FRASE:

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"Se deres um peixe a um homem, vais alimenta-lo por um dia; se o ensinares a pescar, vais alimenta-lo a vida toda."

(Lao-Tsé, filósofo chinês do séc. IV a.c.)

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quinta-feira, 27 de março de 2014

SERÁ PRECISO UMA GUERRA?

Quando criança, eu às vezes ouvia pessoas dizerem: “Se houvesse uma guerra, dava jeito em muita coisa neste país!”
Eu ficava imaginando como uma guerra poderia melhorar alguma coisa...
A guerra só pode ser definida como uma coisa a ser evitada. Ela faz tanto mal a tanta gente, de forma injusta e inevitável, que dificilmente compensa envolver-se em uma.
Geralmente, isto só ocorre quando aceitar passivamente uma situação pode significar um destino pior que a morte para uma coletividade. Lutar para não ser escravizado é uma das situações aceitas universalmente como justificativa para uma guerra.
Mas, para cada cultura, as justificativas variam em importância relativa, de acordo com os valores locais. Houve guerras que começaram supostamente em decorrência de acontecimentos pontuais, embora tais eventos tenham sido o efeito gota d'água, transbordando um cálice já lotado até a boca.
Já houve um conflito entre duas nações centroamericanas por causa de...um jogo de futebol! Na chamada Guerra do Futebol ou Guerra das 100 horas, em 1969, El Salvador e Honduras combateram durante 4 dias num conflito que começou por causa de hostilidades entre torcedores, numa série de 3 jogos que decidiriam uma vaga para a copa de 1970! 
(El Salvador venceu o jogo decisivo, realizado no México, e se classificou.)
Finalmente, houve a intervenção da Organização dos Estados Americanos, que intermediou um cessar-fogo!
Os EUA se envolveram na Guerra do Vietnam em função dum incidente envolvendo um suposto ataque de barcos-patrulha do Vietnam do Norte contra um contratorpedeiro americano. Acontece que, anos depois, não se conseguiu encontrar uma só testemunha deste incidente, negado até pelo comandante do navio americano!
Entretanto, a guerra, em algumas nações, parece ter um efeito de amadurecimento, fazendo com que a população faça uma reordenação de valores e prioridades dentro de uma ordem mais realista, se conscientizando da verdadeira importância de cada coisa, no contexto geral.
Recentemente, um órgão de impressa de um país da Europa, criticando a realização da copa do mundo no Brasil, país cheio de problemas básicos a serem resolvidos, teria declarado que a maioria dos brasileiros se preocupa mais com futebol, espetáculos e festas como o carnaval do que com as eleições, a política, a economia, a saúde e a educação do seu país.
(Eu realmente prefiro mais assistir a um jogo de futebol do que a um debate político.)
Uma vez, enquanto eu assistia a um jogo de futebol na TV, uma pessoa comentou que odiava o futebol (e esportes em geral), e disse que isso era “coisa de país atrasado”.
Eu lhe respondi que então devia ir para um país onde as pessoas não dessem tanta importância aos esportes, e onde, ao invés de jogar ou assistir a futebol, se fazia guerrilha, explodiam carros e homens-bomba ou apedrejavam, chicoteavam e até baleavam mulheres que queriam estudar!
Falei isto num momento de irritação, mas gostar de esportes não é “coisa de país atrasado”!

Construir estádios modernos e confortáveis é aceitável, em países onde as primeiras necessidades da população já foram atendidas...

Agora, “coisa de país atrasado” é gastar dinheiro público em estádios e instalações de apoio para sediar uma copa do mundo, que será a mais cara da história, com gastos que podem alcançar 30 bilhões de reais, segundo o site R7 ESPORTES, em um país onde não se investe com seriedade na educação, onde a saúde pública é um terror, e onde a segunda maior cidade do país vive uma guerra civil, com áreas onde nem a polícia pode passar com segurança.


Cena usual no corredor de um hospital público brasileiro. Estes tiveram sorte, pois diversos pacientes ficam lá fora...

Para que 12 sedes com estádios monumentais para a competição, alguns dos quais vão sem dúvida virar elefantes brancos, com manutenção caríssima, em cidades onde a média de público em jogos é bem menor que a sua capacidade? Não vai dar para viver só de shows...
E aí, os críticos de além-mar acabam tendo razão, embora seja difícil para um brasileiro engolir!

Difícil obter bom rendimento dos alunos, com salas de aula sem nenhum conforto, sem transporte escolar e com greves de professores todos os anos, prejudicando o ensino...

Muito tem sido lembrada a figura do imperador romano Vespasiano, que iniciou a construção do coliseu de Roma, assumidamente para manter a política do “pão e circo”, dando ao povo o essencial para a subsistência e mais a diversão, para garantir o apoio das massas populares.
Da mesma forma, quem já deu aos pobres as esmolas do assistencialismo, proporciona também o circo da copa do mundo, num ano de eleições, que sem dúvida, serão influenciadas pelo sucesso (ou fracasso) da equipe brasileira na competição.
Será mesmo preciso uma guerra para que as pessoas deste país aprendam a colocar as coisas no seu devido lugar?