a concluir que haveriam onze dimensões, no total...
Outros já projetaram este número ao infinito...
Mas, como vale especular qualquer coisa, gosto de pensar que, se eu estivesse numa quinta dimensão, poderia ver toda a linha do tempo, estendida quadro a quadro como, como uma tirinha de histórias num jornal de domingo...
Ali estariam congelados na continuidade espaço-tempo, todos os eventos já ocorridos no universo, e também os que, em relação ao nosso “hoje” estão ainda por ocorrer...
E eu, magicamente, poderia inserir-me como espectador em cada hora e lugar escolhido, apertar a tecla “play”, e ver as coisas rodarem a partir dali...
Voar sobre o supercontinente Pangéia, antes da grande separação continental...
Ver uma terra diferente, com animais extintos perambulando por um mundo onde os humanos ainda nem sonhavam existir!
Poder ouvir o sermão da montanha, embora sem entender aramaico...
Presenciar a emoção de Magalhães, ao avistar o Oceano Pacífico do outro lado daquele tortuoso estreito no extremo das Américas...
Ver a frustração de Scott, ao encontrar a bandeira fincada por Amundsen no Polo Sul.
Assistir à reação de meus pais, ao saberem de minha iminente chegada...
Mas, perceberam a cilada?
Não estou falando sobre o tempo, mas sobre eventos!
Afinal, como falar sobre algo que não se pode ver, ouvir, sentir nem perceber?

Time goes by...