De uns dois anos para cá, muito se falou do "Pré-Sal", e sua descoberta foi anunciada com muito estardalhaço pelo governo, como se isso fosse mudar a vida dos brasileiros. Mas, afinal, o que é este tal pré-sal e o que ele pode mudar na nossa vida?
O chamado
pré-sal é uma camada do subsolo rochoso situada abaixo da crosta de
sal, no fundo do mar, ao largo da costa brasileira, abrangendo desde
o litoral do Espírito Santo até o de Santa Catarina, numa extensão
de aproximadamente 800 km, com largura variável, chegando a alcançar
200 km. Esta camada teria se formado há 150 milhões de anos, e
estima-se que contenha enormes reservas de petróleo, além de
gás natural. Análises demonstram que o óleo é de ótima
qualidade, o que significa melhor valor comercial.
Para quem
espera que o fim dos combustíveis fósseis acelere a adoção de
meios de propulsão menos poluentes e renováveis, estas descobertas
não são tão animadoras.
Diagrama mostrando as camadas submarinas.
(Fonte: Petrobrás)
As
estimativas são de que os os campos do pré-sal contenham em torno
de 1,6 trilhões de m3 de óleo e gás natural, cinco
vezes a reserva atual, o que colocaria o Brasil como sexto maior
produtor de petróleo do mundo, atrás apenas dos cinco maiores
produtores árabes.
A
Petrobrás, que dispõe da mais avançada tecnologia e experiência
em prospecção submarina, já está acostumada a explorar grandes
profundidades no chamado pós-sal, e possui poços que alcançam de
2.600 até mais de 4.600 m!
Porém,
os lençóis estão em profundidades de até 7.000 m, sob
camadas de rochas salinas de até 2.000 m de espessura, o que torna a
sua exploração extremamente difícil e cara.
Existem
muitos problemas técnicos a serem resolvidos, para extrair petróleo e gás com segurança nas
condições de altas temperaturas e pressões extremas, enfrentando a
corrosividade do meio salino.
Por isto,
a tecnologia necessária para explorar de forma eficaz essas reservas
ainda está sendo desenvolvida.
Mas, a viabilidade econômica da exploração da camada pré-sal depende da elevação dos preços internacionais do barril de óleo, para compensar os altos custos da produção.
A meta da
Petrobrás é alcançar, em 2017, produção diária superior a 1
milhão de barris de óleo, somente nas áreas do pré-sal onde já
opera. Por enquanto, o único poço em operação a partir do pré-sal é o de Tupi.
E aí se
configura uma contradição: ao mesmo tempo em que estas perspectivas
nos abrem um novo horizonte no campo da economia, também nos colocam
na contramão dos movimentos ecológicos, que pregam a substituição
gradativa dos combustíveis fósseis por renováveis e não-poluentes.
Se bem
que temos bastante companhia nesta contramão: parece bem lógico que
nenhum país possuidor de reservas pareça disposto a
abandonar a exploração de petróleo em benefício da biosfera.
Parece
inevitável que os detentores de reservas irão usa-las até ao seu
esgotamento, aproveitando o aumento dos preços internacionais que
deve ocorrer antes disto.
Assim, se
quisermos combustíveis menos poluentes e cidades com ar mais
respirável, isto terá que esperar um pouco mais, e será feito
lutando contra os interesses de quem quer lucrar com a produção de
petróleo. Inclusive nosso próprio país.
Mapa do pré-sal, mostrando as áreas de concessão. (Fonte: Petrobrás)
Em dezembro de 2010, o Congresso aprovou o chamado Marco Regulatório do Pré-Sal, um conjunto de leis que passou a regulamentar a forma de concessões para exploração do pré-sal, estabeleceu o modelo de partilha da produção e outras providências.
Este Marco Regulatório vale para os 107.228 km² (72%) da área do pré-sal ainda não licitada.
Este novo sistema de exploração de petróleo na costa brasileira substitui o antigo mecanismo de concessão. A produção de cada campo de petróleo terá que ser partilhada entre o consórcio vencedor da licitação e a União. Nos leilões, ganha quem oferecer ao governo federal a maior parcela da produção estimada para o campo.
A Petrobrás será a operadora única dos campos e no caso de formação de parcerias com outras empresas, ela terá uma participação mínima de 30% no consórcio.
O Marco Regulatório estabelece também (milagre!) que 50% do retorno obtido com a aplicação dos recursos serão destinados ao financiamento da educação.
Este novo sistema de exploração de petróleo na costa brasileira substitui o antigo mecanismo de concessão. A produção de cada campo de petróleo terá que ser partilhada entre o consórcio vencedor da licitação e a União. Nos leilões, ganha quem oferecer ao governo federal a maior parcela da produção estimada para o campo.
A Petrobrás será a operadora única dos campos e no caso de formação de parcerias com outras empresas, ela terá uma participação mínima de 30% no consórcio.
O Marco Regulatório estabelece também (milagre!) que 50% do retorno obtido com a aplicação dos recursos serão destinados ao financiamento da educação.





